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Eleições 2022

Voto não deve ser encarado como obrigação: é uma conquista histórica

As eleições são a oportunidade de tentarmos definir os rumos do país para os próximos anos. Se queremos um país que priorize a educação ou respeite as liberdades, por exemplo, dependemos das decisões políticas, já que vivemos sob o império da legalidade

Publicado em 30 de Setembro de 2022 às 00:10

Públicado em 

30 set 2022 às 00:10
Caio Neri

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Caio Neri

caioneri@mpf.mp.br

Apesar de hoje para muitos o voto ser encarado como uma obrigação, trata-se, na verdade, de uma importante conquista histórica do povo brasileiro. Antes de 1822 estávamos submetidos ao ímpeto colonialista. Após a Independência do Brasil, o direito ao voto permaneceu bastante restrito a uma elite e o poder do monarca era absoluto.
Aos poucos, passadas algumas dezenas de anos, o sufrágio foi assegurado aos analfabetos e mulheres, por exemplo. Ultrapassamos períodos em que não podíamos escolher nossos representantes políticos, por isso, ao votar no domingo, importante ter a consciência da conquista histórica que é tal momento.
Ao longo dos anos, para resguardar a higidez dos resultados e proteger a escolha individual do eleitor, surgiram as cabines reservadas de votação, e o voto impresso passou a se dar por cédulas unificadas nacionalmente, já que, antes disso, muitas vezes o eleitor já chegava com cédulas preenchidas, o que propiciava fraudes.
Por falar em combate às fraudes, grande avanço ocorreu em 1996 quando as urnas eletrônicas começaram a ser testadas, e, após aprovadas, foram ampliadas para todas as seções eleitorais do país. As urnas eletrônicas são fundamentais ao processo democrático brasileiro, um instrumento seguro e confiável a serviço da democracia.
Totalmente auditáveis e sem nenhum registro de violação de seus diversos mecanismos de segurança, as urnas eletrônicas permitiram a divulgação célere dos resultados e impedem as fraudes de quando a votação era impressa, o que permitia diversas irregularidades, sem contar a demora na conclusão das apurações daquela época.
As eleições são a oportunidade de tentarmos definir os rumos do país para os próximos anos. Se queremos um país que priorize a educação ou respeite as liberdades, por exemplo, dependemos das decisões políticas, já que vivemos sob o império da legalidade.
Assim, também fica claro que não basta escolher apenas o presidente ou o governador, já que as decisões do chefe do Poder Executivo dependem de leis a serem debatidas e aprovadas pelos parlamentares. É fundamental, então, que haja coerência entre os votos para os diversos cargos.
A votação do próximo domingo será mais um capítulo na história democrática do país. Um capítulo extremamente relevante em que os brasileiros decidirão sobre o futuro da democracia e sobre questões sensíveis ao dia a dia de cada um de nós.

Caio Neri

É graduado em Direito pela Ufes e assessor jurídico do Ministério Público Federal (MPF). Questões de cidadania e sociedade têm destaque neste espaco.

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