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Perspectivas

Vitória do Futuro, 25 anos depois, não avançou tudo o que esperávamos

Afinal, como está Vitória hoje, de acordo com aqueles cenários imaginados ainda no final do século XX?

Publicado em 16 de Janeiro de 2020 às 04:00

Públicado em 

16 jan 2020 às 04:00
Tarcísio Bahia

Colunista

Tarcísio Bahia

tbahia65@gmail.com

Vista aérea de Vitória Crédito: Divulgação
Não conheço José Augusto Silva Júnior, mas imagino que ele deve ser hoje um cidadão empenhado em tocar a vida. O que sei de José Augusto é que quando criança, ou seja, um bocado de tempo atrás, sonhou com a cidade de Vitória sem barracos em 2010! E, também ao contrário do que ele imaginou, o porto não se transformou em lugar turístico, nem os galpões de lá saíram para que fosse instalada uma “moderna autopista”. Tampouco, como aquele menino, à época estudante de uma escola municipal, idealizou, os alunos que hoje realizam um curso profissionalizante já saem “com seu emprego garantido”.
José Augusto foi um dos três estudantes premiados por suas redações sobre o que imaginaram que seria a cidade de Vitória em 2010, ou seja, há dez anos. E, mais interessante ainda, o concurso ocorreu há um quarto de século atrás, por ocasião do Plano Estratégico da Cidade 1996-2010, intitulado “Vitória do Futuro”.
Mas, afinal, como está Vitória hoje, de acordo com aqueles cenários imaginados ainda no final do século XX?
Tendo uma abordagem sistêmica, integrada e ampla, o plano trata de vários temas e eixos estruturantes, não cabendo aqui, num curto texto, tecer comentários sobre todas as variáveis focadas naquele trabalho. Ainda assim, alguns aspectos chamam a atenção, quando se lê hoje o plano e pensamos na cidade atual, no que ela se tornou e quais são suas perspectivas daqui pra diante.
Comecemos pela capa, ilustrada com uma imagem de um marlin azul, um peixe então cobiçado na prática da pesca esportiva, por sua dificuldade em ser fisgado, cuja carne, porém, não é culinariamente apreciada. O plano enaltece este raro peixe, que provavelmente nunca foi sequer visto pela maioria da população, a não ser por alguns privilegiados pescadores de alta renda, enquanto faz certo desdém do caranguejo, este sim muito apreciado por muitos capixabas. O argumento, contido na metáfora do plano, é que o peixe salta e o caranguejo anda de lado!
No que tange efetivamente às propostas e às estratégias, cabe enfatizar a atenção à educação e saúde, áreas que de fato Vitória encontra-se hoje “bem na fita” quando comparada a outras capitais brasileiras. Por outro lado, permanecem os gargalos na área de transporte e trânsito, pois pouco avanço houve tanto na capital como na região metropolitana.
Turismo e cultura, duas áreas também correlatas, tampouco avançaram satisfatoriamente. A Lei Rubem Braga, por exemplo, está desativada há anos. E continuamos sem um amplo e confortável centro de convenções, capaz de atrair grandes eventos, para que a cidade possa competir com outros destinos. Um alento é o novo aeroporto. O plano, porém, não cogitava um novo terminal e nova pista, mas apenas sua permanência na mesma área da cidade.
Vitória do Futuro também dá bastante atenção ao Centro, visando sua revitalização. Chama a atenção, contudo, uma foto na página 77 do Mercado da Capixaba, que na ocasião, ou seja, em 1996, encontrava-se recém restaurado. Hoje, é apenas mais uma construção abandonada e deteriorada do centro da cidade. O fato é que a região central vem sendo esvaziada há tempos, a despeito de vários esforços em recuperar pelo menos parte da sua pujança, outrora vivida por muitos capixabas saudosos de uma época que não volta mais.
Além disso, também é decepcionante a lerdeza com que projetos como a ampliação do eixo viário da Serafim Derenzi e o Parque Tecnológico são tratados, sendo ora citados e abraçados, ora esquecidos pelas diversas administrações que passaram ao longo destes 25 anos.
Também é certo que baques como a perda do Fundap e da menor demanda do consumo ou a baixa dos valores de commodities que saem pelos portos da cidade, impactaram na atividade econômica local e na arrecadação municipal. Sabemos bem que os últimos cinco anos foram bem difíceis para todos os brasileiros, incluindo aí os capixabas, como são os cidadãos da capital espírito-santense.
Os problemas da violência urbana, da precariedade da vida nas favelas e do consumo de drogas estão longe de serem resolvidos, ao contrário do que sonharam os outros dois estudantes premiados com suas redações, Emanuela Perim Vilaça Martins e Charla Barbosa de Oliveira.
Por outro lado, quando se olha para o lado – e aqui penso no caranguejo – se vê que Vitória está hoje numa situação confortável em relação a muitas outras cidades brasileiras, todas elas com seus próprios desafios a serem enfrentados. E o Vitória do Futuro foi, naquele momento, um projeto integrador, e isso, por si só, já é muito, afinal hoje se tem o sentimento de que nunca estivemos tão divididos.

Tarcísio Bahia

Arquiteto, professor da Ufes e diretor do IAB/ES. Cidades, inovacao e mobilidade urbana tem destaque neste espaco

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