Adorada por muitos, mas temida por vários. Essa é a definição da prova de Ciências da Natureza no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que será aplicado nos dias 9 e 16 de novembro. Unindo as disciplinas de biologia, química e física, as questões tendem a exigir um alto nível de concentração e memória, tanto para a interpretação do enunciado quanto para a aplicação dos conceitos.
Especialistas apontam que o foco deve ser na prática, com os exercícios de fixação sendo essenciais para testar os conhecimentos absorvidos até agora. Além disso, dentro da prova — que será aplicada no segundo domingo do exame —, tabelas e gráficos costumam estar presentes nas três disciplinas, colocando diferentes formas de interpretação em jogo.
Química: estudos + descanso = sucesso!
Em uma equação de reação de um participante do Enem, todos os ingredientes (ou conteúdos) devem ser dispostos na mesma proporção. O professor de química Filipe Barros ressalta que o momento pede sobriedade e equilíbrio emocional, psicológico e físico. “[Os participantes] Devem buscar concentração, fazendo o possível para não se afligirem com qualquer dificuldade que encontrarem nessa reta final”, aconselha.
Dentre os principais temas para a prova, ele destaca:
- Propriedades da matéria e separação de misturas (polaridade e solubilidade);
- Cálculos químicos e estequiométricos (proporção e balanceamento);
- Concentrações de soluções e titulação;
- Termoquímica, associada a combustíveis e poluição;
- Cinética química, com foco em fatores que afetam a velocidade das reações;
- Eletroquímica, com destaque para as Leis de Faraday e cálculos de DDP;
- Equilíbrio iônico, pH e deslocamento de equilíbrio;
- Compostos orgânicos (polaridade, interações, funções e isomeria).
A recomendação é sempre observar o comando da questão e administrar o tempo, resolvendo primeiro as perguntas fáceis e medianas, deixando as mais complexas para o final. Para além disso, na véspera da prova, descansar é imprescindível para suportar o tempo de concentração do exame.
Costumo dizer que a preparação para o Enem é semelhante ao treino para uma maratona, não para os 100 metros rasos. É preciso armazenar energia para a última reta dessa jornada
Física: foco em revisão e prática
Essa é uma disciplina que pode assustar muita gente. Na física, além dos cálculos, que correspondem somente à parte matemática, a interpretação dos fatos narrados no enunciado também são fundamentais.
O professor Bruno Costa reforça que a etapa final da preparação deve priorizar revisões e exercícios práticos. “O que deu para absorver de conteúdo foi feito. Agora é hora de revisar e treinar com provas antigas, para entender como o Enem cobra os conteúdos”, explica.
Bruno destaca que, segundo a frequência e a matriz de competências e habilidades do Enem, esses são os temas com maior probabilidade de cair:
- Eletrodinâmica (circuitos elétricos);
- Ondulatória (estudo das ondas);
- Termologia;
- Mecânica.
O ideal é que o aluno tenha contato direto com questões já aplicadas, para perceber padrões e desenvolver segurança na resolução
Biologia: menos conta, mais conceito
A biologia é a ciência que estuda a vida em todas as suas formas e processos, desde a origem e evolução dos organismos até as interações entre eles e o ambiente. De acordo com o professor Paulo Victor Scherrer, a biologia no Enem gira em torno de quatro grandes eixos que aparecem com frequência:
- Meio ambiente e conservação – questões de ecologia e desequilíbrios ambientais, com análises de impacto e sustentabilidade.
- Fisiologia e saúde – funcionamento dos sistemas do corpo humano, alimentação, nutrição e doenças, com enfoque em prevenção e saúde coletiva.
- Metabolismo celular – respiração celular, fermentação e processos energéticos essenciais ao funcionamento do organismo.
- DNA e biotecnologia – funções do material genético, manipulação biotecnológica e aplicações práticas.
Nos últimos anos, temas como imunologia e vacinas têm ganhado destaque. Para Scherrer, biologia é a disciplina menos dependente de cálculos, mas exige sólida compreensão conceitual.
O Enem não pede memorização de nomes ou termos, mas cobra o entendimento profundo dos conceitos básicos. A questão é sempre contextualizada, exige análise de situações e aplicação prática
Entre os pontos de atenção, ele cita o conceito de código genético, frequentemente cobrado e muitas vezes confundido pelos estudantes. “É fundamental revisar as bases da disciplina, como ecologia, citologia e citogenética, e treinar bastante com provas anteriores para se familiarizar com o estilo das questões”, assinala.