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Gabriel Tebaldi

Desfazendo mitos da História do Brasil - parte 1

A leitura de Jorge Caldeira é urgente, uma revolução de pensamento sobre o Brasil e, por isso, nos debruçaremos sobre ela para desfazer mitos com fatos

Publicado em 27 de Julho de 2018 às 19:26

Públicado em 

27 jul 2018 às 19:26

Colunista

Jorge Caldeira: outros aspectos sobre a História do Brasil Crédito: Amarildo
Jorge Caldeira compõe uma rara espécie intelectual no Brasil: a de pesquisador empresário. Distante do improdutivo intelecto estatal, Caldeira reuniu tecnologia, processamento de dados, análises documentais, História, Antropologia, Sociologia, econometria e deu vida, em 2017, à obra “História da Riqueza no Brasil”. O clássico conta com 606 fontes primárias e secundárias e desfaz, um a um, os mitos da tradicional História do Brasil.
Assim aprendemos: o Brasil foi uma colônia com predominância de latifúndios, economia frágil, produção exclusiva para a metrópole, governo forte, população escrava e um povo indígena de subsistência que foi dizimado pelos europeus. Caldeira, porém, comprova como tudo não passa de balela.
Comecemos pelos indígenas. Enquanto visualizamos seres simples e em contemplação da natureza, os capítulos 1 e 2 demonstram que povos como o Tupi-Guarani possuíam técnicas sofisticadas de trabalho e precisavam de apenas três horas diárias para prover sua sobrevivência. No restante do dia, produziam estoques de milho, mandioca, tabaco e algodão.
A leitura de Jorge Caldeira é urgente, uma revolução de pensamento sobre o Brasil e, por isso, nos debruçaremos sobre ela para desfazer mitos com fatos
Enquanto pensamos em violência europeia generalizada, os capítulos 4 a 7 apresentam as habilidades de comércio do grupo tupi, suas alianças de mercado e a adaptação dos europeus aos costumes tribais. O êxito indígena no mercado levou, inclusive, à migração de tupis para a França, onde residiram na cidade de Rouen com a recepção do rei Henrique II, em 1550!
Embora pensemos numa nação pobre, os capítulos 9 a 11 nos mostram que em 1660 o mercado interno brasileiro estendia-se do Rio Grande do Norte ao Sul; de São Paulo à Bolívia; de Minas Gerais ao Amazonas, sempre em consonância com os nativos. O capítulo 19 comprova que entre 1799 e 1811, apenas 15% do que era produzido no Brasil ia para Portugal. Os outros 85% de riqueza eram gerados internamente!
A leitura de Jorge Caldeira é urgente, uma revolução de pensamento sobre o Brasil e, por isso, nos debruçaremos sobre ela para desfazer mitos com fatos. O alvo do próximo sábado será a lenda da “predominância latifundiária” e da “sociedade escravista”. Os números vão reescrever a história!

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