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Letícia Gonçalves

Nas eleições 2026, Maguinha Malta não vai além da sombra do pai

Candidata do PL ao Senado participou da série de sabatinas realizadas por A Gazeta e CBN Vitória. Veja a análise da coluna

Publicado em 21 de Setembro de 2026 às 11:35

Públicado em 

21 set 2026 às 11:35
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Sabatina com Maguinha Malta, candidata ao Senado pelo PL
Maguinha Malta (PL), candidata ao Senado, em sabatina realizada por A Gazeta e CBN Vitória Fernando Madeira
Estreante nas urnas, Maguinha Malta (PL) disputa uma vaga no Senado pelo Espírito Santo ancorada na imagem do senador Magno Malta, presidente estadual do PL.

Em sabatina realizada por A Gazeta e pela CBN Vitória, na última sexta-feira (18), Maguinha mostrou que, realmente, não vai além da sombra do pai. 

Não que os dois sejam exatamente iguais. A semelhança física e o alinhamento dos discursos são fatos. Maguinha apenas não apresentou uma oratória tão virulenta ou agressiva quanto a daquele que chama de "professor".

A candidata não conseguiu citar nenhum exemplo de posicionamento divergente que teria em relação ao senador do PL. Se Magno votar "sim" a um projeto no Senado, muito provavelmente Maguinha também o fará. Se ele votar "não", a replicação é quase certa.


Isso é um ponto crítico para a campanha da candidata do PL, considerando que a rejeição ao senador no estado é alta. Mas é também a principal estratégia em curso.

Não à toa, o slogan de Maguinha é "Em 2026, é Malta e Bolsonaro outra vez".

De acordo com a última pesquisa Quaest contratada pela TV Gazeta, publicada em 27 de agosto, Maguinha está tecnicamente empatada, em segundo lugar, com outros cinco nomes.

Quem lidera isoladamente é o ex-governador Renato Casagrande (PSB), com 28%. 

Em seguida aparecem Sérgio Meneguelli (PSD), com 10% das intenções de voto;  Fabiano Contarato (PT) e Rose de Freitas (MDB), ambos com 9%; Maguinha, com 6%; Evair de Melo (Republicanos), com 5%, e Marcos do Val (Avante), com 4%.

À exceção de Contarato e Rose, que são de esquerda e de centro, respectivamente, a corrida está bem embolada entre candidatos de direita e centro-direita.

Mais abaixo na tabela deste campeonato ainda há Rodney Miranda (PRTB), com 2%; Leonardo Monjardim (Novo) e Callegari (DC), com 1% cada um.

Pragmaticamente falando, para se destacar desse bloco, um candidato ou candidata precisa expandir as intenções de voto pra fora da própria bolha.

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A bolha da direita, afinal, já está congestionada, quase estourando.

E é aí que está o desafio de Maguinha.

Como conquistar votos para além do campo bolsonarista mais radical sendo quase idêntica a Magno Malta?

Maguinha, por exemplo, disse na sabatina ser totalmente contra o aborto, até em situações já autorizadas por lei, como no caso de uma criança que foi estuprada.

A "defesa da vida" só vai até a defesa do feto. 

A criança que sofreu violência, por essa lógica, pode passar por outro trauma e mais um risco de morrer, ao gestar e parir o filho do estuprador. 

PARA FURAR A BOLHA

O que poderia, em tese, "furar a bolha", entretanto, é o que está além da chamada "pauta de costumes": propostas mais concretas e ligadas ao dia a dia das pessoas.

Apesar de a direita ser obcecada por pregar contra o aborto, não é em toda gestação que uma mulher tem que lidar com esse dilema, felizmente.

Mas rodovias federais, por exemplo, estão no cotidiano de muita gente.

A infraestrutura rodoviária impacta a economia do estado e o número de acidentes e mortes no trânsito.

Não à toa, Maguinha falou sobre isso nos primeiros programas do horário eleitoral que colocou no ar na TV e no rádio.

Na sabatina em A Gazeta/CBN, questionada a respeito da situação das BRs no estado, afirmou que, se eleita, vai fiscalizar contratos de concessão de rodovias federais.

Ela não soube responder detalhada e objetivamente, porém, sobre esse e outros assuntos, como a regulamentação da Inteligência Artificial, tema tão premente e já em discussão no Congresso Nacional.

Quanto ao fim da escala 6 x 1, outro debate em voga, disse ser favorável, mas desde que empresários sejam compensados pelo Estado (ou seja, indiretamente, pelos próprios trabalhadores, que pagam os impostos arrecadados pela União).

Maguinha não foi muito enfática.

Ela fala com paixão mesmo sobre as "pautas de costume".

Também se mostra à vontade para criticar o Supremo Tribunal Federal que, sim, está na berlinda.

Mas esses são tópicos que deixam a candidata restrita à própria bolha.

Além do mais, mesmo que ela tente emplacar um discurso mais técnico, ao admitir que, no Senado, seria uma espécie de cópia de Magno Malta, não há muito para onde correr.

Afinal, o senador não é conhecido por atuar em defesa de pautas mais afeitas ao cotidiano dos eleitores do Espírito Santo (ainda que, pontualmente, o faça).

Magno Malta se destaca justamente, na vocalização do campo ideológico, na "guerra de narrativas" e na movimentação de algoritmos de amor e, principalmente, ódio.

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Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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