Nasci num mês de agosto, há 71 anos, na Serra do Caparaó. Desde menino, ouvia dizer que agosto era mês de desgosto. Meu avô, imigrante italiano que veio menino para cá, desbravou terras, ficou aleijado derrubando matas, dizia sempre: “Cuidado com agosto”.
Não entendia bem o motivo de tanta advertência para o mês em que havia nascido, ganhava os parabéns e uma blusa de lã tricotada por minha mãe no aniversário. Só tinha o direito de escolher a cor. Mais tarde, adulto, fui entender o motivo de preocupação dos mais velhos.
Agosto é o mês mais frio e mais seco do ano, época propensa às doenças pulmonares e às queimadas no pasto. Muitas crianças e idosos morriam em agosto, vítimas de pneumonias e de outras doenças respiratórias.
De junho a setembro, é o período de estiagem em nossa região; pouco chove. É o nosso inverno seco, ao contrário do inverno chuvoso da região norte. Em agosto, o pasto está seco, as árvores perdem as folhas, tudo é propício aos incêndios.
É o período das queimadas que tornam o Brasil uma imensa fogueira de São João, sem batata doce e sem milho verde. As quadrilhas, no entanto, não terminam nunca. Agora, em período eleitoral, se associam para tomar o poder nas eleições.
Hoje, com os silos e capineiras, açudes e barragens, já se pode prevenir, no campo, contra as agruras da estiagem, que tem em agosto seu pior período, mas, mesmo assim, os que plantam café, milho e feijão, os que têm seu gadinho e vivem do leite sofrem para sobreviver com os seus parcos recursos e sem a ajuda de verbas institucionais de apoio, cada vez mais escassas, nesta época de vacas magras. Literalmente.
Mas sempre existe a esperança, o olhar no céu, esperando a nuvem tão ansiada que irá saciar a sede da terra ressequida, e a certeza de que setembro virá trazendo a boa nova ao campo. Em agosto, o homem do campo prepara o terreno, deixa a terra limpa e espera a chuva chegar para plantar na primavera. O problema é quando ela não vem, dizem que por efeito do El Niño.
Neste mês de agosto, enquanto esperamos a primavera, em setembro, e o deflagrar da campanha eleitoral, que nos promete muito bate-boca até outubro, vamos acompanhando as notícias do forte calor e dos incêndios no hemisfério norte; a crise dos imigrantes que invadiram Ceuta, cidade espanhola encravada no Marrocos, desde 1415, quando foi tomada pelos portugueses e, durante a União Ibérica (1580-1640), ficou com a Espanha. Deveria ter sido devolvida há muito tempo, como ocorreu com Tetouán, juntamente com Melilla.
Nos EUA, Trump e seus asseclas continuam atacando o Irã, sufocando Cuba e seus valentes cidadãos, que ainda resistem, e tentando interferir nas eleições brasileiras, para colocar de volta no poder a família de lambe-botas que o idolatra. Vade retro!