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Vitor Vogas

Quem está de verdade na disputa pela Câmara dos Deputados no ES

Quais partidos terão chapa completa? Quais os que realmente estão no páreo, com chances reais de fazer pelo menos um federal? E quais são os candidatos que estão de fato na briga por uma das 10 cadeiras?

Publicado em 13 de Agosto de 2026 às 05:00

Públicado em 

13 ago 2026 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Câmara dos Deputados Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Este texto é daqueles para guardar e cobrar o colunista mais à frente (precisamente, no dia 4 de outubro): exercício de antecipação – com base em nosso conhecimento sobre a realidade político-eleitoral capixaba e sobre os personagens envolvidos na disputa.


Hoje, arrisco-me a dizer que, no Espírito Santo, só meia-dúzia de partidos ou federações brigarão verdadeiramente pelas dez vagas em disputa na Câmara dos Deputados. Por ordem alfabética: a Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB), a Federação União Progressista (União Brasil e PP), o Partido Liberal (PL), o Partido Socialista Brasileiro (PSB), o Podemos e o Republicanos.


Esses seis partidos ou federações lançaram chapas completas no Estado (com 11 candidatos a federal, sendo pelo menos quatro mulheres). Com altíssima dose de realismo, podemos dizer que são essas as chapas que têm chances reais de eleger pelo menos um federal no Espírito Santo.


Como há dez assentos em jogo na bancada capixaba na Câmara, podemos afirmar que cada uma das seis referidas chapas tende a fazer de um a dois federais. Com menor probabilidade, alguma delas poderá chegar a três.


Mas o mais provável, analisando as relações de candidatos, é que quatro dessas chapas façam dois federais cada uma, e as outras duas elejam um só, numa combinação 2 + 2 + 2 + 2 + 1 + 1 = 10.


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Pode vir a ser eleito algum candidato a federal que não concorra por nenhuma dessas chapas? Pode. Como dissemos, isto é um exercício de projeção. Mas será uma surpresa daquelas...


A segunda projeção é a seguinte: “na real”, as nossas 10 cadeiras serão disputadas por um rol bastante restrito de candidatos, que não chega a 30 nomes (leia mais detalhes abaixo). 


Nestas eleições gerais, no Espírito Santo, teremos um número de candidatos a deputado federal sensivelmente menor do que tivemos nas duas eleições gerais mais recentes.


Como o prazo para requerimento de registros de candidaturas à Justiça Eleitoral vai até o próximo sábado (15), os números ainda não são definitivos. Executivas estaduais dos partidos e federações ainda podem substituir ou acrescentar candidatos, enquanto outros postulantes ainda podem renunciar.


Mas, a julgar pelas atas das convenções partidárias, temos, no momento, 135 potenciais candidatos à Câmara no Espírito Santo. Dá uma concorrência de 13,5 candidatos por vaga.


Como asseveramos, porém, o número de concorrentes com chances reais é de, no máximo, 30: três candidatos por vaga.


Segundo dados oficiais da Justiça Eleitoral, nas eleições gerais de 2018, o Espírito Santo teve 170 candidatos a deputado federal (uma concorrência de 17 candidatos por vaga). No pleito de 2022, o número subiu para 201 candidatos ao cargo (20 postulantes por vaga).


O Brasil tem hoje 30 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas relevantes, relevantes mesmo (em termos de competitividade), há algo em torno de 15. No Espírito Santo, menos. Com a onda de fusões, incorporações e federações vivida nos últimos anos, o quadro partidário tem ficado progressivamente mais enxuto.


Dirigentes partidários estimam que, para eleger um deputado federal no Espírito Santo, uma chapa terá de totalizar algo entre 170 mil e 210 mil votos.


Esse tende a ser o quociente eleitoral (número de votos válidos que serão dados para deputado federal no Estado no dia 4 de outubro, dividido pelo número de vagas em jogo).


O total de votos de uma chapa corresponde à soma dos votos nominais depositados em todos os candidatos da chapa, mais os votos de legenda (quando o eleitor vota no partido).


Cabe lembrar que, desde o pleito de 2022, partidos não podem se coligar na eleição para deputados. A última eleição com esse instituto foi a de 2018. Desde então, cada partido ou federação precisa montar e lançar a própria chapa para a Câmara Federal.


No Estado, só 15 partidos ou federações registraram, em ata, pelo menos um candidato a deputado federal. Apenas nove registraram chapa completa, com 11 concorrentes: foi o caso do Avante, da Democracia Cristã e da Federação Renovação Solidária, além dos seis citados acima (os que têm chances reais de eleger pelo menos um).


Entre os partidos ou federações que não registraram chapa para a Câmara dos Deputados, alguns chamam a atenção por terem muita história no país e grande importância no atual cenário eleitoral capixaba.


É o caso do MDB, que tem candidato a governador (o atual incumbente, Ricardo Ferraço) e também a senadora (Rose de Freitas), mas não conseguiu botar de pé uma “chapa de federais”.


O Partido Democrático Trabalhista (PDT), sigla do ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal, foi outro que só apresentou chapa de candidatos a deputado estadual.


O mesmo vale para a Federação PSDB/Cidadania. No Espírito Santo, o Cidadania praticamente sumiu. Já o PSDB, presidido há oito meses pelo prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, viu sua chapa de federais ruir em março.


Assim, a disputa real pelas dez vagas da bancada capixaba na Câmara dos Deputados no próximo mandato (2027/2030) ficará circunscrita a estas seis chapas, detalhadas abaixo. Cada uma poderá fazer de um a dois parlamentares. 

Passamos a especificar os nomes mais competitivos. 

Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB)

Chances maiores de eleição: Iriny, Jack Rocha e João Coser (todos do PT).

Correndo por fora: Rafael Primo (PT) e Dr. Nésio Fernandes (PCdoB).

Federação União Progressista (União Brasil e PP)

Chances maiores de eleição: Da Vitória (PP) e Marcelo Santos (União).


Correndo por fora: Messias Donato (União), Dr. Bruno Resende (União) e Amaro Neto (PP).


Há, ainda, a Capitã Andresa Bombeira (PP), uma incógnita nas urnas. Até hoje, ela só foi candidata a vice-governadora de Audifax Barcelos em 2022, mas seu real potencial nas urnas será aferido de verdade agora.


Esta é a chapa com maiores chances de, eventualmente, beliscar uma terceira vaga.

PL

Chances maiores de eleição: Gilvan da Federal e Lucas Polese. A votação total da chapa está bastante dependente desses dois.

Bom lembrar que Gilvan foi condenado à inelegibilidade em dezembro de 2025 e, no momento, está autorizado a participar do pleito por força de uma liminar concedida pelo ministro Nunes Marques, até que o TSE julgue o mérito do recurso dele. Não é uma situação 100% segura.

Correndo por fora: Neucimar Fraga e Carlos Von.

Podemos

Chances maiores de eleição: Serginho Vidigal e Gilson Daniel.

Correndo por fora: Guerino Balestrassi.

A chapa também tem Alessandro Broedel, Philipe Lemos, Renzo Mendes e a Capitã Estéfane, todos correndo ainda mais por fora.

PSB

Chances maiores de eleição: Tyago Hoffmann, Emanuela Pedroso (Manu), Freitas, Rafael Pacheco, Felipe Rigoni, Vitor de Angelo e Dr. Victor.


A chapa do partido do ex-governador Renato Casagrande (candidato ao Senado) é a “chapa dos ex-secretários”, pois reúne um número sem precedentes de ex-secretários de Estado. À exceção de Dr. Victor, que disputa a reeleição, todos estavam no alto escalão do governo Casagrande e renunciaram aos respectivos cargos em abril para se candidatarem.


É uma chapa muito nivelada, com enorme concorrência interna. Difícil cravar quem tem mais chances... Mas é possível apontar certo favoritismo para os três primeiros: Tyago, Manu e Freitas. 

Republicanos

Chances maiores de eleição: Capitão Assis, Erick Musso, Agente Dias, Coronel Ramalho e Manato.

Chapa muito nivelada. Difícil dizer quem tem maiores chances entre esses cinco. Mas, com a presente composição, a chapa poderá ter dificuldades para abocanhar uma segunda vaga.


Ainda há a possibilidade (embora remota) de Erick Musso acabar se tornando candidato a vice-governador de Lorenzo Pazolini (do próprio Republicanos), sendo substituído na chapa por outro integrante do partido. 

OUTRAS SITUAÇÕES

Estes partidos ou federações registraram chapas federais em convenção estadual, mas dificilmente conseguirão eleger alguém:


Avante: 11 candidatos


DC: 11 candidatos


Democrata: 2 candidatos

Federação Renovação Solidária: 11 candidatos


Federação PSol/Rede: 6 candidatos


Missão: 10 candidatos


Novo: 10 candidatos


PSD: 6 candidatos


Unidade Popular: 2 candidatos


Já estas agremiações têm candidatos a outros cargos eletivos no Espírito Santo, mas não chegaram a registrar chapa de federais:


Federação PSDB/Cidadania

MDB


PDT


PRTB

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Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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