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Dinheiro em risco

Grupo de 150 investidores da Apex avalia formar associação para negociar com empresa

Credores esperam que a organização dê força numa eventual recuperação judicial e ajude a traçar medidas para recuperar investimentos

Publicado em 29 de Agosto de 2026 às 16:43

André Cypreste

Publicado em 

29 ago 2026 às 16:43
Sede da Apex Partners na Praia do Suá, Vitória.
Sede da Apex Partners na Praia do Suá, Vitória. Carlos Alberto Silva

Investidores e credores da Apex Partners e da Rhino Securitizadora começaram a se organizar para atuar de forma coletiva diante da crise financeira que atinge o grupo. Um fórum independente, realizado neste sábado (29), em Vitória, reuniu cerca pessoas em busca de informações sobre suas aplicações financeiras.


O grupo discute a criação de uma associação para representá-los em eventuais negociações e processos judiciais. Segundo Solano Madeira, um dos organizadores do encontro, o fórum já se aproximava de 150 pessoas cadastradas.

O fórum caminha para se transformar numa associação para discutir a forma que vai se pagar os credores, além de definir a sequência de pagamentos numa recuperação judicial

Solano Madeira, organizador do fórum

O fórum se apresenta como uma iniciativa independente, sem vínculo com a Apex Partners ou com a Rhino Securitizadora. O cadastro reúne pessoas com diferentes tipos de exposição financeira ao grupo, entre elas detentores de debêntures Rhino/Apex, cotistas de fundos da Carbyne e investidores com posições em atraso ou pendentes de pagamento.


A organização ressalta, porém, que a reunião não constitui Comitê de Credores previsto na Lei 11.101/2005, Assembleia de Credores ou Assembleia de Debenturistas. O cadastro também não representa adesão a uma ação judicial ou autorização para que os organizadores representem individualmente os investidores.


A preocupação dos participantes é que os diferentes tipos de investimentos e estruturas empresariais envolvidos na crise dificultem uma atuação individual dos credores. Solano afirma que, embora o grupo seja composto de investidores de menor porte, a união pode contribuir para uma maior capacidade de negociação.

Somos pequenos investidores, mas a junção das pessoas vai fazer com que o grupo seja representativo

Solano Madeira, organizador do fórum

A mobilização ocorre em meio ao avanço das medidas judiciais relacionadas à Apex. Alguns investidores já entraram na Justiça. Outros esperam respostas do Judiciário à medida cautelar ajuizada pelos atuais gestores da empresa.


Para os advogados Lucas Judice e Bernardo Leite, que acompanham investidores, o cenário ainda é inicial e muitos credores não sabem exatamente quais medidas devem tomar devido à complexidade e variedade de investimentos.

Além de ter diversos tipos de investimentos que demandarão estratégias distintas, nós ainda não temos informações maduras suficientes para saber qual é a medida mais adequada. É muito cedo para falar disso

Bernardo Leite, advogado

Segundo Leite, a própria cautelar atualmente impõe limitações a medidas individuais de cobrança. Caso não haja recuperação judicial, a expectativa é que investidores possam começar a adotar medidas próprias para tentar recuperar os recursos.

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Auditoria pode alterar tamanho da dívida

Outro ponto de preocupação entre os investidores é o tamanho exato do passivo da Apex. Dados apresentados na medida cautelar apontam um endividamento de quase R$ 1 bilhão, até 30 de junho de 2026.


O valor, entretanto, ainda poderá ser revisado. De acordo com Lucas Judice, uma auditoria deverá analisar não apenas os dados de junho, mas também informações posteriores e a composição de diferentes dívidas.


Entre os valores que precisam ser conferidos estão cerca de R$ 452 milhões em debêntures emitidas, além de obrigações de cashback, dívidas bancárias e tributos. O levantamento preliminar divulgado antes do fórum apontava R$ 452,1 milhões em debêntures, R$ 309,8 milhões em obrigações de cashback, R$ 201,7 milhões em dívidas bancárias e R$ 35,2 milhões em tributos em atraso.

Pode ser que seja menor, como pode ser que também seja maior. Até o número de debêntures emitidas pode ser maior

Lucas Judice, advogado

Credores cobram documentos e informações

A falta de informações é outro ponto que preocupa os investidores. Bernardo Leite afirmou que a auditoria indicada no processo judicial chegou a dizer que estaria enfrentando dificuldades para receber documentos da Apex.


Segundo ele, entre os documentos que ainda precisam ser apresentados estão informações básicas sobre as empresas que compõem a estrutura do grupo.

Os advogados destacaram ainda a complexidade da estrutura empresarial envolvida no caso. Segundo eles, o fato do grupo ser formado por 178 empresas pessoas jurídicas dificulta a análise individual de cada companhia e das relações financeiras entre elas.

Investidores cobram maior diálogo com a Apex

Os advogados também afirmaram que a Apex tem realizado reuniões com investidores ligados às Sociedades de Propósitos Específicos (SPE) imobiliárias, quando um CNPJ é criado exclusivamente para desenvolver um único empreendimento de construção, como um prédio ou condomínio. Na avaliação deles, porém, ainda faltam respostas para uma série de questionamentos.


Lucas defendeu a criação de um canal específico de diálogo entre a empresa, debenturistas e potenciais credores.

Poderia ter um fórum, por exemplo, da própria Apex junto com os debenturistas, junto com os potenciais credores, os futuros credores

Lucas Judice, advogado

O site criado pelos investidores também disponibiliza uma área para o encaminhamento de perguntas à Apex. A iniciativa afirma que pretende centralizar informações e organizar a comunicação entre os participantes.


Para Bernardo, entretanto, algumas reuniões já realizadas ainda não foram suficientes para esclarecer pontos considerados fundamentais pelos investidores.

A Apex não está passando as informações que a gente esperaria que estivesse. A equipe mostra certo desconhecimento de várias questões que, nessa etapa, já deveriam ter sido respondidas

Bernardo Leite, advogado

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