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Beatriz Seixas

Dúvidas sobre planos da Petrobras para o Espírito Santo

Adiamento de plataforma traz receio se investimentos serão concretizados

Publicado em 06 de Dezembro de 2018 às 22:20

Públicado em 

06 dez 2018 às 22:20
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

bseixas@redegazeta.com.br

Plataforma P-57, no Sul do Estado Crédito: Gildo Loyola/Arquivo GZ
O segmento de petróleo e gás tem grande importância para a economia do Espírito Santo. Atualmente, representa algo em torno de 20% do Produto Interno Bruto (PIB), patamar esse que foi sendo construído gradativamente a partir dos anos 2000, quando houve a descoberta de grandes campos petrolíferos, como o de Jubarte, e posteriormente de áreas do pré-sal, que fizeram com que o Estado chegasse até aqui como o terceiro maior produtor nacional de óleo, atrás do Rio e de São Paulo.
Considerando que o setor é responsável por criar muitos empregos, gerar renda, estimular o desenvolvimento de inovação e tecnologia, contribuir com a arrecadação e movimentar a cadeia de fornecedores, o que acontece e é anunciado por grandes players da área em muito interessa e repercute por aqui.
A divulgação, na última quarta-feira, do Plano de Negócios e Gestão (PNG) da Petrobras para o período de 2019 a 2023 é um exemplo disso. A estatal prevê investir US$ 84,1 bilhões nos próximos cinco anos no país, volume 13% maior do que o do plano anterior, o que demonstra a recuperação da empresa, após os escândalos de corrupção, e do próprio segmento, que enfrentou preços muito baixos do barril de petróleo.
Mas se o PNG de forma global traz bons indicativos para o setor, localmente existem alguns pontos que devem ser considerados, como o adiamento do principal projeto previsto para o Espírito Santo, o chamado Integrado Parque das Baleias, que trata-se da instalação de um navio-plataforma no Litoral Sul capixaba para a produção de petróleo e gás no pós e no pré-sal. Um investimento de mais de R$ 1,5 bilhão.
A operação dessa unidade foi adiada em cerca de um ano, migrando o início das atividades de 2021 para 2022. O motivo da alteração de cronograma, entretanto, até agora a Petrobras não esclareceu. O que pode ser uma mudança trivial, apenas com adequações de datas, quando não vem acompanhada de um esclarecimento por parte da empresa, faz com que situações de um passado recente inevitavelmente sejam lembradas e temidas.
E aí, neste caso, falo do receio do projeto começar a ser empurrado para frente, ano após ano, até ser cancelado, assim como aconteceu com outros que chegaram a ser anunciados em planos anteriores, mas nunca saíram do papel. A lista de empreendimentos que passaram por circunstâncias semelhantes no Espírito Santo é extensa, sendo o Polo Gás-Químico (UFN-IV), em Linhares, o mais emblemático deles.
O polo, um investimento à época de US$ 4 bilhões, foi apresentado no PNG pela primeira vez em 2010, com previsão de operar em 2015. No ano seguinte, o início das atividades foi postergado para 2017. Em 2012 e 2013, ele figurava como um negócio em avaliação. Até que em 2014 saiu de vez do radar da Petrobras e nunca mais voltou, fruto inclusive da mudança de estratégia da companhia, que desistiu de realizar investimentos na área de fertilizantes e passou a focar nos projetos para a exploração e produção do pré-sal.
Além do Polo Gás-Químico, tiveram outras promessas e protocolos de intenções assinados sem êxito. A exemplo da construção de uma base portuária em Ubu, que deveria ficar pronta em 2016, e do terminal de GNL, que teria suas obras iniciadas em 2013, mas ambos não avançaram.
No caso de plataformas, a instabilidade dos projetos se repetiu. Duas unidades produtivas – a ES Águas Profundas e a Sul Parque das Baleias – foram projetadas inicialmente para estarem operando neste ano. Mas em 2015 elas foram suspensas do plano de negócios da Petrobras. E só no PNG 2017-2021 é que uma dessas embarcações voltou, mas sendo chamada de projeto Integrado Parque das Baleias, justamente a unidade que agora deixa dúvidas sobre o seu futuro.
Soma-se à ausência de justificativa para as mudanças feitas no PNG 2019-2023 – e aí vale destacar que este ano o plano estratégico não foi apresentado à imprensa como tradicionalmente acontecia – os rumores de que o futuro presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, pretende rever o plano de investimentos que foi anunciado. O que pode mexer ainda mais com projetos que estavam no escopo da petrolífera.
O que é fundamental deixar claro é que aqui não há uma defesa para que os planos da Petrobras ou de qualquer companhia se mantenham exatamente iguais aos da época da sua concepção. O mundo dinâmico, tecnológico e global não permite que as estratégias das empresas sejam engessadas, ainda mais considerando todos os ajustes que a Petrobras precisou e precisará passar para se livrar dos problemas ligados à corrupção. Mas o que não dá para tolerar é a falta de transparência. Disso não podemos abrir mão.
Saúde para investir
O grupo Linhares Medical Center vai anunciar hoje um investimento de R$ 60 milhões na construção de um hospital particular de alta complexidade em Linhares, no bairro Três Barras. A previsão é que as obras já comecem no próximo mês e gerem cerca de 200 empregos. O executivo da empresa, Wallace Aguiar de Medeiros, vai detalhar o projeto em cerimônia com o prefeito Guerino Zanon, além de outras autoridades.
Reconhecimento sofrido
A relação de “poucos amigos” entre o governador eleito Renato Casagrande (PSB) e o atual chefe do Executivo, Paulo Hartung (sem partido), já é mais do que conhecida. Agora, o que é curioso nesse período de transição de governo é que, vez ou outra, o socialista acaba tendo que reconhecer méritos da equipe do seu arquirrival. Em recente coletiva, Casagrande elogiou, por exemplo, o trabalho que vem sendo feito no Banestes.
Eco$nomia - Tirinha do Arabson - 07/12/2018 Crédito: Arabson

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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