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Vitor Vogas

PSD e Republicanos fecham acordo; candidatura de Meneguelli ao Senado implode

Primeira-dama de Colatina é a provável vice de Pazolini. Acordo foi selado pelo casal Vasconcelos com Pazolini e Erick Musso, após encontro final com Ricardo. Arranjo não inclui Meneguelli, que ficou sem espaço

Publicado em 05 de Agosto de 2026 às 16:18

Públicado em 

05 ago 2026 às 16:18
Vitor Vogas

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Vitor Vogas Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Sérgio Meneguelli, Lívia Vasconcelos e Renzo Vasconcelos
Sérgio Meneguelli, Lívia Vasconcelos e Renzo Vasconcelos Ales/Reprodução Facebook

A pré-candidatura de Sérgio Meneguelli ao Senado, que já respirava por aparelhos, já não emite sinais de vida. O acordo do PSD com o Republicanos foi fechado pelos respectivos dirigentes estaduais. E não prevê a candidatura de Meneguelli ao Senado.


Após rodar bastante, o PSD voltará ao seu ponto de partida e se juntará à coligação liderada pelo Republicanos no Espírito Santo, tendo Lorenzo Pazolini como candidato a governador.


Em troca do apoio a Pazolini, o PSD conseguiu emplacar a companheira de chapa do ex-prefeito de Vitória: a candidata a vice-governadora de Pazolini será a médica Lívia Vasconcelos, primeira-dama de Colatina.


Lívia é esposa de Renzo Vasconcelos, prefeito colatinense e presidente estadual do PSD.

Tudo isso deverá ser anunciado na convenção estadual do PSD, marcada para a noite desta quarta-feira (5), em um hotel de Vitória.


O acordo foi selado na véspera, entre quatro personagens capitais: de um lado, o casal Vasconcelos; do outro, Pazolini e o presidente estadual do Republicanos, Erick Musso.

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O pacto também prevê que o ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon (PSD) será o primeiro suplente de Evair de Melo (Republicanos), um dos dois candidatos ao Senado na mesma chapa. A outra é Maguinha Malta (PL).


Nesse arranjo final, confirmado reservadamente por fontes dos dois partidos, não há espaço para Meneguelli ser candidato ao Senado. O que resta ao PSD (leia-se Renzo) é tentar convencê-lo a ser candidato a deputado federal.


Mas Meneguelli já declarou à imprensa incontáveis vezes que só aceitaria ser candidato ao Senado (“Senado ou nada”). E que, se não conseguisse, terminaria o atual mandato na Assembleia Legislativa e voltaria para Colatina.


O risco, para Renzo Vasconcelos, é criar um inimigo político que poderá se voltar contra ele. Se se sentir ferido e traído, Meneguelli, em tese, pode se candidatar a prefeito de Colatina, contra o atual prefeito, em 2028. 

Bastidores da definição: reuniões secretas

Renzo Vasconcelos prometeu publicamente, mais de uma vez, que, entrando no PSD, Meneguelli teria legenda garantida para ser candidato ao Senado. O cumprimento da promessa (que agora não será cumprida mesmo) ficou cada vez mais difícil conforme foi se estreitando o período de definições de candidaturas e alianças eleitorais.


Em maio, o PSD declarou apoio a Pazolini. Mas, em meados de julho, o PL chegou à coligação do delegado e ex-prefeito. A primeira vaga ao Senado nessa coligação foi dada a Maguinha Malta, filha do presidente estadual do PL, Magno Malta. Além de emplacar a própria filha, este chegou vetando o nome de Meneguelli para a segunda vaga.


Assim, Renzo voltou atrás, tirou (momentaneamente) o PSD dessa coligação e reabriu conversas com o governador Ricardo Ferraço (MDB), candidato a mais um mandato.


A prioridade de Renzo realmente era cumprir sua palavra com Meneguelli. Para isso, tentou encaixar o deputado na chapa de Ricardo – e, de preferência, também, a sua esposa como companheira de chapa do governador.


