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Embate no STF

Moraes pede a Fachin investigação de Mendonça por abuso de autoridade

Ministro deu decisão no inquérito das fake news e disse que colega agiu por motivos pessoais e políticos; Moraes afirma que Mendonça agiu para direcionar a investigação dos casos Master e INSS

Publicado em 03 de Setembro de 2026 às 21:08

Agência FolhaPress

Publicado em 

03 set 2026 às 21:08

BRASÍLIA - O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), pediu que o ministro André Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso Master e INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).


A decisão foi tomada no âmbito do inquérito das fake news. Moraes afirma que Mendonça agiu para direcionar as investigações, "com quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos".

André Mendonça e Alexandre de Moraes, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF)
André Mendonça e Alexandre de Moraes, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Gustavo Moreno/STF

De acordo com Moraes, o colega conduziu irregularmente tratativas de delações premiadas e direcionou determinados alvos para a investigação "por motivos pessoais e políticos, inclusive com a indicação prévia de medidas cautelares" a serem apresentadas pela PF (Polícia Federal).


Esses alvos seriam o próprio Moraes e o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP).


A medida é tomada por Moraes dois dias depois de Mendonça retirar o sigilo de um relatório da PF que aponta Moraes como o interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Na decisão, Mendonça sinalizou que levará ao plenário a possibilidade de investigar o colega.


Fachin decidiu abrir um procedimento para esclarecer as nulidades alegadas pela PGR (Procuradoria-Geral da República), solicitando a todos os envolvidos, inclusive a Moraes e Mendonça, manifestações em até cinco dias úteis.


Segundo Moraes, há por parte de Mendonça "indícios crescentes de enviesamento da condução da supervisão judicial, manifestados em direcionamento temático de intensidade progressiva quanto à linha investigativa determinada", além de "quebra da cadeia de custódia das provas apreendidas".


Moraes afirmou que, no curso da investigação, Mendonça ameaçou afastar do cargo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet — este último por "proximidade com o ministro Gilmar Mendes que o tornaria indigno de confiança".


Para justificar a decisão no âmbito do inquérito das fake news, Moraes diz que constatou "a existência de notícias fraudulentas, denunciações caluniosas, ameaças e infrações que atingem a honorabilidade e a segurança do Supremo, de seus membros e familiares".

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