Pessoas desabrigadas, ruas alagadas, engarrafamentos, riscos de desabamento, aulas suspensas, bebês transferidos de hospital inundado, caos no trânsito. Por que cargas d’água, entra ano e sai ano, a situação não muda? Os relatos dos transtornos causados pelas chuvas chegam de todo o Espírito Santo, por meio das mídias sociais e das equipes de reportagem da Rede Gazeta, que está nas ruas desde os primeiros pingos. A sensação, diante de tantos estragos e prejuízos, é de abandono, de descaso e negligência das autoridades.
Chuva no Brasil, nesta época do ano, não é nenhuma novidade. Infelizmente, os problemas que vêm com ela também são velhos conhecidos. As ruas e bairros alagados são quase sempre os mesmos, os entraves à mobilidade também. Os mandatos passam, as administrações se alteram, e as deficiências de macrodrenagem e infraestrutura no Estado permanecem submersas na burocracia.
A Defesa Civil está nas ruas, o Exército também. Mas essas são frentes que atuam, principalmente, depois que os danos foram feitos. Do que o comerciante Roger Dias Bicalho precisa é de ação preventiva, planejamento, investimento continuado. Morador de Jardim América, em Cariacica, há 35 anos, ele afirma que “todo ano é mesma coisa”.
Desde que as chuvas começaram nesta semana, a população enfrentou uma série de apertos que poderiam ter sido, se não resolvidos, pelo menos amenizados de imediato. Na noite de quinta-feira (8), quando uma multidão demorou horas para chegar em segurança em casa, enfrentando alagamentos e engarrafamentos, onde estavam as guardas municipais? Por que não houve um esforço conjunto para reorganizar o trânsito, sinalizar desvios, ordenar o fluxo?
Onde estavam os gerentes dos sistemas de transporte coletivo estadual e municipal quando permitiram que passageiros de ônibus fossem abandonados nos pontos, ao ponto de correrem risco e atravessarem os mais de três quilômetros da Terceira Ponte a pé? Por que não alteraram linhas, estenderam horários de escalas de motoristas e cobradores? Apenas no dia seguinte é que atinaram para o óbvio.
Como bem define o leitor Paulo Henrique, na seção Fala, Leitor!, “a chuva vem de cima, mas as responsabilidades são de quem está aqui embaixo”.