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Abdo Filho

Crise na Apex: endividamento bancário está entre as maiores preocupações

O débito com bancos levantado até agora é de R$ 201,7 milhões. São recursos emprestados por Sicoob, BTG Pactual e Banco Daycoval e que têm o aval dos sócios

Publicado em 10 de Agosto de 2026 às 03:00

Públicado em 

10 ago 2026 às 03:00
Abdo Filho

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Abdo Filho Abdo Filho

afilho@redegazeta.com.br

Sede da Apex Empresarial
Sede da Apex Partners, em Vitória Ricardo Medeiros

Não são poucas as preocupações dos sócios da Apex Partners, plataforma capixaba de investimentos que mergulhou em uma grave crise. Entre as maiores está o endividamento bancário com aval, ou seja, com avalista. O débito com bancos levantado até agora, antes da auditoria externa, é de R$ 201,7 milhões. São recursos emprestados por Sicoob, BTG Pactual e Banco Daycoval. As informações estão na ação apresentada pelos advogados da Apex à Vara de Recuperação Judicial e Falência. Na última sexta-feira, a plataforma conseguiu uma tutela cautelar antecedente, um mecanismo jurídico que blinda, por 60 dias, os ativos da empresa de serem arrestados, liquidados, executados e etc. Entre os argumentos apresentados pelos advogados dos sócios da Apex, está a questão bancária.

"Parte relevante do endividamento bancário está garantida por aval dos sócios capitalistas e de pessoas físicas. A execução simultânea desses avais retiraria da mesa, de uma só vez, tanto a capacidade de aporte dos acionistas quanto a estabilidade pessoal dos administradores de transição encarregados de conduzir a reorganização", pontuam os advogados da Apex na petição feita, na sexta passada, ao Judiciário.

A garantia pessoal dada nos empréstimos bancários, o chamado aval, não tem o benefício da recuperação judicial. Eventuais suspensões, moratórias e reparcelamentos beneficiam a empresa que tomou o valor, não o garantidor, que pode ser executado de imediato.

O passivo total contabilizado, antes da auditoria externa, sempre bom ressalvar, é de R$ 985,6 milhões. Além do débito bancário de mais de R$ 200 milhões com aval dos sócios, são R$ 452,1 milhões em debêntures, que também são um ponto sensível. "As séries de debêntures que compõem o passivo do grupo — emitidas por intermédio da Rhino Securitizadora e cujos recursos foram captados no mercado — contam com cláusulas de vencimento antecipado automático e não automático, além de disposições de cross-default e cross-acceleration que vinculam entre si as diversas emissões e os contratos bancários. A dinâmica jurídica desse passivo é conhecida: declarado o vencimento antecipado de uma série pelo agente fiduciário, ou deliberado esse vencimento em assembleia geral de debenturistas, a aceleração se propaga por contágio contratual a todas as demais obrigações, transformando um passivo de médio prazo, negociável e reestruturável, em dívida integralmente vencida e exigível em questão de dias", avisaram os advogados da Apex na ação da última sexta-feira.

A crise na plataforma de investimentos foi deflagrada a partir de uma investigação interna que identificou "inconsistências financeiras". Na quinta-feira (06), Fernando Cinelli, que era o CEO, foi afastado do comando da empresa e Eduardo Siqueira saiu da diretoria Financeira.

Procurado pela coluna, Cinelli enviou a seguinte nota: "o empresário Fernando Antonio Kulnig Cinelli, fundador da Apex Partners, está dedicado e comprometido a contribuir da melhor forma para a preservação da companhia, seus investidores e acionistas. Com o gesto, ele demonstra sua disposição em esclarecer todas as questões levantadas com total transparência e idoneidade".

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Abdo Filho

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Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2005, como estagiario de Entretenimento e Cursos & Concursos. Entre 2007 e 2015, foi reporter da CBN Vitoria e da editoria de Economia do jornal A Gazeta. Depois, assumiu o cargo de macroeditor de Politica, Economia e Brasil & Mundo, ja no processo de integracao de todas as redacoes da empresa. Em 2017, tornou-se Editor de Producao e, em 2019, Editor-executivo.

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