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Virou lei

Os "chapeuzinhos" que transformaram cidade na capital capixaba do capeletti

O tradicional prato de origem italiana se notabilizou e virou parte da cultura de Marilândia, que fez com que o município recebesse o reconhecimento pela Assembleia Legislativa; descubra mais sobre esta delícia

Publicado em 10 de Setembro de 2025 às 16:17

Lucas Gaviorno

Publicado em 

10 set 2025 às 16:17
"Pequenos chapéus". Este é o significado do nome de uma massa bastante conhecida entre os capixabas, principalmente dos descendentes italianos. O capeletti é um prato delicioso, amado por muitos e que se notabilizou em um município da região Noroeste do Espírito Santo.
Devido à tradição do preparo do prato costumeiramente recheado com carne de frango e/ou queijo, Marilândia se tornou a Capital Estadual do Capeletti no início de agosto deste ano, após a aprovação de um Projeto de Lei (PL) (Lei nº 12.522) na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) – e sanção do governador Renato Casagrande – por conta da forte presença da massa caseira na economia local, além de se tornar um verdadeiro símbolo cultural do município.
A tradição do preparo da iguaria possui ligação direta com a chegada de imigrantes italianos no início do século XX à região. Essas famílias europeias trouxeram hábitos e costumes que se enraizaram não só em Marilândia, mas em diversos municípios do interior do Estado, moldando parte da cultura local, sendo a culinária um dos pontos mais forte desta adaptação das tradições italianas aos hábitos brasileiros. Até hoje, diversos marilandenses produzem o capeletti, seja para consumo próprio ou para vendas. 
As mulheres são quem mais colocam a mão na massa na produção dos "chapeuzinhos", um a um. Orgulhosas em perpetuarem a tradição familiar, elas se sentem ainda mais satisfeitas pelo reconhecimento de Marilândia como a capital capixaba da iguaria. Para a presidente da Associação de Mulheres Agricultoras de Alto Patrão-Mor, Neia Maroto, não há um jeito certo para moldar e modelar a massa, pois cada pessoa coloca a própria "identidade".
Cada uma aqui faz do seu jeito, ninguém aqui copia o outro. Depois que você começa a praticar a dobra, ela vai tomando uma forma que só você sabe fazer
Neia Maroto - Presidente da Associação de Mulheres Agricultoras de Alto Patrão-Mor

Fonte de renda

Além de agradar aos paladares, o capeletti também é fonte de renda para diversas mulheres da associação, caso da Rozinaide Godio.
"Mesmo que sejamos agricultoras, a venda do capeletti auxilia na renda familiar, pois ajuda na compra de algumas coisas", disse a associada. As mulheres da associação se encontram duas vezes por semana para produzirem o capeletti de frango, que são vendidos na Feira da Agricultura Familiar do município aos sábados.
Mulheres da Associação de Mulheres Agricultoras de Alto Patrão-Mor, em Marilândia, preparando o capeletti
Mulheres da Associação de Mulheres Agricultoras de Alto Patrão-Mor preparando o tradicional capeletti Crédito: Roger Botelho
A cidade produz o capeletti em larga escala, principalmente em grandes eventos do município, como a Festa da Colônia Italiana, realizada anualmente e que atrai tanto os moraores locais quanto de outras cidades do Estado, aquecendo o turismo e a economia de Marilândia.
A produção da massa recheada costuma ultrapassar os 600 quilos em algumas edições, sendo distribuída aos frequentadores da festa de forma gratuita em uma panela gigante, montada especialmente para o evento – semelhante ao que acontece na Festa da Polenta, em Venda Nova do Imigrante.

Receita do capeletti

Em Marilândia, a receita da massa passada de geração em geração é feita à base de farinha de trigo, ovos, e recheada com carne moída de frango, sendo que cada unidade é feita de forma artesanal e mexida com as mãos até se obter uma boa consistência.
Após este processo, a massa é levada ao cilindro para ficar mais firme e uniforme. Os marilandenses já consideram o prato como um símbolo da cidade. Somado a isso, é também tradição aos domingo reunir a família para se deliciar com a massa de origem italiana, geralmente servida quente, acompanhada de queijo ralado e até mesmo pão.
Mais de 600 quilos de capeletti foram servidos na Festa da Colônia Italiana de Marilândia
Cerca de 600 quilos de capeletti são produzidos e servidos gratuitamente na Festa da Colônia Italiana de Marilândia Crédito: PMM/Divulgação
Além de parar no prato de muitas famílias, a iguaria ganha espaço em diversos locais da cidade, como projetos locais, associações, entre outras entidades, como forma de resgatar e manter viva a cultura italiana no município.
O prefeito do município, Gutim Astori (PSB), acredita que o reconhecimento recebido pode fazer com que a economia local cresça. "Este título fortalece o empreendedorismo de quem fabrica o capeletti, além de valorizar as raízes culturais e as tradições da nossa cidade", disse.
*Com informações de Enzo Teixeira, da TV Gazeta Noroste

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