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Opinião da Gazeta

Tragédia em Capitólio, em Minas, deve servir de alerta para o turismo

É preciso cobrar das autoridades responsáveis pelo turismo o monitoramento contínuo de áreas naturais que possam oferecer riscos aos visitantes, com planos de contingência bem-elaborados

Publicado em 14 de Janeiro de 2022 às 02:00

Públicado em 

14 jan 2022 às 02:00

Colunista

Furnas
Rocha desaba em Capitólio-MG, atingindo barcos Crédito: Reprodução/Redes sociais
As imagens do desabamento de um paredão rochoso no lago de Furnas, em Capitólio (MG), no último sábado (8), impressionam pelo flagrante de uma catástrofe natural de difícil previsibilidade. O cânion é um destino cada vez mais procurado de turismo doméstico, e em pleno período de férias a visitação de lanchas no local transcorria normalmente, sem que as chuvas intensas que atingem a região tivessem levado as autoridades locais a interromper o fluxo de turistas, por segurança. Uma omissão que acabou provocando dez mortes.
O imponderável, contudo, não suprime as possíveis responsabilidades. Trata-se de uma área desapropriada pela União para a construção da Hidrelétrica de Furnas que foi concedida à usina, que afirmou em nota não possuir a  "concessão do lago, mas sim do serviço de geração de energia elétrica por meio da água do reservatório".
O Ministério Público Federal de Minas Gerais informou que o licenciamento ambiental até hoje não foi concluído, para disciplinar o uso da área. E, como é comum no Brasil, a burocracia abre brechas para que ninguém se responsabilize.
Contudo, o poder público em suas esferas (municípios, Estado e União) não pode se omitir de seu papel fiscalizador. E disciplinador. O mínimo esperado é que houvesse estudos geológicos, atualizados periodicamente, que colocassem uma escala de riscos, sobretudo após grandes volumes de chuva. A prefeitura de Capitólio admitiu que nunca houve um mapeamento da região
A indústria do turismo não deve se ocupar somente do desenvolvimento de redes hoteleiras e de serviços de lazer. Sobretudo quando se trata de paisagens naturais, onde o risco nem sempre pode ser calculado, mas sempre existe, é preciso algum mecanismo de controle e fiscalização para que a diversão não se transforme em dor. Faltam políticas públicas que garantam a segurança de quem frequenta praias, lagos e cachoeiras. Falta um turismo mais profissional e sustentável, preocupado com os impactos ambientais, não somente com a infraestrutura. Não é por pouco que o potencial do país nesse setor nunca é atingido.
É inaceitável  que no cânion de Furnas não houvesse normas rígidas de segurança para impedir que as lanchas se aproximassem demais dos paredões ou que condições meteorológicas adversas suspendessem imediatamente os passeios. E, se o poder público permanece passivo, os cuidados com a segurança acabam recaindo sobre o próprio visitante.  Não somente procurar guias licenciados, mas buscar se informar sobre as condições recentes do local, bem como verificar boletins meteorológicos. E, se não tiver confiança nas informações colhidas ou nos serviços oferecidos, não se arriscar em um passeio que pode ser sem volta.

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