Sair
Assine
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Editorial
  • O que "Borgen" pode ensinar sobre uso de dinheiro público em gastos pessoais
Opinião da Gazeta

O que "Borgen" pode ensinar sobre uso de dinheiro público em gastos pessoais

Na série da Netflix que se passa na Dinamarca, uso indevido de cartão corporativo abala o governo. No Brasil, irregularidades como essa se perpetuam em um ambiente patrimonialista

Publicado em 04 de Novembro de 2020 às 05:00

Públicado em 

04 nov 2020 às 05:00

Colunista

Senador Flavio Bolsonaro
Senador Flavio Bolsonaro Crédito: Beto Barata/Senado
Qualquer brasileiro que comece a assistir à série "Borgen", na Netflix, invariavelmente sente uma ponta de inveja. Totalmente perdoável, diga-se de passagem, diante das insistentes e extenuantes tramas políticas nacionais. Para quem não sabe do que se trata, o nome da atração faz referência ao apelido do Palácio de Christiansborg, onde estão sediados os três poderes dinamarqueses.
Sim, é uma série política escandinava, tão distante no mapa e nos princípios éticos, na qual o uso irregular — de uma forma excepcional, vale ressaltar — do cartão corporativo pelo primeiro-ministro é suficiente para balançar o governo. A transparência está tão arraigada à cultura política dinamarquesa que salta aos olhos o impacto que uma única compra — de valor elevado, é verdade — causa na opinião pública do país.
Já no Brasil, o cartão corporativo é uma caixa-preta. Em maio, o Estadão revelou que os gastos com cartão corporativo da Presidência da República, usado para custear despesas sigilosas de Bolsonaro, dobraram nos quatro primeiros meses de 2020, na comparação com o mesmo período do ano passado, no início do mandato.
O veículo entrou com uma ação para que houvesse o detalhamento dessas despesas, “de forma discriminada e acompanhada dos correspondentes documentos comprobatórios, inclusive aquelas classificadas como sigilosas”. Em setembro passado, o Ministério Público Federal em São Paulo (MPF) encaminhou parecer favorável à solicitação do jornal à Justiça Federal. Qualquer governo, de qualquer país, deveria ter o compromisso com essa prestação de contas com seu povo, mas no Brasil o acesso a esses gastos é restrito. Questão de segurança...
Mas há avanços, mesmo que rastejantes. Até o ano passado,  a verificação de gastos de senadores, mediante reembolsos, era impossibilitada, já que o Senado não disponibilizava essas informações. Foi por meio desse procedimento que o site Metrópoles teve acesso à informação de que o senador Flavio Bolsonaro fez uso da cota para o exercício de atividade parlamentar para viajar até Fernando de Noronha a passeio no último feriadão.
A revelação jornalística se deu enquanto o filho do presidente ainda se encontrava no arquipélago com a esposa. A justificativa veio rapidamente: "O gabinete do senador Flávio Bolsonaro informa que houve um equívoco da equipe que emitiu as passagens para Fernando de Noronha. As passagens foram pagas pelo próprio senador, mas a equipe, por engano, pediu reembolso". O valor: R$ 1.617,66.
Ainda na sexta-feira (30), a assessoria do senador também informou que não havia compromissos oficiais do senador na ilha ou durante o feriado. Nesta terça-feira (03), contudo, a mesma equipe divulgou nota afirmando que a viagem ocorreu “a serviço”, um convite feito pelo Conselho Distrital da ilha. Ao que parece, um caso bem conveniente de dupla personalidade.
Enquanto o gabinete do filho do presidente se enrola nas explicações, o episódio mostra o quanto a transparência é indispensável, principalmente em um país no qual o patrimonialismo não consegue se dissociar de quem ocupa cargos públicos. O acesso ao poder causa uma confusão que já está arraigada à cultura política, na qual não existem fronteiras entre o público e o privado.
O uso de dinheiro público para qualquer finalidade pessoal não pode permanecer normalizado. A cada denúncia, e o jornalismo profissional e vigilante está sempre alerta, há o reforço de que autoridades que se apropriam de recursos públicos estão agindo contra o bem comum. Quanto mais transparente for o país no trato de seu patrimônio público, mais perto se estará da  Dinamarca de "Borgen".

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

As eleições presidenciais continuam em aberto: cadê a terceira via?
Aniversário de 80 anos de Nelson Ferlin
Nelson Ferlin celebra 80 anos com festa em família em Vila Velha
Unidade da Audionova inaugurada em 2024 em São Paulo
Multinacional suíça anuncia compra de empresa capixaba

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados