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Justiça

A virada silenciosa no Direito do Trabalho em 2026

O empresário que atravessa este ano com mais segurança é aquele que abandona soluções prontas, revisa suas estruturas com honestidade intelectual e trata o Direito do Trabalho como parte da estratégia empresarial
Alberto Nemer Neto

Publicado em 

13 jan 2026 às 04:00

Publicado em 13 de Janeiro de 2026 às 07:00

O Direito do Trabalho brasileiro entrou em 2026 sem alarde. Não houve reforma legislativa, não houve ruptura institucional, tampouco anúncios de mudança radical. Ainda assim, afirmar que “nada mudou” é um erro de leitura que pode custar caro ao empresário. A transformação em curso é silenciosa, mas real, e está ocorrendo onde muitos ainda insistem em não olhar: na interpretação judicial e na forma como os riscos trabalhistas vêm sendo reconstruídos na prática.
Durante anos, a reforma trabalhista produziu uma sensação legítima de maior previsibilidade. A ampliação da terceirização, a flexibilização contratual e a valorização da autonomia privada criaram no empresariado a percepção de que o ambiente estava mais controlável.
O problema é que essa leitura parou no tempo. O Judiciário não abandonou a reforma, mas passou a filtrá-la. Conceitos clássicos estão sendo reinterpretados, a análise deixou de ser exclusivamente formal e passou a exigir coerência entre o desenho jurídico e a realidade operacional. Em 2026, contrato “bonito no papel” já não é sinônimo de contrato seguro.
O risco trabalhista, hoje, não se limita à discussão sobre vínculo direto. Ele se espalha pela cadeia produtiva, pela atuação de prestadores de serviços, pela conduta de gestores intermediários e, principalmente, pela distância entre aquilo que a empresa planeja e aquilo que efetivamente acontece no dia a dia.
Terceirização e pejotização continuam juridicamente possíveis, mas deixaram de ser soluções automáticas. Estruturas genéricas, copiadas de outros negócios ou montadas sem compreensão profunda da operação passaram a representar risco desnecessário. Na maioria dos casos, o problema não está na tese jurídica adotada, mas na forma simplista com que ela é executada.
Outro erro recorrente do empresariado é acreditar que o passivo trabalhista nasce no processo judicial. Não nasce. O processo é apenas o ponto final. O passivo costuma ser construído muito antes, em decisões aparentemente banais: na contratação apressada, na ausência de políticas internas claras, na fragilidade do controle de jornada, na delegação de poder sem treinamento adequado ou na falta de alinhamento entre liderança e compliance. Empresas que chegam a 2026 com alto volume de ações trabalhistas raramente têm um problema de advogado; têm um problema de gestão com reflexos jurídicos.
Justiça do Trabalho
Justiça do Trabalho Crédito: Divulgação
É por isso que falar em reposicionamento não é exagero retórico. Em 2026, compliance trabalhista não é burocracia e prevenção não é custo improdutivo. São instrumentos de proteção do negócio. O empresário que atravessa este ano com mais segurança é aquele que abandona soluções prontas, revisa suas estruturas com honestidade intelectual e trata o Direito do Trabalho como parte da estratégia empresarial — e não como um mal necessário a ser enfrentado apenas quando surge o problema.
A virada silenciosa já aconteceu. O que ainda está em aberto é se o empresário médio irá percebê-la agora, com tempo para ajustar o rumo, ou apenas quando o risco já tiver se transformado em passivo.
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