O BTG Pactual informou nesta sexta-feira (7) ter rescindido o contrato de distribuição que mantinha com a Apex Partners, em mais um desdobramento da crise que atingiu a plataforma capixaba de investimentos. A informação foi confirmada por uma fonte ligada ao banco, que pediu para não ser identificada.
Segundo a fonte, a relação entre BTG Pactual e Apex era comercial e estava ligada à distribuição de produtos e serviços financeiros. As empresas, ressaltou, nunca foram sócias.
A decisão ocorre um dia após a Apex anunciar o afastamento do fundador e então presidente, Fernando Antonio Kulnig Cinelli, e do diretor financeiro, Eduardo Siqueira. Os dois foram retirados dos cargos depois que sócios da companhia identificaram o que a empresa classificou como "inconsistências financeiras".
O caso foi revelado por A Gazeta na quinta-feira (6). Conforme publicado pelo colunista Abdo Filho, lideranças do partnership da Apex realizaram uma apuração interna e encontraram as inconsistências. Cinelli foi afastado da presidência e Siqueira, da diretoria financeira. A empresa contratou uma auditoria externa para aprofundar a investigação.
Na sequência, o BTG Pactual também tomou uma medida envolvendo um fundo ligado à Apex. O banco informou aos cotistas, em fato relevante, o fechamento da classe do BRM Carbyne Crédito Estruturado para a realização de resgates a partir de quinta-feira (6). O fundo tinha patrimônio líquido de R$ 160,5 milhões e 909 cotistas.
Segundo o BTG, a decisão ocorreu devido à incompatibilidade entre a liquidez da carteira e o volume de resgates solicitados.
A Apex informou que contrataria uma auditoria externa para aprofundar a apuração sobre as inconsistências encontradas pelos sócios. A empresa também afirmou que está adotando medidas para garantir a segurança e a solidez das operações e para eventual responsabilização cível e criminal.
Horas depois do anúncio do afastamento de Fernando Cinelli da presidência, ele renunciou à cadeira que ocupava no Conselho de Administração da CVC Corp.
Cinelli havia ingressado no conselho da companhia de turismo em maio deste ano. A CVC informou ao mercado que a vaga permanecerá aberta até a escolha de um substituto.
Pexels
Diante do cenário de incerteza envolvendo investimentos, o especialista em investimentos José Márcio de Barros destaca que o primeiro passo antes de aplicar qualquer recurso é conhecer o próprio perfil de investidor.
Segundo ele, existem três classificações principais: conservador, moderado e agressivo. A escolha dos produtos financeiros deve estar alinhada ao nível de risco que cada pessoa está disposta a assumir.
Barros também recomenda que o investidor busque conhecimento básico sobre os produtos disponíveis no mercado, como Certificado de Depósito Bancário (CDB), Letra de Crédito Imobiliário (LCI), Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) e fundos de investimento, além de entender a diferença entre renda fixa e renda variável.
Todo investimento tem risco, alguns mais e outros menos. Quanto maior o ganho possível, maior o risco corrido
José Márcio de Barros, especialista em investimentos
Ele também ressalta a importância da diversificação para evitar que todo o patrimônio fique concentrado em uma única aplicação.
Na avaliação do especialista, ofertas com promessas de retornos muito acima da média do mercado devem ser vistas com cautela. A recomendação é verificar se a instituição tem registros nos órgãos reguladores, consultar informações sobre a saúde financeira da empresa e observar se os produtos contam com garantias, como a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), quando aplicável.
Outro ponto destacado por Barros é o acompanhamento constante dos investimentos. Segundo ele, não basta aplicar o dinheiro e deixar o recurso parado sem monitoramento. O investidor deve acompanhar as condições do mercado e observar mudanças que possam afetar seus ativos, de preferência, com a orientação de profissionais habilitados antes de tomar decisões financeiras.