O sobe e desce dos partidos no ranking de filiações fornece um raio-X do cenário político capixaba nestas eleições, mostrando as legendas que mais ganharam e as que mais perderam filiados de 2022 a 2026. A base para esse comparativo são os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
No intervalo entre as duas eleições gerais — presidência, governo do Estado, Senado Federal, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa —, o Podemos foi o partido que mais ganhou adeptos em números absolutos no Espírito Santo, com 7.719 novos filiados. Na outra ponta, o PDT foi o que mais perdeu, após a desfiliação de 2.444 pessoas, seguido do Cidadania, do qual 1.905 membros saíram nos últimos quatro anos.
O cientista político João Victor dos Santos atribui, em boa medida, o crescimento do Podemos à figura do presidente do partido, o deputado federal Gilson Daniel, por toda a articulação que conduz para o fortalecimento da legenda, atuando nos municípios junto a prefeitos e vereadores e marcando presença no governo do Estado.
"A cadeira no Executivo não é dele, mas ele está orbitando o poder. E tem uma atuação municipalista, lembrando muito a [ex-senadora] Rose de Freitas [MDB], levando emendas para o interior. O Podemos não é um partido grande nacionalmente, mas, aqui no Estado, se faz grande por essa atuação", analisa.
O PDT, por sua vez, perdeu um pouco do protagonismo no país, e também no Espírito Santo desde que Sergio Vidigal deixou a Prefeitura da Serra. Tanto que teve dificuldades de articular candidaturas para a Câmara Federal e Serginho Vidigal, filho do ex-prefeito, acabou migrando justamente para o Podemos a fim de viabilizar seu nome para deputado na disputa deste ano.
João Victor observa que o partido está passando por um processo de oxigenação interna, o que sugere o lançamento de novos quadros e lideranças. "A reconstrução é extremamente positiva, mas tem seus desafios como, neste momento, não conseguir montar a chapa para a federal."
O Cidadania também já foi uma força no Espírito Santo, lembra o cientista político. Mesmo sendo um partido menor, em comparação a outras legendas, teve Luciano Rezende comandando a Capital por oito anos e elegeu para o Senado Marcos do Val, que, depois, mudou para o Podemos e, mais recentemente, filiou-se ao Avante.
"O partido vive uma derrocada nos últimos anos e a federação com o PSDB não vingou, nem para um partido nem para outro", observa.
João Victor comenta que, apesar desse perde e ganha, o número total de filiados no Espírito Santo apenas oscilou ao longo de quatro anos, em menos de um ponto percentual, passando de 328.565 para 328.303. Para ele, isso é sinal de estabilidade e que o crescimento e a queda registrados nos partidos refletem migração de filiados entre uma legenda e outra.
"Essa é a dinâmica do poder. O partido que está no governo tende a ter maior apoio e aumentar a sua base", constata.
É nesse contexto que João Victor observa o crescimento do PT, o segundo maior aumento de filiados no Estado, com 4.442 novos integrantes aos quadros do partido. O cientista político credita o desempenho ao fato de Luiz Inácio Lula da Silva ter voltado à presidência do país.
O PL também cresceu nos últimos anos e a leitura possível, segundo João Victor, é que a direita bolsonarista está conseguindo atrair filiados da direita tradicional (acréscimo de 4.329), numa tentativa de se fortalecer para os embates eleitorais ainda polarizados.
O cientista político Antônio Carlos de Medeiros pontua que os partidos precisam da militância dos filiados, mas acredita que, na conjuntura política atual, há outros fatores que determinam a relevância de uma legenda, mais do que o número de integrantes.
"A política está muito regionalizada. Por isso, onde os partidos têm mais prefeitos, especialmente em cidades com mais eleitores, têm mais força. Coincidentemente, é o Podemos que está na frente nesse ponto também", afirma Medeiros, que explica um pouco mais dessa construção partidária na coluna "Como está o barômetro político no ES às vésperas do início da campanha", em A Gazeta.
Na avaliação do cientista político, a filiação é importante para medir o tamanho do partido, mas a legenda que possui base local tem mais poder.
É bom esclarecer que, neste levantamento de quem mais ganhou ou perdeu, não são considerados partidos extintos ou que se fundiram a outros, como o PRD, que é fruto da fusão de PTB e Patriota e, nessa movimentação, ganhou mais de 24 mil filiados.
A análise também levou em consideração os números absolutos porque, percentualmente, poderiam não corresponder adequadamente ao tamanho dos partidos no Espírito Santo. O Unidade Popular (UP), por exemplo, expandiu 660% ao passar de 10 para 76 filiados no período. Foi o maior índice de crescimento, mas se trata de uma sigla ainda pequena no Estado.
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