Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Eleições 2024

"Mossad municipal" e "hospital da Vale": as propostas mirabolantes dos candidatos a prefeito de Vitória

Em debate realizado por A Gazeta e CBN Vitória, nesta sexta-feira (20), algumas ideias, no mínimo, curiosas foram citadas

Publicado em 20 de Setembro de 2024 às 17:06

Públicado em 

20 set 2024 às 17:06
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Debate com candidatos a prefeito de Vitória na Rede Gazeta
Camila Valadão (PSOL), Assumção (PL), Lorenzo Pazolini (Republicanos), Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), João Coser (PT) e Du (Avante) Crédito: Fernando Madeira
debate entre os candidatos a prefeito de Vitória realizado nesta sexta-feira (20) não contou apenas com provocações. De vez em quando, algumas propostas foram citadas, principalmente quando os questionamentos partiram dos jornalistas de A Gazeta.
Só que algumas das promessas são, no mínimo, curiosas ou até mirabolantes.
O deputado estadual Assumção (PL), capitão da reserva da Polícia Militar, por exemplo, quer dotar a Guarda Municipal de Vitória de uma agência de inteligência. 
"Estaremos entrando com a agência de inteligência municipal, dos mesmos moldes que a agência Mossad atua em Israel", afirmou o candidato do PL, durante o debate.
O Mossad é o Instituto de Inteligência e Operações Especiais de Israel, criado em 1949 meses após a criação do próprio Estado de Israel.
É um serviço secreto, como a CIA, dos Estados Unidos, ou o MI6, do Reino Unido. 
"Com um orçamento anual de cerca de US$ 3 bilhões e uma equipe de aproximadamente 7 mil funcionários, o Mossad é considerado por especialistas em segurança e inteligência como a segunda maior agência de espionagem do Ocidente, depois da CIA", como mostra reportagem da BBC.
O Mossad ficou sob os holofotes recentemente por, supostamente, estar por trás da explosão de pagers e walkie-talkies no Líbano.
Os aparelhos são usados por membros do grupo extremista armado Hezbollah.Cerca de 30 pessoas morreram e 3 mil ficaram feridas devido às explosões.
Mas, enfim, como a guarda de Vitória se transformaria num Mossad municipal?
A prefeitura já tem uma Gerência de Integração e Inteligência, ligada à Secretaria Municipal de Segurança Urbana, que "promove a coleta, a busca e a análise de dados de segurança, realizam levantamentos, organizam e exploram as informações locais sobre a criminalidade".
Mas, até onde se sabe, isso não tem nada a ver com alta espionagem, tramas internacionais e dispositivos explosivos remotos.
O próprio Assumção, no debate, lembrou que "a guarda municipal ainda não tem a atividade policial discriminada no artigo 144 da nossa Constituição (Federal)".
Ou seja, a ideia do Mossad-Vix está muito além das competências legais da Guarda.
O HOSPITAL DA VALE
O candidato Du (Avante) teve que explicar, no debate, uma proposta que ele já havia apresentado na campanha: o Hospital do Cais.
A ideia é transformar o Cais das Artes, que ainda está em construção na Enseada do Suá, em um hospital.
Só que o prédio foi concebido para ser um espaço cultural e a obra é do governo do Espírito Santo, sem nenhum vínculo com a prefeitura. 
No debate, Du insistiu no "Hospital das Artes" (errou o nome da própria proposta, que é Hospital do Cais) na Enseada e afirmou que a cena artística ficaria melhor no Centro de Vitória.
Procurei o estado, sei que ali é do governo do estado. Tive respostas, inclusive: 'Como não pensamos nisso antes?'".
Não foi essa a resposta que a Secretaria Estadual de Cultura deu à reportagem de A Gazeta, em agosto.
O "ideal", de acordo com Du, seria a Prefeitura de Vitória administrar o hospital, o que não sei se seria legalmente e financeiramente possível.
Candidato a prefeito de Vitória quer transformar Cais das Artes em hospital
Ilustração divulgada pela campanha de Du mostra como seria o Hospital do Cais Crédito: Reprodução
Mas o candidato do Avante, que é empresário, foi além. 
Ao falar sobre o Hospital do Cais (ou das Artes), no qual seria possível chegar por terra, água e ar, ele também defendeu que a Vale, a mineradora, construa um hospital em Vitória, "por conta dela, para atender a população".
Ele disse que essa ideia existe desde 2013. 
Por que uma empresa privada construiria e manteria um hospital? E por que meios ela seria obrigada ou convencida a fazer isso?
Ok. O problema da poluição do ar em Vitória é real, mas se a solução é o "Hospital da Vale", não há muitas esperanças.
ESCOLA CÍVICO-MILITAR
Em 2020, logo após ser eleito, o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), afirmou que pretendia implantar escolas cívico-militares na cidade.
O projeto, entretanto, nunca foi concretizado e arrefeceu ainda mais depois que o governo Lula (PT), em julho de 2023, decidiu encerrar o incentivo federal a essas unidades.
Estados e municípios, entretanto, têm autonomia para criar esse tipo de instituição, se quiserem.
O benefício ou não da educação militar é uma questão sobre a qual vale refletir. 
Os alunos de escolas cívico-militares têm, em média, bom desempenho devido à rígida disciplina e aos professores fardados ou por que, via de regra, essas escolas contam com um investimento maior que as demais e adotam um sistema de seleção de estudantes antes da matrícula?
E, se reeleito, Pazolini vai implantar escolas cívico-militares em Vitória? A coluna perguntou ao prefeito, no debate. 
Não seria uma iniciativa mirabolante, mas controversa.
"Se for da vontade dos pais, se houver número suficiente, expressivo, se essa demanda estiver presente e se nós tivermos condições técnicas e legais para prosseguirmos, assim o faremos", respondeu Pazolini.
Mas a probabilidade é baixa: "Vai ser muito mais difícil, sem o governo federal".

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Dois anos após o crime, casal é condenado por morte de jovem em Aracruz
ES está entre os estados mais expostos às novas tarifas dos EUA, aponta Findes
ES está entre os estados mais expostos às novas tarifas dos EUA, aponta Findes
Coração captado em hospital de Vitória sendo levado para São Paulo
Força-tarefa viabiliza doação de coração do ES para São Paulo

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados