Sair
Assine
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Desafios para o país

Indústria brasileira sofre nova queda em ranking mundial.  Precisamos reagir

Parece pouco, mas fomos ultrapassados pela Turquia e caímos para a 15ª posição no ranking – nos anos 90 estávamos em 10° lugar

Publicado em 23 de Outubro de 2022 às 01:00

Públicado em 

23 out 2022 às 01:00
Léo de Castro

Colunista

Léo de Castro

leocastro@fibrasa.com.br

Trabalhador
Precisamos com urgência de uma política industrial moderna Crédito: Pixabay
Estamos a uma semana do segundo turno das eleições e até o momento parece que temos ouvido mais ataques do que propostas na disputa presidencial. Vemos mais prestações de contas de realizações passadas, de um e de outro candidato, do que projetos estratégicos para o futuro, para o Brasil voltar a uma trajetória de crescimento sustentado.
Passado o pleito, precisaremos enfrentar a realidade de que há 40 anos o país cresce aquém de seu potencial e de suas necessidades, com gradativa perda de competitividade da indústria impactando em toda a economia. Como sabemos, a indústria funciona como o motor que move os demais setores, impulsionando o comércio, serviços, agronegócio, desenvolvimento tecnológico e inovação.
Para reverter esse cenário, precisamos com urgência de uma política industrial moderna, a exemplo do que têm feito as economias desenvolvidas, com redução acelerada do Custo Brasil, evolução nos acordos comerciais e uma agenda ousada para melhorar a produtividade do país.
Nações como Estados Unidos, China e Alemanha têm adotado uma política industrial contemporânea, não baseada em uma visão ultrapassada de subsídios concedidos por um Estado ineficiente, mas sim uma política com foco em segmentos industriais e tecnologias específicas, com estímulos à pesquisa e desenvolvimento.
Um estudo divulgado neste mês pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que a indústria brasileira sofreu nova queda no ranking mundial de produção e exportação, um fenômeno que vem se agravando há décadas, sem que o país reaja com uma política necessária para o setor.
O estudo da CNI mostra que a nossa produção industrial registrou um recuo na participação mundial de 1,31%, em 2020, para 1,28%, em 2021, segundo a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO, na sigla em inglês). Parece pouco, mas fomos ultrapassados pela Turquia e caímos para a 15ª posição no ranking – nos anos 90 estávamos em 10º lugar.
Esse é o pior resultado do país desde 1990. Em 1996, a participação da produção industrial brasileira na produção mundial era de 2,55%, praticamente o dobro da registrada no ano passado. Enquanto isso, nossos maiores parceiros comerciais, China e EUA, ganham terreno no mercado global. Precisamos reagir, com urgência.
Fechadas as urnas, o próximo governo, qualquer que seja eleito, terá um trabalho de Hércules para reequilibrar as contas públicas, reduzir os juros exorbitantes que temos hoje, deslanchar um pacote para infraestrutura e promover reformas para reduzir o Custo Brasil, propiciando um ambiente de desenvolvimento e geração de novas oportunidades.
Não é fácil, mas os caminhos já são bem conhecidos e é essencial que o próximo governo comece a trabalhar neles o quanto antes, aproveitando a mobilização e o capital político que é sempre maior logo após as eleições. São vários os estudos e propostas elaboradas e disponibilizadas pela CNI, MBC, IEDI, para citar alguns, para reverter este quadro. O governo precisa ouvir mais e colocar em prática essas mudanças.
reforma tributária, por exemplo, prevista na PEC 110, está no Congresso desde 2019 e no momento encontra-se na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Ela simplifica o sistema tributário com a unificação de tributos federais, estaduais e municipais incidentes sobre o consumo. Já seria um bom começo.
Um levantamento da Fundação Dom Cabral, publicado no Valor Econômico na semana passada, mostrou que o Brasil pode deslanchar uma agenda de retomada da produtividade sem a necessidade de enviar novos projetos ao Congresso. Está tudo lá. São mais de 30 propostas em áreas como infraestrutura, inovação, sustentabilidade e tributação.
Os desafios são grandes, mas já vimos que os caminhos estão traçados. O país está andando de lado há décadas, há reformas sobre as quais não há muito o que debater. Já perdemos tempo demais. Resta agora somente agir para recuperar terreno e destravar o país, para que ele possa crescer e gerar oportunidades.

Léo de Castro

Empresário, vice-presidente da CNI e presidente do Copin (Conselho de Politica Industrial da CNI). Foi presidente da Findes. Neste espaço, aborda economia, inovação, infraestrutura e ambiente de negócios

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

As eleições presidenciais continuam em aberto: cadê a terceira via?
Aniversário de 80 anos de Nelson Ferlin
Nelson Ferlin celebra 80 anos com festa em família em Vila Velha
Unidade da Audionova inaugurada em 2024 em São Paulo
Multinacional suíça anuncia compra de empresa capixaba

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados