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STF

'Cargo não confere privilégio, mas impõe limite', diz Fachin após relatório da PF sobre Moraes

Discurso foi proferido no STF um dia depois de divulgação de mensagens de Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes

Publicado em 02 de Setembro de 2026 às 12:49

Estadão Conteúdo

Publicado em 

02 set 2026 às 12:49

BRASÍLIA - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, disse nesta quarta-feira (2), que o cargo de ministro "não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades, que devem ser observados com absoluto respeito à Constituição, às leis e ao STF". O breve discurso foi proferido um dia depois da revelação pelo Estadão de mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, a Alexandre de Moraes.

Fachin prometeu tomar providências — mas não especificou quais nem quando. "Nos próximos dias, concluída a análise necessária dos fatos e observados os procedimentos institucionais pertinentes, esta Presidência anunciará, no tempo devido e sem precipitação, as medidas que cabíveis e necessárias", disse.

O presidente também fez um apelo: "Em momentos de especial gravidade, é dever de todos preservar a integridade do Supremo Tribunal Federal, a autoridade de suas decisões, o respeito às suas normas e, acima de tudo, a confiança da sociedade na instituição".

Edson Fachin TSE
Edson Fachin, ministro do STF Antonio Augusto/TSE

Ainda segundo Fachin, "os indícios reclamam o devido encaminhamento institucional. Circunstâncias relacionadas, de um lado, à atuação processual e, de outro, a sérios elementos de fatos que exigem desta Presidência serenidade, responsabilidade e firmeza".

O discurso foi proferido durante a Jornada Ítalo-Hispano-Brasileira de Direito Constitucional, evento que ocorre no STF. Em nenhum momento Fachin disse o nome de Moraes.

Informações divulgadas pelo Estadão nesta terça-feira, 1º, a partir de relatório da Polícia Federal, indicam que Vorcaro mantinha conversas com o ministro Alexandre de Moraes. O relator do caso, ministro André Mendonça, retirou o sigilo do documento horas depois.

Em aparelhos obtidos pela corporação na Operação Compliance Zero, tanto do banqueiro quanto de pessoas próximas a ele, foram encontradas mensagens do dono do Banco Master ao magistrando. Nelas, ele pediu auxílio e orientações sobre as investigações relacionadas à instituição.

Também aparecem conversas com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, intermediadas por um advogado.

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