Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Política e informação

O desafio da comunicação em um momento de polarização no Brasil

Cabe cada vez mais a nós comunicadores ter um olhar atento a fim de que a missão de comunicar não seja amputada, mas ressignificada

Publicado em 11 de Março de 2021 às 02:00

Públicado em 

11 mar 2021 às 02:00
Vinicius Figueira

Colunista

Vinicius Figueira Vinicius Figueira

viniciusfigueira18@gmail.com

Comunicação na polarização
A comunicação precisa continuar a incomodar, questionar, informar e contribuir Crédito: jannoon028/Freepik
Brasil vive um dos seus momentos pontuais na história: a polarização política rodeada de artefatos e efeitos que perpassam pela comunicação e coloca desafios que vão da incompreensão à ameaças e afins. A cada dia que passa, vamos recebendo mais informações e assim vamos nos tornando humanamente incapazes de consumi-las. Automaticamente, vamos selecionando as notícias que compactuam com nosso jeito e nossa performance, e caímos na tentação de nos alimentar apenas das manchetes, e a partir delas tecer opiniões.
A polarização, no âmbito geral, está cercada de anticríticas e monitorada por olhares indiferentes, razão pela qual cresce a “insuportabilidade”, doença do século. Não suportamos mais os contrários, e nem diálogos com pensamentos opostos, e por aí vai. Na comunicação isso não é diferente, a teoria é a mesma.
Além de vivermos compactuados com a polarização, precisamos considerar que ela emerge dentro de um contexto informativo comandado por algoritmos (que ditam o que receberemos e consumiremos), e a velocidade da internet que atordoa com a multiplicidade de conteúdos produzidos faz com que o hábito da leitura integral de um conteúdo e de uma matéria sejam apequenados. E, por fim, somos liderados por uma persona política que coloca a mídia, a imprensa, e fontes de conteúdo, em xeque. Como sobreviver nesse cenário caótico e emblemático? Vamos lá!
Para sair do imbróglio, é preciso tomar consciência de três coisas. A primeira é que, na medida do possível, precisamos driblar os códigos da internet. E isso acontece a partir do momento que driblamos nossas convicções e passamos a curtir o diferente, consumir o antagônico e confrontar opiniões. Se continuamos a consumir sempre as mesmas crenças, sempre as mesmas verdades, não faremos o parto da bolha.
Segundo, urge a necessidade de disciplinar nosso ímpeto de querer ver tudo. Quando desejamos ver tudo, não vemos nada. Disciplinar é, portanto, colocar ordem na gente mesmo a partir daquilo que tende a contribuir com a construção da minha opinião. E, por fim, temos a liderança política que, quando pode, coloca diversas interrogações em alguns veículos de imprensa, a fim de que o público desacredite e desvalorize aquela fonte. É evidente que a atitude do presidente equivale aos seus incômodos com as críticas, com seu governo e com si próprio. Para essa causa, vale-nos apegar a uma máxima: questione quem questiona o questionamento.
Nesse emaranhado surge a principal provocação do dia de hoje: como comunicar e se informar na polarização? A comunicação precisa continuar a incomodar, questionar, informar e contribuir. Diante de um cenário tão alegórico e com um consumo tão focado em manchetes, logo, em informações abreviadas, cabe cada vez mais a nós comunicadores ter um olhar atento sobre isso a fim de que a missão de comunicar não seja amputada, mas ressignificada. A onda da polarização não tem data pra terminar, por isso, o desafio de informar precisa seguir surfando, do contrário todos nós nos afogaremos nessa onda.
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta

Vinicius Figueira

Vinicius Figueira Vinicius Figueira

É publicitário. Uma visão mais humanizada dos avanços tecnológicos e das próprias relações sociais tem destaque neste espaço. Escreve às quintas

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Por que jovens chineses são tão fascinados com Mao Tsé Tung, cuja morte completa 50 anos?
Imagem BBC Brasil
Fachin decide ser relator de caso Moraes-Vorcaro, e retira também de Mendonça processos ligados ao Master e ao escândalo do INSS
Imagem de destaque
Fachin dá 24 horas para PF informar sobre custódia e estado de celular de Vorcaro

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados