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José Carlos Corrêa

Supermercados abertos aos domingos e o consumidor em primeiro lugar

É uma ilusão achar que o fechamento beneficia também os empregados. Esses já sabem que nos outros dias da semana a carga de trabalho aumentou

Publicado em 14 de Agosto de 2026 às 04:15

Públicado em 

14 ago 2026 às 04:15
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa José Carlos Corrêa

jccsvt@terra.com.br

Mais do que a queda no faturamento, o que os supermercados do Espírito Santo deveriam lamentar é o fato de que, com o fechamento compulsório aos domingos, o direito de empreender foi violentado assim como o interesse dos consumidores. 


Antes da esdrúxula convenção coletiva que proibiu, na maioria dos meses do ano, o funcionamento aos domingos, qualquer supermercado poderia abria as portas nos sete dias da semana se assim fosse o seu desejo. Se não quisesse, poderia deixar de funcionar nos domingos, e vários deles agiam assim por decisão própria. 


Estava no controle dos supermercadistas o direito de empreender. Com a convenção, esse direito foi cassado pelos próprios empresários. Em outras palavras, os comerciantes criaram para a sua categoria econômica uma proibição a mais, além das tantas outras impostas pelo amplo controle estatal sobre a economia brasileira. Logo eles que se queixam tanto de outras proibições que inibem a sua atividade econômica.

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O outro grande equívoco foi o de não contemplar o interesse dos consumidores, que são aqueles que botam o dinheiro no cofre das empresas, e são a razão da existência do comércio varejista. O domingo sempre registrou grandes volumes de vendas nos supermercados porque é um dia em que os consumidores têm mais tempo livre para se dedicar às compras. 


Qualquer manual de marketing ensina que, quanto mais tempo o consumidor passa nas áreas de vendas, mais compras ele faz. Com o fechamento dos supermercados aos domingos o consumidor buscou outras alternativas, inclusive transferindo suas compras para outros estabelecimentos. Resultado: enquanto as vendas dos supermercados caíram no Espírito Santo, cresceram as dos açougues, farmácias, padarias e lojas especializadas. 


As justificativas da classe empresarial para proibir o funcionamento dos estabelecimentos aos domingos são frágeis. Dizem que estão tendo dificuldades para contratar funcionários. Mas funcionar em um período menor certamente não acabará com a falta de mão de obra. 


É uma ilusão achar que o fechamento beneficia também os empregados. Esses já sabem que nos outros dias da semana a carga de trabalho aumentou. E que o fechamento aos domingos diminui a oferta de novas vagas na contratação de pessoal.

Supermercados. Divulgação

Além dos comerciantes – que já amargam redução de faturamento no Espírito Santo enquanto a média nacional é de crescimento – quem mais perde com o fechamento dos supermercados aos domingos é o consumidor que tem menos tempo para fazer compras básicas para a sua subsistência. E que passou a gastar mais tempo nas filas dos caixas que aumentaram de forma expressiva nos outros dias da semana. 


No final deste ano, comerciantes e trabalhadores discutirão a renovação da convenção coletiva. É a oportunidade que se apresenta para revogar a proibição, passando a considerar o interesse do cliente em primeiro lugar. E também de devolver ao comerciante o direito de decidir se deve ou não abrir as portas do seu estabelecimento aos domingos. 


Afinal de contas, a legislação é sábia quando admite o funcionamento dos supermercados em qualquer dia e em horários especiais por considerar tal atividade essencial por garantir o abastecimento de itens básicos para a população. 


Se isso for considerado, e o consumidor respeitado, certamente o equívoco da proibição será corrigido e o capixaba voltará a ter o direito de fazer as suas compras aos domingos como ocorre no restante do país.

José Carlos Corrêa

José Carlos Corrêa José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço

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