Não sabemos, exatamente, quando acontecerá, mas os sinais de que o Império Americano caminha célere rumo à sua derrocada já se anunciam e poderemos, muito em breve, mais cedo do que imaginamos, assistir a uma nova configuração do poder entre as nações do mundo moderno.
Quando as estratégias de manutenção do domínio imperial passam a se concentrar exclusivamente na força militar, no poder econômico, na tentativa de expansão territorial e de expropriação de riquezas de outras nações e em ameaças que geram sentimentos de medo significa que o império não tem mais condições de se sustentar em um mundo em que as táticas imperialistas modernas se sofisticaram.
As tecnologias de inteligência algorítmica são um exemplo usado para manter o controle dos povos e de seus governantes, em vez de tecnologias de guerra, ultrapassadas e que já se mostraram ineficientes no passado. Assim como as manifestações de vassalagens explícitas, como vimos acontecer, recentemente, com Maria Corina Machado entregando sua medalha do Prêmio Nobel da Paz a Trump.
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O modelo imperial ressuscitado por Trump está fadado ao fracasso. Baseado na tentativa de desestabilização da confiança mundial nos pressupostos que nos levaram à construção do ideário de um Estado Democrático de Direito e de respeito ao Direito das nações sobre seus territórios e sua soberania, ele não possui os elementos basilares do Estado moderno e o modo como o próprio capitalismo está organizado. Além disso, novos impérios em ascensão, como China, por exemplo, investiram em ciência, educação, saúde, tecnologia e em um modelo político e econômico com maior aderência aos padrões civilizatórios modernos.
Impérios se constituem e impérios caem. A ascensão e a queda dos impérios são um fenômeno histórico digno de ser conhecido e compreendido. A eternidade não é uma condição natural do imperialismo. A história é pródiga de exemplos de como grandes impérios mundiais caíram em declínio e desapareceram ou se mantiveram em lugar secundário, sobrevivendo em outras condições que não a anterior, quando detinham força e poder e eram admirados, invejados ou temidos pelas demais nações.
O certo é que todos os grandes ou importantes impérios mundiais sucumbiram: Império Romano, Império Assírio, Babilônico, Egípcio, Persa, Chinês, Bizantino, Babilônico, Mongol, Otomano, Português, Asteca, Inca, Britânico, Francês, Russo, Japonês e outros de menor importância.
O tempo do Império Americano, no sentido moderno do termo “império”, está terminando, mostrando os primeiros sinais de sua frágil condição de supremacia sobre os demais impérios que se encontram em ascensão, como China, por exemplo.
Trump não é o único responsável pela decorrocada do império americano. Ela vem sendo construída ao longo dos tempos, inclusive por presidentes democratas, que mantiveram o ideal de supremacia americana, mesmo que adotando políticas mais palatáveis e aparentemente respeitosas do Direito Internacional e dos Direitos Humanos.
Ele apenas acelera a queda quando adota uma política agressiva baseada na força e no absurdo como estratégias de poder e de dominação. O presidente americano não se preocupa com o que se convencionou chamar de “posição politicamente correta”. A verdade, a coerência e o bom senso são absolutamente desprezados por Trump.
O desrespeito explícito, o deboche, a ironia, o achincalhe, a arrogância, a intolerância, a ambição desmedida, a ameaça de invasão, de ocupação, a saída dos organismos internacionais, a desconsideração com a ciência, com a cultura, com o Direito, com a política, com as regras básicas de relações internacionais e com a ruptura com os padrões éticos, morais, políticos e civilizatórios são elementos demarcadores desse declínio.
O próprio capitalismo, com sua engenharia de dominação, concentração de riquezas, desprezo pelos corpos, raças, gêneros e classes que considera inferiores, tem regras próprias, ainda que baseadas em uma ética imoral, às quais procura seguir com rigor, sem ultrapassar a exposição explícita de seu desprezo e ridicularização do outro. As máscaras e maquiagens ocultadoras das verdadeiras intencionalidades são ignoradas e desprezadas pelo atual presidente americano, tendo o cinismo como sua opção preferencial.
Ele, o sistema capitalista, tal qual o conhecemos, viola todas as regras de respeito à dignidade humana, mas o faz, ainda, como uma aura de santidade e de interesse público a ser resguardado. Trump, ao contrário, ultrapassa o limite do possível em termos de conseguir a adesão daqueles que subordina, humilha e massacra, estratégia das mais eficazes do capitalismo, qual seja, conseguir a sustentação política para a continuidade de seu projeto expropriador da vida, da saúde e da dignidade.
O mundo como o conhecemos, com o estágio civilizatório que alcançamos, não renunciará aos avanços jurídicos, sociais, políticos e econômicos que caracterizam o Direito Internacional e a busca pela paz.
Não há dúvidas de que mudanças significativas vão acontecer. Talvez, em breve, vejamos um mercado menos dominado pelo dólar e novas configurações no poder mundial. A transição energética necessária, a dependência dos combustíveis fósseis, os riscos ambientais, as mudanças climáticas, a Inteligência Artificial e sua dependência por terras raras influenciarão essa nova configuração.
Ainda não sabemos o mundo que está sendo desenhado, mas uma coisa parece certa: os EUA não serão mais o poderoso império que hoje provoca medo em todas as nações.