A GWM, gigante chinesa da indústria automobilística, está correndo para acelerar o início da operação da fábrica projetada para Aracruz, Norte do Espírito Santo. Em princípio, a previsão era que o primeiro carro saísse da linha no começo de 2029, os chineses, no entanto, já decidiram que querem trazer isso para 2028. Se possível para o primeiro semestre. Eles estão de olho na expansão dos mercados brasileiro e da América Latina. No Brasil, a GWM deve vender 100 mil carros em 2026, só que, desde o mês passado, a tarifa para a entrada de carros importados está em 35%. Assim, para a GWM seguir competitiva, a fábrica de Aracruz, projeto orçado em algo perto de US$ 1 bilhão (isso pode aumentar) tem que sair o quanto antes.
O conglomerado trabalha para que as licenças autorizando o início das obras estejam disponíveis dentro de 60 dias. Em paralelo, o projeto do parque fabril está sendo refinado (para ser mais eficiente e sair mais rápido) e foi montada uma espécie de força-tarefa para tratar de um dos maiores desafios do projeto: a qualificação da mão. A coisa fica um pouco mais embaraçada se lembrarmos que o Espírito Santo não tem tanta tradição na indústria automobilística (a Marcopolo, em São Mateus, começou a operar em 2014), que a demanda será alta (previsão de 10 mil empregos diretos na operação plena, sem contar as fornecedoras que virão) e que, como o projeto está sendo acelerado, o tempo de preparação será reduzido em alguns meses. Ou seja, há desafios extras pela reta.
Na fase inicial, que eles querem trazer para 2028, devem ser entre 2 mil e 3 mil postos de trabalho. "Já há um trabalho em andamento envolvendo, claro, a GWM, o governo do Estado, a Findes (Federação das Indústrias do Espírito Santo), prefeitura e outras instituições. Sabemos que o desafio é grande, ainda mais com a antecipação. Vamos trabalhar em conjunto para qualificar os trabalhadores no volume necessário", disse Ricardo Bastos, diretor de Assuntos Institucionais e Governamentais da GWM Brasil.
A região de Aracruz já reúne muitas fábricas e, agora em 2027, passará a contar com um porto a mais, o da Imetame. Portanto, a pressão por mais mão de obra qualificada, em momento de pleno emprego, está vindo de todos os lados. Toda aquela região precisa e precisará de uma atenção especial por parte de governos, federações e instituições de ensino.
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