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História

A paixão dos capixabas pelo carnaval vem de tempos remotos

Dos bailes fechados aos festejos públicos, fica nítido a paixão dos capixabas pelo carnaval, que vem de uma época em que não havia a profissionalização dos desfiles e nem grandes aglomerações nas ruas

Publicado em 25 de Fevereiro de 2020 às 05:00

Públicado em 

25 fev 2020 às 05:00
Herbert Soares

Colunista

Herbert Soares

herinter@hotmail.com

Bailes de carnaval de antigamente Crédito: Divulgação
“Atenção: carnaval, carnaval, carnaval! Convidamos a rapaziada estapafúrdica a estar preparada para festejar o Deus momo com todo entusiasmo e brilhantismo, dando grandes passeios pelas ruas o bando de endemoninhados”. O descontraído texto, publicado no jornal “O Cachoeirano”, revela a euforia com a proximidade do carnaval em Cachoeiro de Itapemirim no distante ano de 1877.
Em outros municípios capixabas, conforme divulgado nos jornais, o carnaval também aparece de forma relevante desde a segunda metade do século XIX. Assim, a partir da década de 1840, quando são criados os primeiros periódicos locais, é comum encontrar informações sobre os preparativos, seguido de convites para bailes da elite e desfiles de rua que reuniam as classes sociais mais populares.
Na capital Vitória, que atualmente promove um elogiado carnaval, o gosto pela folia é igualmente antigo. Em 1869, mais de 150 anos atrás, o “Correio da Victória”, o segundo noticioso fundado no Estado, publicou uma das primeiras notas relacionadas ao tema na imprensa capixaba. Nela, o organizador de um conhecido baile, avisou: “Manoel José Dias tenciona preparar um grande salão para o baile, assim como pretende fazer os passeios nas tardes daqueles dias. Para tanto, desde já previne aos amantes do carnaval, tanto desta cidade como de seus arrabaldes, para se prepararem”.
No final do século, em 1897, nas páginas do “Commercio do Espírito Santo”, o inusitado “Zeca Gomes Pelado Com Cabelo”, secretário do “Grupo Carnavalesco de Vila Velha”, anunciava uma “grande e descomunal” celebração de carnaval, animada pela banda de música “Sociedade Aliança Progressiva”, a responsável pela execução dos tangos e demais ritmos comuns das festas carnavalescas daquele período, como quadrilhas e valsas.
No mesmo ano, ainda em Vila Velha, outra propaganda destacava um “grupo desenfreado de rapazes quentes e fogosos que trará toda a população em sobressalto”. Dessa forma, de acordo com o anúncio, os sócios do “Grupo Carnavalesco” sairão pelas ruas da cidade acompanhados de cinco carros de “críticas e de honra, os quais decentemente preparados darão a nota mais harmoniosa destes folguedos”.
Dos bailes fechados aos festejos públicos, fica nítido que a paixão dos capixabas pelo carnaval vêm de tempos remotos, de uma época em que não havia a profissionalização dos desfiles e nem grandes aglomerações nas ruas, afinal, a população do Estado era muito pequena e dispersa. Por outro lado, muitas características dos carnavais de antigamente são similares aos de hoje, como a alegria, a criatividade, a irreverência, as brincadeiras de duplo sentido e a tentativa de esquecer, mesmo por um instante, dos problemas do dia a dia.

Herbert Soares

É mestre em História pela Ufes. Neste espaço, a história capixaba é a protagonista, sem deixar de lado as atualidades. Escreve às terças.

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