As mulheres que ocupam cargos de liderança nos 51 órgãos públicos estaduais ganham, em média, 20,2% a menos do que os homens que exercem funções de líderes nos mesmos órgãos do governo do Estado. Os dados se referem ao ano de 2021 e fazem parte do diagnóstico feito pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) no Painel Liderança e Participação Política, lançado nesta segunda-feira (30).
A ferramenta foi desenvolvida pelo Observatório Mulheres do IJSN, no âmbito do programa Agenda Mulher, e reúne dados relacionados à participação das mulheres do Espírito Santo na política e em cargos de gestão pública.
De acordo com os dados do painel, das 2.485 lideranças capixabas em 2021 que ocupavam cargos de chefia, gerências, subsecretarias, secretarias, entre outros, 1.086 eram mulheres e 1.399 homens.
O diagnóstico revelado pelo painel é de que, dos 51 órgãos públicos estaduais, as mulheres aparecem em maior número em cargos de liderança em 23 deles e em outros quatro empatam com os homens na quantidade de líderes.
Em termos numéricos, a liderança feminina tem maior destaque nas secretarias estaduais da Educação (Sedu), com 263 ocupantes de cargos de liderança, e da Saúde (Sesa), com 145 mulheres líderes.
No entanto, os mais altos postos ocupados por mulheres no governo do Estado são apenas quatro entre os 25 possíveis: o de vice-governadora, os de secretária estadual de Direitos Humanos e de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social; e o de superintendente de Comunicação.
A diferença não ficou apenas no quantitativo, já que a média salarial mensal bruta das mulheres (sem considerar descontos como Imposto de Renda e previdência) é 20,2% inferior à média salarial mensal dos homens em cargos de liderança no governo estadual. Elas receberam, em média, R$ 13.760, enquanto eles ganharam R$ 17.260 no mesmo período, ou seja, R$ 3,5 mil a menos por mês.
O diretor de Integração do Instituto Jones, Pablo Lira, explica que essa diferença tem relação direta com o fato de o Estado ter um número maior de homens em postos de lideranças de hierarquia superior.
“Nas empresas privadas a diferença salarial é maior. Mesmo na administração pública tem essa diferença salarial porque os cargos de melhor remuneração ainda são ocupados majoritariamente por homens”, reconhece Lira.
Ele acrescenta que o objetivo do painel é justamente apresentar um diagnóstico da situação para que, identificada, a desigualdade de gênero possa ser combatida nos mais diversos órgãos com a implementação de ações efetivas.
“O Espírito Santo vem trabalhando para reduzir essa desigualdade, que é histórica, não é só uma questão estadual, é mundial. O Brasil é um país com viés machista e dificulta a participação das mulheres na política e na gestão da administração pública. Com essa ferramenta inovadora, a gente conhece o nível da desigualdade de gênero e isso nos coloca numa posição privilegiada para buscar formas de combatê-la”, assinalou o diretor de Integração do IJSN.
Além de dados da Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos (Seger) usados para traçar o perfil das lideranças, o painel utilizou informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) referentes aos dados eleitorais nacionais, estaduais e municipais das quatro últimas eleições (2014, 2016, 2018 e 2020).
Com isso, Lira acredita que os indicadores disponibilizados pela ferramenta poderão servir de referência para as mais diversas pesquisas, no âmbito acadêmico, e também para outros Estados e municípios capixabas que queiram consultá-los.
“Temos hoje lideranças femininas em postos-chave no Espírito Santo, como a vice-governadora (Jacqueline Moraes) e a chefe do Ministério Público Estadual (Luciana Andrade), que são importantes para inspirar e empoderar mulheres em cargos de lideranças ou que aspiram chegar a esses cargos”, complementa Lira.
