A modéstia me impede de dizer que no dia 29 de agosto de 1946 o mundo comemorava duas efemérides: o meu nascimento e a inauguração do Iate Clube do Espírito Santo.
No domingo passado, eu e ele, o clube, proclamamos juntos os 80 anos de existência, com banda de música e todos — bem, quase todos — os amigos famosos e desconhecidos, um monte de gente querida.
Fui proclamar a independência em companhia da minha filha Paula Vicentini Bonates e do neto Bento, rei das quadras de futebol de salão do Sacré-Coeur. Parecia um sonho. Dançamos até.
Estimados e resistentes leitores, não sei o de vocês, mas os meus sonhos parecem realidade. Sinto que com eles, minha saúde física e mental se encontram. Muitas vezes, as personas oníricas - chique isso - conservam as sensações e os sentimentos vivos, às vezes assusta, às vezes delicia.
Como vocês sabem, Sigmund Freud foi o primeiro a conceber os sonhos como afeto — amor, ódio, essas coisas — reprimido no inconsciente. Então trata-se de representações.
Ando espalhando por aí que o tempo presente não existe, apenas o passado e o futuro. Quando chega a vez do tempo presente - tuff - passou. A música é uma bela ilustração disso.
E os amigos com isso?
Os clubes e as batucadas, de qualquer natureza, têm a finalidade sagrada de promover encontros, reencontros e lembranças de amigos de todos os tempos.
Por exemplo, no meio de um som da fina batucada convincente que fazia o Iate Clube dançar, nesse domingo, estava lá o colega e ex-presidente da Associação Médica do Espírito Santo Antônio Carlos de Resende. Batalhamos juntos na mesma luta do ato médico.
Outro dia, lá mesmo no Iate, encontro, entre outros, Zé Helder Rebouças, irmão de Essio e Ezio, vizinhos e comparsas da Praia do Suá. O pai deles foi um dos primeiros comodoros do clube. Nesta década de violência, espaços assim poderiam ser multiplicados para, entre outras finalidades, garantir a segurança do lazer. Deixa pra lá, isso é sonhar em demasia.
Na referida efeméride, encontro mais pessoas e a minha memória voa para os times de rua: o Juventus, da Rua “Pau Roliço”, na Praia do Suá, o Hilal Esporte Clube e o Recreio Futebol Clube.
Não é à toa que o futebol é paixão nacional.
Lembrar é só lembrar. Eu mesmo — modéstia às favas — suei a camiseta do Praia Tênis Clube, da Praia do Canto, jogando no time de Futebol de Salão. Não é por estar na minha presença neste instante, mas o time honrava as cores: vermelho, azul e branco.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, simpatiza com o fluminensinho, só para contrariar.