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Infraestrutura

O que setor empresarial do ES diz sobre projeto do contorno ferroviário de Belo Horizonte

Incluída no plano de investimentos da renovação da concessão da FCA, obra será realizada no principal corredor ferroviário utilizado para transportar cargas entre o interior do país e os portos capixabas

Publicado em 11 de Agosto de 2026 às 10:58

André Cypreste

Publicado em 

11 ago 2026 às 10:58
VLI administra ferrovias, portos e terminais
A FCA vai continuar sendo controlada pela VLI até 2056. Bruno Figueiredo /Divulgação VLI

A inclusão do Contorno Ferroviário de Belo Horizonte (MG) no plano de investimentos da renovação da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) é vista pelo setor produtivo como uma medida capaz de ampliar a eficiência da estrada de ferro que liga Minas Gerais aos portos do Espírito Santo.


Apesar da expectativa de ganhos logísticos, entidades e a própria Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) ressaltam que os efeitos não serão imediatos, já que ainda haverá várias etapas antes do início das obras.


Na última semana, a diretoria da ANTT aprovou as condicionantes definidas pelo Ministério dos Transportes para a renovação antecipada da concessão da FCA, operada pela VLI. Entre elas, está a priorização do Contorno Ferroviário de Belo Horizonte, estimado em cerca de R$ 2 bilhões, em substituição ao antigo projeto do Contorno da Serra do Tigre.


Para o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Paulo Baraona, a mudança atende a uma demanda defendida pelo setor produtivo dos dois Estados e elimina um dos principais gargalos operacionais da malha.

O Contorno de Belo Horizonte elimina um dos principais gargalos ferroviários do Corredor Centro-Leste. Ampliamos a capacidade de transporte de cargas e fortalecemos um corredor logístico estratégico para o Espírito Santo.

Paulo Baraona, presidente da Findes 

Segundo Baraona, os ganhos de competitividade dependerão da execução da obra, que tem características estruturantes e longo prazo de implantação.


"O importante é que esse investimento saia do papel, porque seus ganhos para a logística e a competitividade serão permanentes, mesmo com a operação da ferrovia atual sendo mantida durante esse período", afirma.

Benefícios para os portos do ES

Embora a intervenção ocorra em Minas Gerais, o projeto tem reflexos diretos para o Espírito Santo porque integra o principal corredor ferroviário utilizado para transportar cargas entre o interior do país e os portos capixabas.


Ao retirar parte do tráfego ferroviário da Região Metropolitana de Belo Horizonte, a expectativa é ampliar a capacidade operacional da malha, reduzindo conflitos urbanos e aumentando a fluidez dos trens que seguem em direção ao litoral capixaba.


Na avaliação da Findes, porém, a obra não elimina todos os gargalos da logística ferroviária do Estado, em especial no ramal integrado aos portos de Aracruz, no Norte do Estado.

O ramal Piraquê-Açu é uma prioridade para atender ao crescimento da movimentação de cargas dos portos de Barra do Riacho, incluindo o Terminal Portocel e o Porto da Imetame.

Paulo Baraona, presidente da Findes

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Para o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), a diversificação dos modais de transporte é positiva para o comércio exterior, mas os impactos específicos dessa obra sobre o setor cafeeiro tendem a ser limitados.


Segundo a entidade, atualmente não há circulação expressiva de café por ferrovia nesse trecho.

Entendemos a importância e defendemos a diversificação modal, de forma a otimizar a logística no processo de exportação. Contudo, nesse ponto específico, não há circulação expressiva de café por ferrovia atualmente.

Cecafé

Próximos passos

Apesar da aprovação da ANTT, a execução da obra ainda depende de diversas etapas. Segundo a agência, o processo seguirá para análise do Tribunal de Contas da União (TCU), que ainda não possui prazo definido para concluir a avaliação da renovação da concessão.


Somente após a assinatura do termo aditivo será iniciada a elaboração dos Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA), prevista para ocorrer nos dois primeiros anos do novo contrato.


O novo contorno, se aprovado pelo TCU, terá 99 quilômetros e irá de Vespasiano até Itabira, em Minas Gerais. Os estudos apontam para um incremento de 11 milhões de toneladas por ano até 2055. Até 2030, a ampliação será de 4,5 milhões de toneladas. Hoje, essa carga é transportada em milhares de caminhões, o que aumenta o custo logístico.


A ANTT informa ainda que, mesmo após a conclusão desses estudos, o início das obras dependerá da confirmação da viabilidade técnica do empreendimento, da ordem de prioridade definida para os investimentos e da disponibilidade dos recursos previstos no contrato.


A agência também detalha que a proposta de renovação da FCA prevê aproximadamente R$ 23,4 bilhões em investimentos obrigatórios ao longo de 30 anos. A modelagem contempla ainda a devolução de cerca de 3.110 quilômetros de trechos considerados antieconômicos, não operacionais ou de baixa viabilidade, reduzindo a malha operacional da concessionária de 7.220 quilômetros para 4.110 quilômetros.

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