As condições climáticas podem agravar o risco de novos deslizamentos no terreno onde o dono de uma distribuidora e três operários morreram soterrados durante uma obra em Nova Rosa da Penha II, em Cariacica. O alerta foi feito pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES), após vistoria realizada na manhã deste sábado (1º).
Segundo os técnicos, o terreno permanece instável e será necessária uma obra de estabilização antes que os moradores do prédio interditado, localizado acima da área do deslizamento, possam retornar às suas casas.
De acordo com o engenheiro fiscal do Crea-ES, Juliano Battisti, as variações climáticas, como chuva, sol e vento, podem comprometer ainda mais a estabilidade do solo. Por isso, a reocupação do imóvel somente será permitida após a execução das obras necessárias e a emissão de laudos técnicos por profissionais habilitados e pelos órgãos competentes, incluindo a Defesa Civil.
Durante a vistoria, os fiscais também constataram indícios de que a obra era executada sem responsáveis técnicos e identificaram irregularidades na escavação do terreno.
Segundo Battisti, os trabalhadores preparavam a estrutura para a construção de um muro de arrimo quando a escavação avançou além do limite permitido. Com o deslizamento, houve uma grande perda de massa de um solo predominantemente argiloso, reduzindo a sustentação da área.
"O imóvel que está logo acima corre risco, pois houve muita perda de sustentação do solo. Não podemos dizer que ele está condenado, pois é possível realizar um trabalho de estabilização e recuperação da estrutura abaixo. A liberação ocorrerá somente após a assinatura de responsáveis técnicos e da Defesa Civil", afirmou o engenheiro.
O representante do Crea-ES também alertou para os riscos da execução de obras sem projeto e sem acompanhamento de um profissional habilitado.
"Quando não se seguem essas regras, infelizmente, as pessoas ficam expostas a situações de risco. Uma maneira de identificar se uma obra está irregular é observar se os trabalhadores estão usando equipamentos de proteção e se foram feitos cortes irregulares no terreno", explicou.
Segundo Battisti, a escavação deveria ter sido executada em níveis, e não com um corte praticamente vertical.
"O terreno precisava ser escavado em níveis, e não em um ângulo de 90°, como estava sendo feito. Infelizmente, a intervenção ocorria totalmente fora das normas técnicas e de segurança. Por isso, ocorreu o deslizamento. O corte chegou a um ponto em que o solo, devido às suas características, não suportou a inclinação e cedeu ao seu estado natural", concluiu.
O Crea-ES informou que denúncias sobre obras com indícios de irregularidades podem ser feitas de forma on-line pelo site da autarquia. Após o registro, equipes de fiscalização podem ser enviadas ao local para verificar a situação.
*Com informações da repórter Isabelle Oliveira, da TV Gazeta.
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