A bolha da direita, afinal, já está congestionada, quase estourando.
E é aí que está o desafio de Maguinha.
Como conquistar votos para além do campo bolsonarista mais radical sendo quase idêntica a Magno Malta?
Maguinha, por exemplo, disse na sabatina ser totalmente contra o aborto, até em situações já autorizadas por lei, como no caso de uma criança que foi estuprada.
A "defesa da vida" só vai até a defesa do feto.
A criança que sofreu violência, por essa lógica, pode passar por outro trauma e mais um risco de morrer, ao gestar e parir o filho do estuprador.
PARA FURAR A BOLHA
O que poderia, em tese, "furar a bolha", entretanto, é o que está além da chamada "pauta de costumes": propostas mais concretas e ligadas ao dia a dia das pessoas.
Apesar de a direita ser obcecada por pregar contra o aborto, não é em toda gestação que uma mulher tem que lidar com esse dilema, felizmente.
Mas rodovias federais, por exemplo, estão no cotidiano de muita gente.
A infraestrutura rodoviária impacta a economia do estado e o número de acidentes e mortes no trânsito.
Não à toa, Maguinha falou sobre isso nos primeiros programas do horário eleitoral que colocou no ar na TV e no rádio.
Na sabatina em A Gazeta/CBN, questionada a respeito da situação das BRs no estado, afirmou que, se eleita, vai fiscalizar contratos de concessão de rodovias federais.
Ela não soube responder detalhada e objetivamente, porém, sobre esse e outros assuntos, como a regulamentação da Inteligência Artificial, tema tão premente e já em discussão no Congresso Nacional.
Quanto ao fim da escala 6 x 1, outro debate em voga, disse ser favorável, mas desde que empresários sejam compensados pelo Estado (ou seja, indiretamente, pelos próprios trabalhadores, que pagam os impostos arrecadados pela União).
Maguinha não foi muito enfática.
Ela fala com paixão mesmo sobre as "pautas de costume".
Também se mostra à vontade para criticar o Supremo Tribunal Federal que, sim, está na berlinda.
Mas esses são tópicos que deixam a candidata restrita à própria bolha.
Além do mais, mesmo que ela tente emplacar um discurso mais técnico, ao admitir que, no Senado, seria uma espécie de cópia de Magno Malta, não há muito para onde correr.
Afinal, o senador não é conhecido por atuar em defesa de pautas mais afeitas ao cotidiano dos eleitores do Espírito Santo (ainda que, pontualmente, o faça).
Magno Malta se destaca justamente, na vocalização do campo ideológico, na "guerra de narrativas" e na movimentação de algoritmos de amor e, principalmente, ódio.