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Arlindo Villaschi

Bolsonaro e Haddad não divergem de tudo

Quem mais se beneficiou e tira proveito da crise são especuladores sempre à busca de lucro extra sem riscos

Publicado em 11 de Outubro de 2018 às 19:52

Públicado em 

11 out 2018 às 19:52
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

arlindo.villaschi@gmail.com

Prédio da Petrobras, no Rio de Janeiro Crédito: Divulgação
O segundo turno das eleições presidenciais em 2018 traz uma novidade: a clareza como Haddad e Bolsonaro se colocam diante de temas nem sempre objeto de disputa explícita em campanhas passadas. As duas candidaturas têm visões totalmente distintas nos campos das relações internacionais; da forma como o país deve construir-se enquanto nação soberana externamente e inclusiva internamente; na maneira como veem o papel do mercado no funcionamento da economia.
Por um lado, a candidatura de Haddad entende que mercado livre é uma abstração teórica e que deve sim ser objeto de regulação. Por outro, o economista guru de Bolsonaro é defensor da total liberdade de mercado como forma de gerar prosperidade.
Haddad defende política econômica que proporcione melhores condições de competir a micro, pequenas e médias empresas através de crédito, financiamento e incentivo à demanda. O guru Paulo Guedes faz a apologia dos interesses do mercado financeiro autorregulado como instrumento único de crescimento econômico.
A dita geração de crescimento a partir da liberdade total de atuação do mercado financeiro carece de evidências no mundo
A autorregulação do mercado financeiro é comprovadamente um fiasco como visto na crise mundial de 2007. Fiasco que gerou desemprego, fechamento de micro, pequenas e médias empresas mundo afora. Desalento que foi menor em países como o Brasil onde funcionaram mecanismos de indução ao crescimento.
De uma maneira geral, quem mais se beneficiou e continua tirando proveito da crise são especuladores sempre à busca de lucro extra sem riscos. Oportunidades que encontram em privatizações – e consequente internacionalização – de empresas estratégicas. Estratégicas por explorarem recursos naturais – como a Petrobras; por terem se capacitado tecnologicamente para contribuírem para o desenvolvimento nacional – como a Embrapa; a Embraer; a Fundação Oswaldo Cruz.
A dita geração de crescimento a partir da liberdade total de atuação do mercado financeiro carece de evidências no mundo. Países se desenvolveram e sustentam seu crescimento com políticas econômicas patrocinadas por seus governos. Os exemplos aí estão nos Estados Unidos, na Europa, na Ásia. No Brasil, eles são encontrados em projetos bem-sucedidos nos governos Vargas, JK, Geisel e Lula.
O sucesso mundialmente reconhecido de iniciativas como Petrobras, Embrapa, Embraer, Fiocruz, BNDES precisa ser explicitado. Confundir desvios de gestão que precisam se apurados e punidos com a necessidade de transferi-las para o mercado da especulação é o mesmo que jogar a criança fora e manter a bacia com água suja.

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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