O Espírito Santo contabilizou, em 2025, 998 mortes em vias urbanas e rodovias, número superior ao registrado em 2024, quando houve 985 óbitos, de acordo com dados do Observatório de Trânsito do Detran.
A Serra lidera o ranking, com 86 vítimas, seguida por Linhares, com 58, e Cachoeiro de Itapemirim, que registrou 54 ocorrências.
A violência no trânsito no Estado já supera, de longe, o número de homicídios. No ano passado, o ES registrou 796 homicídios dolosos, o menor patamar desde 1996, quando o dado começou a ser contabilizado. É a primeira vez, em 29 anos, que o Espírito Santo termina o ano com menos de 800 assassinatos.
Para o especialista em Direito de Trânsito e advogado criminalista Fábio Marçal, o cenário é preocupante. “Enquanto os homicídios apresentam queda constante, as mortes no trânsito seguem em alta. Em 2023, por exemplo, foram 825 registros. Trata-se de um volume expressivo de perdas que poderiam ser evitadas por meio de ações de conscientização e outras iniciativas”, avaliou.
Marçal também destacou que, em muitos casos, as famílias enfrentam dificuldades para buscar reparação judicial. “Há situações em que o fato se enquadra como homicídio com dolo eventual no trânsito, o que ainda possibilita aos familiares a busca por um sentimento de justiça. No entanto, existem casos em que é difícil comprovar a responsabilidade de outros agentes, como o Estado ou concessionárias, especialmente quando se alegam más condições das vias ou falhas na sinalização”, explicou.
Segundo o especialista, a redução desses índices passa, necessariamente, pela educação e por políticas contínuas de prevenção. “É fundamental colocar em prática o que determina a Constituição, com educação para o trânsito desde a base, além de campanhas permanentes de conscientização. Estamos falando de um número triste, com quase mil vidas interrompidas de forma tão precoce”, lamentou.