
Gutman Uchôa de Mendonça*
O que é razoavelmente decente no Brasil? Nada. Mas nada mesmo? Nada mesmo! Como sou ateu, devidamente registrado, não tenho para quem apelar para que salve o Brasil desse processo imoral que enfrentamos, com as trapalhadas da justiça, das camadas políticas e dos erros de grande parcela da sociedade. As estatísticas oficiais dizem que o Brasil possui 72% de sua população formada por analfabetos funcionais. Sabem ler, mas não sabem transmitir o que leram.
Na sua edição de 2 de julho, o “Estado de S. Paulo”, um dos mais importantes jornais do país, numa reportagem sobre energia, informou na editoria de economia e negócios que “o governo federal assumiu as distribuidoras de energia de forma temporária em 1977, com o compromisso de vendê-las em leilão de privatização, marcado para o dia 26 de julho em curso, mas pendências na Justiça e no Congresso podem adiar os planos da União”.
Em 20 anos, as subsidiárias da Eletrobras acumulam prejuízos de R$ 22 bilhões. Há duas semanas, o ministro do Supremo Tribunal de Justiça, Ricardo Lewandowski retirou a distribuidora de Alagoas (Ceal) da disputa até que o Estado e governo federal se entendam sobre o ressarcimento que o governo daquele Estado diz ter direito a receber. No Congresso, ainda é preciso votar o projeto de lei que resolve pendências das distribuidoras no Norte, principalmente a Amazonas Energia.
Um dos processos que inibem o desenvolvimento do Estado é o custo exorbitante da energia. Tudo no Brasil custa o dobro do valor dos produtos iguais ou semelhantes de outros países
O Brasil tem o custo de energia mais caro do mundo. Nenhum país que deseja se desenvolver pode bancar um preço de energia equivalente ao vendido no Brasil. Para se ter uma ideia, o Espírito Santo tem a energia mais cara do mundo, e a cidade de Colatina tem a energia mais cara do Brasil.
O governo (todos eles) não pode ser dono de bancos, energia e fábricas diversas simplesmente pela falta de competência para administrar.
Um dos processos que inibem o desenvolvimento do Estado é o custo exorbitante da energia. Tudo no Brasil custa o dobro do valor dos produtos iguais ou semelhantes de outros países.
Ladrões quase levaram a Petrobras à extinção. O Brasil tem os negócios mais absurdos do mundo, como os cartórios, o sistema bancário e a intromissão nos negócios econômicos, que permitem uma ladroeira sem fim. Quem vai dar jeito no Brasil?
*O autor é jornalista