Sair
Assine
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Editorial
  • Venda de imóveis do governo federal é o famoso ganha-ganha
Opinião da Gazeta

Venda de imóveis do governo federal é o famoso ganha-ganha

No Espírito Santo, galpões do IBC estão entre bens dos quais a União vai se desfazer. Além de ajudar a recompor os cofres públicos, venda dá fim à situação de abandono de algumas propriedades e impulsiona a criação de empregos

Publicado em 24 de Julho de 2020 às 06:00

Públicado em 

24 jul 2020 às 06:00

Colunista

Galpões do IBC, em Jardim da Penha
Galpões do IBC, em Jardim da Penha Crédito: Conab/Divulgação
O anúncio de que 12 imóveis pertencentes à União no Espírito Santo serão postos à venda até o final do ano é um ganha-ganha. Ajuda o governo federal a recompor o caixa, esvaziado após o aumento dos gastos na resposta à pandemia do novo coronavírus, dá fim à situação de abandono de algumas dessas propriedades e impulsiona a criação de empregos.
A alienação dos bens integra um movimento iniciado no mês passado pelo governo federal de se desfazer de imóveis vagos e sem uso, que no momento trazem apenas ônus com os custos de manutenção, mesmo que precária. Foram mapeados 3.800 imóveis nessas condições no Brasil, que podem render aos cofres federais R$ 30 bilhões nos próximos três anos. Quase dois mil deles sairão das mãos da União até o fim de 2020.
No Estado, o caso mais emblemático é o dos galpões do Instituto Brasileiro do Café, em Vitória, com edital previsto para novembro. O imóvel representa R$ 35 milhões dos R$ 60 milhões que a União espera arrecadar com os repasses no Espírito Santo. Um terreno na Av. Vitória e um campo de futebol em Santa Lúcia, na Capital, também têm lances mínimos vultosos.
A venda dos galpões vai encerrar uma novela. Para os moradores de Jardim da Penha, onde ficam os prédios hoje pertencentes à Companhia Nacional de Abastecimento, as imensas estruturas no coração do bairro são um elefante branco. Debates, audiências e abaixo-assinados atravessaram décadas para que o espaço ganhasse fito mais útil à população.
A ideia de transformá-lo em centro cultural, por exemplo, existe desde os anos 1980, antes mesmo da desativação do IBC em 1992. A revitalização chegou a ser tema de projeto de alunos de Arquitetura na Ufes em 1985, embalado por outro reúso bem-sucedido de armazéns abandonados em Vitória, com a inauguração do Centro Cultural Carmélia Maria de Souza, três anos antes.
O destino dos galpões depende, é claro, do vencedor do edital. Especialistas do setor imobiliário especulam que os 33 mil m² de área devem transformar-se em condomínio de apartamentos ou centro comercial, dado o alto potencial da região para empreendimentos residenciais e comerciais. Seja qual for o rumo, a alienação de um terreno subutilizado da União é para ser comemorada. Reduzir gastos, aumentar a arrecadação e alavancar a geração de postos de trabalho deve estar na cartilha de qualquer gestão, a qualquer momento, mas sobretudo no “novo normal”.
A venda de imóveis subutilizados era uma demanda antiga da sociedade por mais eficiência nos gastos públicos. Prédios, salas comerciais, apartamentos e terrenos que pertencem à União compõem um patrimônio de cerca de R$ 1,3 trilhão, boa parte mal-administrada. São profícuos os casos de imóveis depredados ou invadidos, o que levou o economista Gil Castello Branco, fundador da Associação Contas Abertas, a classificar a União de “a maior e pior imobiliária do mundo”.
O Planalto está ciente que a missão, embora bem-intencionada, não será fácil. O cenário de crise que esfacelou os cofres públicos é o mesmo que afasta investidores - tanto que planos de desestatização foram colocados em banho-maria. Ciente do desafio, Bolsonaro sancionou em junho a lei que facilita a venda de imóveis da União ao, entre outras medidas, desburocratizar processos e permitir descontos caso o primeiro leilão fracasse. As fundações estão prontas para que a gestão de patrimônio finalmente reverta a má fama.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

As eleições presidenciais continuam em aberto: cadê a terceira via?
Aniversário de 80 anos de Nelson Ferlin
Nelson Ferlin celebra 80 anos com festa em família em Vila Velha
Unidade da Audionova inaugurada em 2024 em São Paulo
Multinacional suíça anuncia compra de empresa capixaba

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados