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Vitor Vogas

Magno Malta sobre Pazolini: “Parece mais conosco”. Mas há limites

““Tem mais nossos traços, nossas rugas, nossas orelhas”, disse o senador sobre o ex-prefeito. Mas as semelhanças no “semblante político” não escondem que também há diferenças

Publicado em 01 de Agosto de 2026 às 15:52

Públicado em 

01 ago 2026 às 15:52
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

O senador Magno Malta e sua filha, Maguinha Malta, durante a Convenção Estadual do PL
O senador Magno Malta e sua filha, Maguinha Malta, durante a Convenção Estadual do PL Carlos Alberto Silva

O ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini é bolsonarista? Foi a pergunta, simples e direta, que fizemos a Magno Malta, pouco antes da convenção do PL, em Vila Velha, na manhã deste sábado (1º).


Desde seu ingresso na vida pública, nas eleições de 2018 (a mesma que levou Jair Bolsonaro ao Planalto), Pazolini nunca se definiu assim. Mas, agora, o pré-candidato a governador pelo Republicanos tem o apoio do PL e do próprio Flávio Bolsonaro, ao mesmo tempo em que declara apoio a Flávio para a Presidência da República.


A resposta de Magno merece ser emoldurada. O presidente estadual do PL ressalta que eles não são idênticos – feitos à imagem e semelhança um do outro –, mas que, digamos assim, suas “fisionomias políticas” são mais parecidas que as de outros candidatos:


“Bom, nós estamos mais perto do que longe. Cada um se manifesta de uma maneira. Venho conversando com ele esse tempo todo. E, nesses últimos dias, ele tem dado... o discurso dele tem sido mais incisivo, mais forte, revelando aquilo que está dentro do interior dele.

E quem mais se parece conosco neste momento, tem mais traços, parece mais as rugas conosco, parece muito mais com as nossas orelhas e tal... Então, nós vamos nos aproximar e estar juntos com quem parece um pouco mais conosco. E, neste momento, ele parece mais conosco.

Magno Malta, senador e presidente do PL no ES

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O dono das “orelhas parecidas com a de Magno” compareceu à convenção do PL. Chegou ao cerimonial poucos minutos após Magno e Maguinha Malta, acompanhado do presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, e do deputado federal Evair de Melo, também filiado ao Republicanos e fortemente cotado para ser o segundo candidato a senador na chapa encabeçada por Pazolini, ao lado de Maguinha.


Pazolini chegou e saiu sem dar entrevistas. Ficou sentado o tempo todo à mesa de autoridades, próximo a Magno e a Maguinha. Discursou por cinco minutos. Saudou Magno, Maguinha e a militância do PL. Agradeceu pelo “acolhimento”. Elogiou o trabalho de Magno no Senado, mas não entrou em questões ideológicas.


Quem discursou mais longamente – por mais de 40 minutos – foi Magno. E, do discurso do senador, já se pôde perceber que, debaixo das “fisionomias políticas” relativamente parecidas, também há algumas diferenças que precisarão ser administradas pelo ex-prefeito ao longo da campanha.


Conforme já prevíamos, a opção de Pazolini, ao “fechar” com quem professa um discurso bem mais radical que o dele, inevitavelmente o colocará (e já o coloca) diante de situações delicadas.


Como provou a convenção do PL, ao lado de Magno & Companhia, o ex-prefeito estará a todo instante premido a se alinhar (ou não) com posições defendidas por eles. Posições essas muitas vezes conflitantes ou até incoerentes com o pensamento de Pazolini e até com ações de governo tomadas por ele.


Dessa vez, o exemplo mais ilustrativo disso foi o tema vacinação. 

Vacinação

Negacionista convicto com relação às vacinas desenvolvidas para frear a pandemia do novo coronavírus (um clássico do bolsonarismo), Magno sugeriu, no discurso, que milhões de pessoas morreram porque governantes apostaram no imunizante – usou palavras como “essa desgraça” e essa “m****” –, em vez da ivermectina, defendida por ele no discurso – a esta altura dos acontecimentos – como a melhor forma de tratamento contra a Covid-19.


Pazolini ouviu essa parte sem expressar reação.


Em 2021, primeiro ano de Pazolini à frente da Prefeitura de Vitória – o mesmo em que as vacinas começaram a ser distribuídas e aplicadas no Brasil –, o então prefeito tinha orgulho de disponibilizar o imunizante na rede municipal de saúde. Era o auge da pandemia. Pacientes infectados morriam aos milhares todo dia no Brasil e no mundo inteiro. Cientificamente, a vacina se provou a única medida capaz de frear as taxas de contágio. E, de fato, assim foi.


Peças publicitárias chegaram a ser produzidas, destacando o fato de que na Capital se vacinava, inclusive pessoas de outros municípios. Diga-se de passagem, conduzido de maneira técnica, o trabalho de imunização na rede pública de saúde de Vitória, de fato, foi correto e muito importante para o povo capixaba em um momento crítico. A Lorenzo o que é de Lorenzo.


Do então prefeito de Vitória, nunca se ouviu uma só palavra contra a vacinação, muito pelo contrário. Agora, Magno ao seu lado, a bradar que a vacina é uma “desgraça”... 

Pregação 

Outro ponto é o intenso uso da religião, o aparelhamento político da fé, Deus onipresente nos discursos... Na convenção, Magno sustentou que aquilo é mesmo um “culto eleitoral” e que é isso aí mesmo, pois essa é sua identidade e ninguém pode lhe cobrar que ele seja ou aja de outro modo... “O mote da eleição é a fé”, pregou o senador.


Por sua vez, Maguinha resumiu: “O meu compromisso é com Deus”. Mais uma vez, a filha de Magno revelou conceber a si mesma como uma candidata que atende a um chamamento divino, a exemplo de profetas do Velho Testamento (realmente citados por ela).


Como prefeito, para ficar bem com os evangélicos, Pazolini frequentava templos e promovia cultos no gabinete, ministrados por pastores... Como candidato, porém, não me recordo de ele alguma vez ter misturado as esferas, “abusado” de um discurso religioso, se escorado na fé alheia para conseguir mais votos... E agora? Haverá essa sobreposição?


Um terceiro ponto é a aposta radical na polarização ideológica, tratando direita versus esquerda (aliás, versus “comunismo”) como uma luta do bem contra o mal na Terra. “O Brasil está aliado ao eixo do mal”, discursou Maguinha.


Em suas duas campanhas vitoriosas a prefeito de Vitória, em 2020 e 2024, Pazolini nunca foi por esse lado. Ao contrário, sempre o evitou, mesmo contra João Coser (PT) no 2º turno em 2020.


Sem citar nomes, Magno ainda falou em “tirar do Espírito Santo o governo de esquerda”. “De direita nunca foi, não se enganem”. Classificar Ricardo Ferraço (MDB) como um governante de esquerda é altamente discutível, mas faz sentido nos limites dessa retórica.


Também sem nominar Renato Casagrande (PSB), o dirigente do PL afirmou que o ex-governador “já declarou que não vota em impeachment de ministro e que tem o apoio do Lula, que representa tudo de ruim”. Casagrande é candidato a senador, logo concorrente de Maguinha. 

Impeachment e 8 de janeiro

Falando em “impeachment de ministro”, essa é uma pauta prioritária para o PL. Aliás, a plataforma de Maguinha, pelo menos no momento, não vai muito além disso.


Magno defendeu abertamente o impeachment de Alexandre de Moraes e até de outros ministros do STF, como Cármen Lúcia. “Em 2027, vamos desapear vocês, e vocês vão para a cadeia”, “profetizou” o senador, arrancando aplausos da plateia. Pazolini aplaudiu discretamente.


“Aqui não tem ninguém parecido comigo, porque eu sou único: moreno de olhos verdes. Ninguém é igual a você, Pazolini! Porque cada um é cada um, e a gente precisa abrir mão de muitas coisas. E uma das coisas que precisamos fazer agora é abrir mão do nosso discurso pessoal por um discurso coletivo. Pela liberdade. Pelo impeachment de Alexandre de Moraes!”, conclamou Magno, citando outros ministros. Aplausos discretos de Pazolini, meio que no “modo automático”.


Houve um momento em que Magno, como costuma fazer, pediu à plateia para repetir cada frase dele. Por exemplo, “Débora vive!” (em alusão à “Débora do batom”). Pazolini repetiu baixinho. “Não são terroristas!” Pazolini repetiu baixinho.


Registre-se que nenhum dos participantes do 8 de janeiro foi preso e condenado pelo crime de terrorismo, mas por outros como golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, associação criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.


Enfim, como já avaliamos aqui, é o ônus assumido por Pazolini para ter um aliado com a força e o peso do PL em sua coligação

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Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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