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Vitor Vogas

Educação no ES: os números reais no debate eleitoral entre Ricardo, Helder e Pazolini

O tema tem sido objeto de discordância entre os candidatos. Por isso, analisando a questão por vários ângulos, respondemos: como está de verdade a qualidade de ensino no ES? E em Vitória?

Publicado em 24 de Setembro de 2026 às 21:50

Públicado em 

24 set 2026 às 21:50
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Escola, sala de aula, aluno, escrita, tarefa
Criança escreve no caderno em uma sala de aula.
Pexels

A educação de qualidade é a base para o desenvolvimento humano, social e econômico de qualquer cidade, estado ou nação. Sem ela, ninguém pode ter esperança de dias melhores. Aqui no Espírito Santo, como anda a qualidade do ensino na rede pública estadual? E na rede municipal de Vitória? Em meio às disputas de argumentos que marcam a eleição para governador do Estado, com números e dados sobrando para todo lado, o tema tem sido objeto de discordância entre Ricardo Ferraço (MDB), Lorenzo Pazolini (Rep) e Helder Salomão (PT).


Por isso, visando responder quem tem razão, fomos à fonte primária mais confiável: os dados mais recentes do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), principal indicador da qualidade de ensino brasileiro, com uma pontuação atribuída pelo Ministério da Educação (MEC) a cada escola e a cada rede (municipal ou estadual, pública ou privada) no Brasil inteiro.


As conclusões são muito interessantes. Assim como em nosso estudo publicado aqui sobre os índices de violência, vemo-nos diante da clássica situação do “copo meio cheio ou meio vazio”, dependendo do ângulo de análise. Isso vale tanto para o estado do Espírito Santo como para a cidade de Vitória.


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Com base no Ideb 2025, divulgado no último mês de agosto, pouco antes do início da campanha, o ensino médio da rede estadual do Espírito Santo (Sedu) está muito bem ranqueado.


Entre as 27 unidades da federação, nosso estado ostenta o 2º lugar, só atrás do Paraná, e empatado com Goiás e Piauí. Isso, repito, considerando o ensino médio oferecido pelas redes públicas estaduais (sem incluir na conta, portanto, as escolas particulares). Na categoria em questão, a nota do Espírito Santo é 4,9 – acima da média nacional, que ficou em 4,3. A escala vai de 0,0 a 10,0.


Por outro lado, na mesma categoria, o Ideb do Espírito Santo ficou aquém da meta estabelecida pelo MEC para as redes estaduais de ensino médio em 2025: 5,2. A bem da verdade, nenhum estado atingiu a meta, já que o Paraná obteve 5,1.


Sendo assim, podemos dizer que, em meio a um quadro geral de resultados muito nivelados por baixo, não é que a educação estadual do Espírito Santo esteja uma maravilha... Longe disso. Simplesmente, está entre as “menos ruins” do país, na comparação com a de outros estados.

O gráfico abaixo, retirado do site do MEC, mostra a evolução do Ideb do Espírito Santo no ensino médio público estadual ao longo dos anos.

O Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025, divulgado em setembro do ano passado, revela que só 10,7% dos estudantes do Espírito Santo concluem o ensino médio com aprendizagem adequada em Língua Portuguesa e Matemática.

Enquanto isso, o que dizer de Vitória? 

Quando descemos nosso olhar para as redes municipais, também encontramos uma típica situação de “copo meio cheio ou meio vazio”: nos anos iniciais e finais do fundamental, a de Vitória vai bem no Ideb, ou na verdade não tão bem, dependendo do recorte dado aos números e do referencial adotado para efeitos comparativos.


Por um lado, no ranking das 26 capitais do país, Vitória se destaca positivamente, obtendo um dos melhores resultados e ficando entre as mais bem colocadas tanto nos anos iniciais (1º ao 5º ano) como nos anos finais do fundamental (6º ao 9º ano).


Nos anos iniciais, com nota 6,4, a rede de Vitória alcança a 6ª melhor colocação entre as capitais. A meta nacional para 2025 era de 6,0 e foi superada pela capital capixaba, que também ficou acima da média nacional das redes públicas nos anos iniciais do fundamental: 6,1.

Nos anos finais, Vitória fica ainda mais bem ranqueada: com nota 5,4, ocupa a 2ª posição, atrás somente de Teresina (5,9) e num empate com outras três capitais: Curitiba, Florianópolis e Goiânia.

A média nacional das redes públicas municipais foi de 5,0 (superada por Vitória). Por outro lado, a meta nacional estabelecida pelo MEC para os anos finais em 2025 era de 5,5 (não cumprida por Vitória, por um décimo).

Mas, na realidade, o “copo meio vazio” (ou, neste caso, bem vazio mesmo) aparece quando mudamos o parâmetro, comparando os resultados de Vitória não com as das outras 25 capitais do país, mas, simplesmente, com as outras 77 cidades do próprio Espírito Santo. Aí, a capital não vai bem, figurando, nos dois casos, na segunda metade da tabela de classificação.


Nos anos iniciais do fundamental, a rede de ensino de Vitória obtém somente o 53º lugar entre os 78 municípios.

Nos anos finais, a capital capixaba não vai além do 48º lugar entre as 78 redes municipais.

Adendo

Segundo dados do Todos pela Educação, 12,3% dos estudantes dos anos finais do ensino fundamental no Espírito Santo têm aprendizagem abaixo do básico em Língua Portuguesa e 23,2% em Matemática.


Entre os alunos do médio, quase metade (45,2%) concluiu a etapa abaixo do básico, sem o domínio matemático mínimo esperado, e 21,7% não conseguiram aprender bem a própria língua.

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Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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