RIO - A Vale confirmou nesta terça-feira (22) a compra de 30% da mineradora Ligga S.A., sua vizinha na região de Carajás (PA). O negócio, de US$ 190 milhões (R$ 950 milhões), prevê obras de expansão da produção e exclusividade na compra do minério produzido.
A operação é parte de estratégia da Vale para garantir acesso rápido a volumes adicionais de minério de ferro. "A parceria segue um modelo de baixa intensidade de capital, permitindo incorporar reservas consolidadas sem os investimentos e prazos regulatórios de novos projetos", afirmou a empresa.
A Ligga opera a mina Ferro Sul, localizada nos municípios de Parauapebas e Curionópolis, a cerca de 70 quilômetros do complexo Carajás, o segundo maior produtor de minério da Vale. Fica próxima também da ferrovia que leva a produção a porto no Maranhão.
A Vale informou que o negócio prevê investimentos na ampliação da produção da mina da Ligga, que passará de dois para oito milhões de toneladas, com início de operações previsto para junho de 2028.
Contempla ainda a assinatura de um contrato para a compra, pela Vale, de toda a produção de sinter feed – tipo de minério de ferro em forma de pó com granulometria usado essencialmente na fabricação de aço – produzido pela Ligga.
"Esse contrato permitirá à companhia assegurar acesso de longo prazo a volumes adicionais de minério de ferro de boa qualidade, ampliando a flexibilidade de seu portfólio no Sistema Norte, com menor intensidade de capital e integração à infraestrutura logística existente", disse a Vale.
A empresa toca hoje um grande projeto na região, batizado de Novo Carajás, com investimentos de R$ 70 bilhões na expansão da produção de minério de ferro e de cobre – lançado no início de 2025 com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em um esforço de reaproximação com o governo.
Em apresentações recentes, o presidente da mineradora, Gustavo Pimenta, afirmava que a estratégia era focar o orçamento em crescimento orgânico, de suas próprias atividades, o que contrasta com a operação anunciada nesta terça (22).
A conclusão da transação com a Ligga permanece sujeita às aprovações corporativas e regulatórias usuais, acrescentou a mineradora.