Nada disso foi possível no time de Ricardo. A chapa do governador já está fechadinha. Ao Senado, os candidatos serão Renato Casagrande (PSB), que sempre teve lugar cativo, e Rose de Freitas (MDB), que se credenciou sobretudo via Brasília, chancelada pela direção nacional do MDB.


Ricardo não compraria essa briga a esta altura com a direção nacional do próprio partido e com siglas aliadas a ele, que já o apoiam há muito mais tempo, só para contemplar o pleito de um recém-chegado... Não rolou.


Na tarde de terça-feira (4), diplomaticamente, Ricardo recebeu o casal Vasconcelos e Sérgio Meneguelli, na Residência Oficial da Praia da Costa. O saldo dessa conversa final foi, basicamente, um educado “não” ao pleito do PSD, ouvido pelo trio.


“Sem  novidades”, resumiu o governador, em mensagem à coluna após o encontro.

Acoplar Meneguelli não era possível. Aceitar Lívia como candidata a vice? Horas antes, Ricardo anunciara o seu companheiro de chapa: o vereador de Vitória Camillo Neves (PP). Todos os espaços ali já estavam preenchidos.


Depois desse encontro com Ricardo, o casal Vasconcelos (só os dois, sem Meneguelli) teve outra reunião decisiva, mas dessa vez com Pazolini e Erick Musso.


Na verdade, durante todo esse tempo, enquanto Renzo batia a outras portas, os dois lados nunca deixaram de manter o diálogo. O Republicanos sempre manteve a vaga de vice de Pazolini “reservada” para Lívia, caso o PSD quisesse retornar. E foi o que eles concordaram em fazer.


Essa reunião definitiva ocorreu exatamente entre o encontro com Ricardo na Residência Oficial e a convenção estadual do Republicanos. Quando a convenção ocorreu, na noite de terça, o acordo já estava fechado.


Em entrevistas, Pazolini e Erick enfatizaram que as portas estavam abertas para o PSD (mas o PSD na verdade já havia entrado por essa porta...).


Não por acaso, também, o Republicanos registrou em ata que a candidatura a vice de Pazolini ficaria em aberto, a ser preenchida por membro do próprio partido ou de outra sigla coligada, conforme as deliberações a serem tomadas pela direção estadual. 

O que resta a Meneguelli? 

O grande efeito colateral desse acordo é que, mais uma vez, pela segunda eleição seguida, a pré-candidatura de Meneguelli ao Senado implode na hora H das definições, por decisão dos dirigentes do seu próprio partido.


Em 2022, ele estava no Republicanos. A sigla lhe negou a legenda para ser candidato ao Senado. Mesmo contrariado, ele acabou aceitando ser candidato a deputado estadual. E elegeu-se como o recordista de votos para o cargo no Espírito Santo.


Agora, no PSD, a tentativa será de convencê-lo a “descer” para a chapa federal do partido e tentar chegar à Câmara dos Deputados.


A leitura de dirigentes envolvidos é que uma candidatura à Câmara é muito mais viável para Meneguelli.


Como candidato ao Senado, ele teria uma disputa dificílima, contra Casagrande, Contarato (PT), Maguinha, Evair, entre outros.


Já se for candidato a federal, como puxador de votos da chapa do PSD, ele poderá “quebrar a banca” e ser um dos campeões de voto.


Com seus votos nominais e a ajuda dos outros candidatos da chapa, ele teria boas chances de garantir uma cadeira para si na bancada federal do Espírito Santo. E chegaria a Brasília, de igual modo.


Para isso, a chapa do partido precisaria atingir uma votação total estimada entre 180 mil e 200 mil votos.


Mas lembremos o que já disse Meneguelli inúmeras vezes: “Senado ou nada”. E ainda: “Não acredito em traição de Renzo. Ele é um homem de palavra, até onde eu sei. Nunca me deu motivos para não confiar nele”.

Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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