A gestora de recursos do grupo capixaba Apex Partners vendeu cerca de 17 milhões de ações da CVC quinta-feira (13), em meio à crise financeira que atinge o grupo. As informações são do Valor Econômico, com base em fontes ouvidas pelo jornal.
Segundo a apuração, os papéis haviam sido adquiridos por meio de operações a termo, modalidade em que a compra é acertada por um preço determinado para liquidação em uma data futura e exige a apresentação de garantias.
Com o agravamento da crise e os impactos sobre a imagem da gestora, a Apex não teria conseguido renovar essas operações e precisou se desfazer das ações.
Parte significativa dos papéis foi negociada durante o pregão da bolsa de quinta-feira. Um bloco de aproximadamente 9 milhões de ações teria sido vendido por volta das 16 horas. Segundo as fontes citadas pelo Valor, o fundo Absolute, que já possui participação na CVC e vinha reduzindo sua posição na empresa, comprou metade desse bloco.
Com as vendas, a participação dos fundos da Apex na CVC teria caído de aproximadamente 15,5% para 7,97%.
A venda ocorre após a CVC anunciar os resultados de mercado da empresa. O prejuízo líquido ajustado da companhia mais do que triplicou no segundo trimestre de 2026 na comparação com o mesmo período de 2025: R$ 51,3 milhões no negativo, neste ano, contra R$ 15,9 milhões em 2025. A receita líquida consolidada foi de R$ 319,5 milhões, uma queda de 6,5% na comparação com o mesmo trimestre do ano passado.
A Apex começou a comprar ações da CVC em 2023 por meio de um fundo ligado à Carbyne, gestora de recursos da casa capixaba, o BRM Carbyne Voyage.
Segundo o colunista de A Gazeta Abdo Filho, no modelo criado para atrair investidores para o fundo, o investidor ficaria com a valorização das ações caso elas subissem, mas receberia ao menos 100% do CDI (hoje em algo perto de 14% ao ano) se caíssem ou ficassem estagnadas.
No começo da tarde de quinta-feira (13), as ações caíram quase 9%, a R$ 1,23. Em um ano, a queda das ações da CVC é de 40%. O BRM Carbyne Voyage tem mais de 500 cotistas e R$ 63,5 milhões de patrimônio. No ano, a desvalorização da cota está em 63,9%.
A negociação das ações também pode ter consequências sobre um acordo firmado entre os fundos ligados à Apex e a família Paulus, fundadora da CVC.
Segundo fontes ouvidas pelo Valor Econômico, a venda representaria uma violação de uma cláusula do acordo firmado em abril deste ano. Com isso, haveria a possibilidade de encerramento do acordo.
Juntos, os fundos que fazem parte do acordo detinham aproximadamente 35% do capital da CVC.
Procurada pela reportagem, a CVC evitou falar do assunto e afirmou que só terá acesso informações sobre às movimentações ocorridas na quinta-feira (13) a partir da próxima terça-feira (18), a não ser que o acionista que comprou ou vendeu avise a companhia.
Durante a apresentação dos resultados na última quarta-feira (12), Felipe Gomes, CFO e diretor de Relações com Investidores da CVC Corp, reforçou que a relação da CVC com a Apex se resume à participação societária, visto que a CVC possui capital aberto para qualquer um que queira comprar ações da companhia, mas que não há nenhuma relação financeira, de garantia ou contrato de crédito firmado com o grupo capixaba.
Procurada sobre o tema, a Apex Partners confirmou a venda das ações administradas pela Carbyne e a redução na participação no capital social da CVC Corp. Segundo a empresa, a decisão foi tomada em linha com a estratégia de gestão e alocação própria dos veículos.
O grupo afirmou que essa estrutura assegura que os recursos resultantes das movimentações dos fundos permaneçam vinculados exclusivamente aos seus cotistas. Disse, ainda, que todas as operações foram realizadas em bolsa e formalmente comunicadas à CVC em cumprimento à regulamentação. Confira a nota na íntegra abaixo:
Nota da Apex Partners
"Os fundos administrados pela gestora Carbyne Investimentos reduziram suas participações em CVC Corp, conforme comunicado ao mercado nesta sexta-feira, 14 de agosto. A decisão foi tomada em linha com a estratégia de gestão e alocação própria dos veículos.
Estes fundos possuem estrutura própria e independente de administração fiduciária e custódia, exercidas por instituições financeiras como BTG Pactual e Banco Daycoval, conforme cada veículo, observando a legislação e a regulamentação aplicáveis.
Essa estrutura assegura que os recursos resultantes das movimentações dos fundos permaneçam vinculados exclusivamente aos seus cotistas. A exposição dos cotistas está restrita aos ativos que compõem o patrimônio de cada fundo.
Desta forma, os efeitos das movimentações realizadas na posição em CVC Corp são refletidos no patrimônio do respectivo veículo e, consequentemente, no valor de suas cotas, pertencentes aos investidores do fundo.
Após as movimentações, os fundos permanecem acionistas da empresa, com participação conjunta de aproximadamente 7,97% do capital social da companhia.
As operações foram realizadas em bolsa e formalmente comunicadas à CVC em cumprimento à regulamentação.
A Apex Partners S/A vem agindo de forma transparente e rigorosa para superar este momento desafiador. A própria empresa abriu uma auditoria interna, constatou as inconsistências financeiras e realizou o imediato afastamento de Fernando Kulnig Cinelli do cargo na semana passada. Auditoria independente está em fase final de contratação, assim como as medidas para responsabilizações judiciais de seu ex-presidente.
A Companhia segue atuando no mercado e se prepara para uma profunda reestruturação que permita atravessar de forma segura e responsável este período, respeitando colaboradores, investidores, parceiros e o mercado em geral. A Apex Partners S/A está dedicada integralmente em esclarecer as circunstâncias identificadas e manter sua atuação no mercado."
Atualização
14/08/2026 às 14:36
Após a publicação da matéria, a Apex Partners emitiu uma nota se posicionando e confirmado a venda das ações, com a participação do capital social da CVC sendo reduzida para 7,97%, não 11%, como noticiado anteriormente. O conteúdo foi atualizado.
Leia Mais Sobre o Caso