O fenômeno climático El Niño está plenamente estabelecido e já influencia as condições meteorológicas no Espírito Santo. Com a presença instituída, a previsão é que nos próximos meses o estado sinta o impacto cada vez mais intenso do fenômeno natural.
A informação consta no 6º Boletim de Monitoramento do El Niño, divulgado nesta terça-feira (25) pelo Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) El Niño. Apesar das projeções, os analistas reforçam que a intensidade e a distribuição dos efeitos do fenômeno podem variar.
Isso porque as condições climáticas também são influenciadas por outros fatores, que podem surgir neste segundo semestre.
O que é El Niño?
O El Niño ocorre quando há um aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica global, modificando o regime de chuvas em vários continentes.
Seca permanece moderada
No boletim anterior, publicado em 18 de agosto, a classificação da seca no Espírito Santo havia passado de fraca para moderada. No documento desta semana, não houve mudança. Segundo a análise, apesar da expectativa de agravamento das condições de seca, até o momento não há municípios classificados nas categorias grave, extrema ou excepcional.
Os efeitos da estiagem também são percebidos nas principais bacias hidrográficas monitoradas. Segundo o CICC, as vazões apresentaram redução em relação à semana anterior. A queda média foi de 11% nos rios Doce, Guandu e Jucu e de 25% nos rios Santa Maria da Vitória, Benevente, Itapemirim e Itabapoana.
Em sentido contrário, o Rio São Mateus registrou aumento de 24%. Já o Rio Santa Joana permanece em situação crítica, com vazão aproximada de 8 litros por segundo próximo à foz.
Como há previsão de chuva para os próximos dias, o boletim aponta a possibilidade de elevação temporária das vazões de algumas bacias, especialmente entre os dias 27 e 28 de agosto. Depois, a tendência é de nova redução gradual.
Segundo o boletim, entre 1º e 23 de agosto, período em que o El Niño ainda estava chegando em terras capixabas, as chuvas ocorreram com diferença significativa entre as regiões.
Nas regiões Norte, Noroeste e Oeste, os volumes foram predominantemente inferiores a 10 milímetros. Também foram registrados longos períodos sem chuva significativa. No Norte, Noroeste e Centro do Estado, a sequência variou de 18 a 23 dias.
O período é quase o mesmo enfrentado no cenário estadual, que registrou de 20 a 23 dias secos em agosto até o momento. Já no Sul, na Região Serrana e na faixa litorânea, os acumulados ficaram entre 30 e 50 milímetros, com pontos isolados superiores a 100 milímetros no Litoral Sul.
As temperaturas também apresentaram diferenças entre as regiões. No Norte e Noroeste, as máximas médias ficaram entre 30 °C e 32 °C, chegando a variar de 32 °C a 34 °C em áreas do interior. Já nas regiões Serrana e Centro-Sul e no litoral, as máximas ficaram entre 24 °C e 28 °C.
Focos de calor aumentam no inverno
Os focos de calor também exigem atenção, com crescimento expressivo das ocorrências durante o inverno. Considerando todos os satélites ativos, entre 17 e 23 de agosto foram identificados 264 focos de calor no Espírito Santo, de acordo com o boletim.
As maiores concentrações ocorreram no Centro-Norte e na região do Caparaó/Sul. Linhares registrou 21 ocorrências, seguido por Mantenópolis, com 20; Iúna, com 18; Sooretama, com 15; Pinheiros, com 14; e Ibiraçu, com 10.
As projeções do CEMADEN indicam aumento gradual das condições meteorológicas favoráveis à propagação do fogo nos próximos dias, com possibilidade de pontos em condição de alerta a partir de 1º de setembro. O cenário de alerta combina temperaturas superiores a 30 °C, umidade relativa do ar inferior a 30% e ventos acima de 15 km/h.
O CICC aconselha a população a economizar água, evitar queimadas e comunicar imediatamente focos de incêndio ao Corpo de Bombeiros, pelo telefone 193. Também é recomendado manter-se hidratado, evitar exposição ao sol nos horários mais quentes e reduzir atividades físicas intensas ao ar livre.