A Universidade Federal do Espírito Santo exerce um papel fundamental na sociedade capixaba, que vai desde o desenvolvimento de tecnologias para proteção ao meio ambiente e melhor qualidade de vida até a inclusão de todos no ensino superior. São tantas formas de inclusão que acontecem nos campi da Ufes que precisaríamos de páginas e mais páginas para mostrar todo o esforço feito por servidores e estudantes para fazer deste lugar um local de acolhimento.
E, por falar nisso, nada mais acolhedor do que abrigar alguém em situação de refúgio. A palavra refúgio originalmente significa abrigo, acolhimento. Bem acolher é justamente nossa missão na Cátedra Sérgio Vieira de Mello do Alto-Comissariado da ONU para Refugiados aqui na Ufes. O estabelecimento da Cátedra faz parte de uma parceria entre a Ufes e a ONU que funciona no curso de Direito da universidade e vem produzindo muito amadurecimento, inclusão, acolhimento ao longo dos anos que funciona por aqui.
Nós fazemos o acompanhamento de pessoas que chegam ao Brasil em situação de refúgio, ou seja, que estão fugindo de seus países em razão de perseguições por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social, opiniões políticas ou tenha fugido de quadro de grave e generalizada violação de direitos humanos. Dentro do critério de generalizada violação de direitos humanos, tem-se entendido estar a perseguição em razão de gênero e até mesmo em casos de catástrofes ambientais.
Há um enorme grupo de pessoas vivendo nessas condições no Brasil e aqui no Espírito Santo também. Atualmente, temos recebido muitos cidadãos e cidadãs de Cuba e da Venezuela, procurando abrigo e condições mais dignas de vida. Antes deles vieram também sírios e haitianos para o nosso Estado, em busca de uma vida de paz e sem perseguições.
A Ufes, por seu relevantíssimo papel na sociedade capixaba, oferece cursos de português para pessoas em situação de refúgio e de árabe para brasileiros interessados em atuar na causa humanitária. Sabemos que o conhecimento de uma língua é a ponte primária para a inclusão do outro na nossa sociedade, da mesma forma que o conhecimento da língua do outro nos permite melhor interagir e acolher os estrangeiros que chegam aqui em busca de acolhimento.
Por esses motivos, professores, estudantes e voluntários preocupados com a causa humanitária doam seu tempo para ofertar gratuitamente os cursos de português às quartas-feiras à tarde e os cursos de árabe aos sábados à tarde, na Ufes. Esses cursos, desde quando criados em 2014, vêm contribuindo de forma efetiva na busca de mais dignidade na vida dos nossos estrangeiros residentes no Estado.
Mas não paramos por aí. A Ufes oferece às pessoas em situação de refúgio, todos os anos, a possibilidade de inscrição em seus cursos de graduação por meio de um procedimento facilitado de solicitação de vagas nos cursos da universidade. Este procedimento está acontecendo este ano entre os dias 28 de janeiro e hoje, dia 29 de janeiro, estando aberto a todas pessoas que se encontrem em situação de refúgio.
Sabemos que fugir de um país, deixar tudo para trás, documentos, família, história de vida, trabalho não é fácil; mais difícil ainda é integrar-se em uma sociedade diferente da sua sem conhecer a língua, sem condições financeiras, sem trabalho, sem lar, sem perspectivas...
É por esse motivo que, a pedido do Alto Comissariado da ONU a nossa atual Reitora Eleita democraticamente, professora Ethel Maciel, encampou o projeto para a criação do procedimento de solicitação de vagas e inclusão de pessoas em situação de refúgio nos bancos universitários, na comunidade universitária, no nosso dia dia festivo e acolhedor, para que as lembranças das dores e das perdas possam dissipar-se aos poucos em meio a perspectivas de uma vida mais digna que o ensino superior pode possibilitar.