Um relacionamento marcado por crises de ciúme, tentativas de controlar o contato com amigos e até as roupas que eram usadas. Esse foi o relato de Mariana Albuquerque, ex-namorada de Matheus Stein e segunda testemunha a prestar depoimento no júri popular realizado na tarde desta quinta-feira(17).
Stein é acusado de matar Ana Carolina Rocha Kurth, de 24 anos, com mais de 40 golpes de faca. O crime aconteceu em maio de 2023, no apartamento em que o casal morava, no Centro de Vitória.
Durante o depoimento, Mariana afirmou que o relacionamento com Matheus era conturbado e marcado por crises de ciúme e episódios de agressão. Segundo ela, após o término, também passou a ser perseguida. “Recebi muitas ameaças dele”, declarou.
Eles começaram a namorar em 2018. “Era um namoro sério, que as famílias tinham conhecimento. Ele visitava a minha casa, íamos juntos a festas de aniversário”, contou.
Segundo Mariana, as crises de ciúme eram frequentes e algumas chegaram a situações mais graves. Em uma delas, relatou que Matheus teria se irritado com o cachorro dela, da raça shih-tzu. “Uma ocasião ele se revoltou com o meu cachorro e o chutou várias vezes”, disse.
Para protegê-lo, ela disse que escondeu o cachorro dentro do guarda-roupa. Ainda segundo a testemunha, Matheus teria ameaçado matar o animal.
Mariana também relatou episódios em que era xingada durante crises de ciúme, principalmente quando ela dizia que terminaria o relacionamento.
Em uma dessas situações, durante um carnaval fora de época na Praia do Canto, ela contou que foi empurrada várias vezes e segurada pelo cós do short que usava.Segundo Mariana, a discussão teria começado quando ela tentou cumprimentar e conversar com o próprio irmão.
“Quando eu me impunha, ele ficava enfurecido e, neste dia, me xingou. Tentei sair e ele segurava meu short. Não me deixava ir embora. Um casal desconhecido me ajudou e fui para a casa da minha avó”, contou. Mariana disse ainda que, em outra ocasião, Matheus teria a ameaçado com uma faca e que ela conseguiu fugir de casa.
Após o término do namoro, segundo a testemunha, Matheus passou a persegui-la, fazendo ligações e criando perfis falsos em redes sociais. “Tive que trocar de faculdade e, durante muitos meses, fui para as aulas acompanhada, por medo do que poderia me acontecer. Recebia muitas ameaças dele”, disse.
Mariana disse ainda que os pais de Matheus insistiam para que o relacionamento continuasse. Ela contou que soube da morte de Ana Carolina por meio de uma amiga. “Fiquei com muito medo. Tenho receio de ele ser solto e vir atrás de mim”, disse.