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Decisão

Anac suspende quatro empresas de voos panorâmicos do RJ após acidentes

Em oito meses, houve três acidentes com helicópteros na cidade, com 13 mortes

Publicado em 18 de Agosto de 2026 às 17:36

Agência FolhaPress

Publicado em 

18 ago 2026 às 17:36
Bombeiros atuam no controle do incêndio no local em que um helicóptero caiu na zona sul do Rio de Janeiro
Bombeiros atuam no controle do incêndio no local em que um helicóptero caiu na zona sul do Rio de Janeiro Corpo de Bombeiros RJ
A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) suspendeu nesta terça-feira (18) quatro empresas que faziam serviço de voos panorâmicos no Rio de Janeiro. Em oito meses, houve três acidentes com helicópteros na cidade, com 13 mortes.
Foram suspensas a VRP, Broad Fly, Nobre Turismo e Mr. Top Fly. A medida se estende à operação de nove helicópteros ligados às empresas. A reportagem ligou para os escritórios e mandou mensagem para os sócios que constam nos respectivos CNPJs, mas não houve resposta até o horário de publicação.
A VRP era a responsável pelo voo perto do Cristo Redentor contratado por uma família colombiana em 8 de agosto. A aeronave caiu na mata próxima à Vista Chinesa. Três membros da família, além do piloto da aeronave, morreram na queda.
Em junho, a colisão de dois helicópteros levou à morte de seis pessoas na Barra da Tijuca. Entre as vítimas estavam o cantor americano Oliver Tree, em turnê internacional, artistas e influenciadores estrangeiros, além de dois pilotos experientes. As aeronaves faziam o serviço de transporte de passageiros para outras cidades do estado.
Em janeiro, um helicóptero caiu em Guaratiba, zona oeste, e deixou três pessoas mortas, incluindo o piloto. O voo era de instrução (atividade de treinamento acompanhada).
Todas as empresas suspensas estavam inicialmente autorizadas a funcionar, mas foram identificados indícios de irregularidade em dados como o tempo de voo.
"Havia aeronave que voava 30 minutos por dia e dizia voar dez minutos, e a manutenção é feita pelo tempo de voo", afirmou o diretor-presidente da Anac, Tiago Chagas Faierstein, durante entrevista coletiva com o prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) no Rio de Janeiro.
A agência não detalhou o que levou à suspensão em cada uma das empresas.
A capital fluminense tinha até a segunda-feira (17) um total de 12 empresas autorizadas a fazer o serviço de voos panorâmicos, procurado majoritariamente por turistas. Somadas, as companhias possuíam 46 aeronaves para a atividade.
Regras nacionais serão revisadas
A Anac anunciou que vai revisar até o fim do ano as regras sobre voos panorâmicos no país. Uma portaria de 2020 estabelece critérios de certificação e regras de operação deste tipo de serviço aéreo.
"O objetivo de revisarmos é tornar essa atividade mais segura com participação social com consulta pública, de maneira que a gente valorize as empresas corretas e combata aquelas que fazem voos burlando algum tipo de regulamento", afirmou Faierstein.
Segundo ele, o setor de táxi aéreo também deve passar por fiscalização e revisão.
Cavaliere disse que pessoas que contratam o serviço de voo panorâmico devem fiscalizar se as empresas são autorizadas. "Fazer um voo panorâmico de helicóptero não é como pegar um táxi saindo do aeroporto. É importante por quem contrata o serviço checar se a empresa tem autorização", afirmou.
Anac e Prefeitura do Rio também rescindiram com cinco empresas os termos de compromisso para uso do heliponto da Lagoa, na zona sul da cidade.
Uma fiscalização indicou que as companhias burlavam a regra que determina que o helicóptero deve retornar ao mesmo ponto que decolou, e usavam o heliponto como desembarque de passageiros.
Turismo e operação petrolífera impulsionam voos no RJ
O Rio de Janeiro concentrou 64% dos acidentes e incidentes envolvendo helicópteros no Brasil em 2025 e 2026, segundo dados do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos). O número não engloba apenas voos panorâmicos.
No recorte entre janeiro de 2025 e junho de 2026, das 317 ocorrências registradas no país, 204 aconteceram no estado, sendo 62 delas este ano.
A operação petrolífera na costa do Rio de Janeiro e a demanda de turismo impulsionam o tráfego aéreo por helicópteros no estado. Foram 81 mil movimentações em 11 aeródromos entre janeiro e maio deste ano.
O tráfego tem crescido no Brasil e atingiu nos primeiros cinco meses deste ano 160 mil pousos e decolagens com aeronaves do gênero, 3,7% a mais do que no mesmo período do ano passado. Trata-se de uma alta que consolida a tendência observada ao menos desde 2021, quando houve 104 mil registros.

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