A história constitui o registro vivo das experiências humanas, conectando o passado às projeções de futuro em uma continuidade temporal na qual as narrativas desempenham papel fundamental ao transformarem legados e ideias em ações concretas. E por que isso é importante?
O Estado do Espírito Santo está geograficamente localizado em uma região central do Brasil, mas possui influências que, em suas marcas, carregam a originalidade de uma cultura impregnada na construção do que a sociedade capixaba e nacional estigmatiza como características de um povo.
Para abordar o tema, é importante destacar que, no processo de colonização, a forte influência da Igreja Católica designou ao Brasil a Ordem dos Jesuítas, com a missão de catequizar um povo visto como indomável e incapaz de narrar sua própria história e cultura.
Além disso, a visão eurocentrista medieval influenciava os reinos católicos a pensar em ampliar seu espaço de dominação, haja vista que, em 1500, a Europa vivia uma revolta protestante e havia a necessidade real de ampliar seu território de domínio pelo mundo ainda desconhecido.
Contudo, a era das trevas e a posterior ascensão do Iluminismo já prenunciavam o que as Américas — ainda não descobertas por Cristóvão Colombo — seriam capazes de representar na transformação das grandes navegações e, por consequência, no que viria a ser o mundo moderno de 2025.
O Espírito Santo foi governado por Vasco Fernandes Coutinho no período colonial e, durante a Primeira República, por Alfredo Chaves e Jerônimo Monteiro. No contexto do governo de Monteiro, faz-se necessário um recorte analítico para destacar que foi durante sua gestão — impulsionada por uma ampla expansão da malha ferroviária voltada ao escoamento da produção cafeeira — que o Estado consolidou sua posição como o segundo maior produtor de café do Brasil, atrás apenas de Minas Gerais, conforme registros da APES (Arquivo Público do Espírito Santo).
Ao analisar a história do Estado, é importante destacar que vários governadores pertenciam ao clã Monteiro — fossem cunhados, primos ou outros membros da família —, o que é extremamente curioso.
Na expansão do Palácio do Governo, a antiga igreja e o colégio jesuíta foram vendidos ao Estado pelo Bispado de Dom Fernando de Sousa Monteiro, irmão do governador e bispo da Diocese do Espírito Santo à época, o que facilitou a aquisição da igreja e do colégio, segundo a historiadora Maria Stella de Novaes.
O Estado viveu, junto ao Brasil, um período da Era Vargas e do governo militar em que uma robusta infraestrutura era o foco central de governança e desenvolvimento, mas ainda precisava de melhor administração e governabilidade no que tange às modernizações pelas quais o mundo passava naquele momento.
E foi após 1985, no período da redemocratização do Brasil, que o Espírito Santo iniciou uma mudança institucional, de transparência, governabilidade e transição para o mundo moderno.
Entretanto, passados 485 anos de história, foi após a eleição de Paulo Hartung, em 2002, que o Estado passou por um movimento desenvolvimentista, pensando um Estado para o futuro e concebendo um ecossistema de transparência e previsibilidade de que o Espírito Santo precisava e merecia.
Ao longo de 23 anos, em uma dobradinha entre Paulo Hartung e Renato Casagrande, o Estado experimentou seu maior crescimento econômico e financeiro, com políticas e programas de Estado pensados a longo prazo.
Os desafios eram enormes: acabar com o coronelismo disfarçado de governo, combater a corrupção e conter os crimes de colarinho branco. O Espírito Santo virou referência nacional, mostrando como uma gestão técnica e econômica é capaz de transformar o rumo de um Estado feito para dar certo.
Demograficamente, a vocação para escoar a mineração, transformar a siderurgia, produzir e destinar café ao mundo, além de extrair petróleo, foi o mecanismo de rentabilidade econômica para um Estado pequeno e de baixa densidade populacional. Isso fez a diferença no que o capixaba é bom em fazer: gestão estratégica, transparência e inovação, com foco no futuro do Estado.
Ao olhar para o retrovisor da história, o Espírito Santo mostra que nenhum estado cresce por acaso. Cresce quando aprende com os próprios erros, rompe com velhos vícios e troca o improviso pela gestão. No fim, o legado capixaba deixa uma lição clara: governo só tem valor quando se transforma em resultado.