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A educação de qualidade é a base para o desenvolvimento
humano, social e econômico de qualquer cidade, estado ou nação. Sem ela, ninguém
pode ter esperança de dias melhores. Aqui no Espírito Santo, como anda a
qualidade do ensino na rede pública estadual? E na rede municipal de Vitória?
Em meio às disputas de argumentos que marcam a eleição para governador do
Estado, com números e dados sobrando para todo lado, o tema tem sido objeto de
discordância entre Ricardo Ferraço (MDB), Lorenzo Pazolini (Rep) e Helder
Salomão (PT).
Por isso, visando responder quem tem razão, fomos à fonte
primária mais confiável: os dados mais recentes do Índice de Desenvolvimento da
Educação Básica (Ideb), principal indicador da qualidade de ensino brasileiro,
com uma pontuação atribuída pelo Ministério da Educação (MEC) a cada escola e a
cada rede (municipal ou estadual, pública ou privada) no Brasil inteiro.
As conclusões são muito interessantes. Assim como em nosso estudo publicado aqui sobre os índices de violência, vemo-nos diante da clássica situação do “copo meio
cheio ou meio vazio”, dependendo do ângulo de análise. Isso vale tanto para o estado do Espírito Santo como para a cidade de Vitória.
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Com base no Ideb 2025, divulgado no último mês de agosto,
pouco antes do início da campanha, o ensino médio da rede estadual do Espírito
Santo (Sedu) está muito bem ranqueado.
Entre as 27 unidades da federação, nosso estado ostenta o 2º lugar, só atrás do Paraná, e empatado
com Goiás e Piauí. Isso, repito, considerando o ensino médio oferecido pelas
redes públicas estaduais (sem incluir na conta, portanto, as escolas
particulares). Na categoria em questão, a nota do Espírito Santo é 4,9 – acima da média nacional, que
ficou em 4,3. A escala vai de 0,0 a 10,0.
Por outro lado, na mesma categoria, o Ideb do Espírito Santo
ficou aquém da meta estabelecida pelo MEC para as redes estaduais de ensino
médio em 2025: 5,2. A bem da
verdade, nenhum estado atingiu a meta, já que o Paraná obteve 5,1.
Sendo assim, podemos dizer que, em meio a um quadro geral de resultados muito nivelados por baixo, não é que a educação estadual do Espírito Santo esteja uma maravilha... Longe disso. Simplesmente, está entre as “menos ruins” do país, na comparação com a de outros estados.
O gráfico abaixo, retirado do site do MEC, mostra a evolução do Ideb do Espírito Santo no ensino médio público estadual ao longo dos anos.
O Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025, divulgado em setembro do ano passado, revela que só 10,7% dos estudantes do Espírito Santo concluem o ensino médio com aprendizagem adequada em Língua Portuguesa e Matemática.
Enquanto isso, o que
dizer de Vitória?
Quando descemos nosso olhar para as redes municipais, também
encontramos uma típica situação de “copo meio cheio ou meio vazio”: nos anos
iniciais e finais do fundamental, a de Vitória vai bem no Ideb, ou na verdade não
tão bem, dependendo do recorte dado aos números e do referencial adotado para
efeitos comparativos.
Por um lado, no ranking das 26 capitais do país, Vitória se
destaca positivamente, obtendo um dos melhores resultados e ficando entre as mais
bem colocadas tanto nos anos iniciais (1º ao 5º ano) como nos anos finais do
fundamental (6º ao 9º ano).
Nos anos iniciais, com nota 6,4, a rede de Vitória alcança a 6ª melhor colocação entre as capitais. A meta nacional para 2025
era de 6,0 e foi superada pela
capital capixaba, que também ficou acima da média nacional das redes públicas
nos anos iniciais do fundamental: 6,1.
Nos anos finais, Vitória fica ainda mais bem ranqueada: com
nota 5,4, ocupa a 2ª posição, atrás somente de Teresina (5,9) e num empate com outras três
capitais: Curitiba, Florianópolis e Goiânia.
A média nacional das redes públicas municipais foi de 5,0 (superada por Vitória). Por outro
lado, a meta nacional estabelecida pelo MEC para os anos finais em 2025 era de 5,5 (não cumprida por Vitória, por um
décimo).
Mas, na realidade, o “copo meio vazio” (ou, neste caso, bem
vazio mesmo) aparece quando mudamos o parâmetro, comparando os resultados de
Vitória não com as das outras 25 capitais do país, mas, simplesmente, com as
outras 77 cidades do próprio Espírito Santo. Aí, a capital não vai bem, figurando,
nos dois casos, na segunda metade da tabela de classificação.
Nos anos iniciais do fundamental, a rede de ensino de Vitória
obtém somente o 53º lugar entre os
78 municípios.
Nos anos finais, a capital capixaba não vai além do 48º lugar entre as 78 redes municipais.
Adendo
Segundo
dados do Todos pela Educação, 12,3% dos estudantes dos anos finais do ensino
fundamental no Espírito Santo têm aprendizagem abaixo do básico em Língua
Portuguesa e 23,2% em Matemática.
Entre
os alunos do médio, quase metade (45,2%) concluiu a etapa abaixo do básico, sem
o domínio matemático mínimo esperado, e 21,7% não conseguiram aprender bem a
própria língua.
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