Os servidores da Prefeitura de Vitória passam a receber os salários pelo Santander a partir deste mês de setembro. O banco pagou R$ 46 milhões para assumir a folha do município e iniciou o processo de abertura das contas dos funcionários.
Com a operação, a instituição espera ultrapassar a marca de 100 mil clientes no Espírito Santo.
A aquisição da folha também integra os planos de expansão do banco no mercado capixaba. Em entrevista, o vice-presidente de Varejo do Santander, Ede Viani, afirmou que o desempenho econômico do Estado foi um dos fatores considerados na decisão de ampliar a atuação local.
“O Espírito Santo cresce acima da média do Brasil e do Sudeste também. Então, no final do dia, é um Estado exitoso, bem administrado e onde a gente quer seguir expandindo”, destaca.
Além de aumentar a base de clientes, o Santander pretende usar a operação para avançar em outros segmentos e reforçar a presença principalmente em Vitória. Segundo Viani, oportunidades como a aquisição de uma folha desse porte são consideradas estratégicas para ampliar a participação do banco em mercados onde a instituição identifica espaço para crescimento.
A estratégia não deve ficar restrita à administração da folha da prefeitura. Segundo Viani, o banco pretende ampliar os negócios com pessoas físicas e empresas de diferentes portes, além do segmento de alta renda.
O executivo não apresentou uma meta percentual para a expansão da operação capixaba, mas afirmou que a expectativa é crescer em ritmo superior ao desempenho do banco no restante do país. “A gente quer crescer aqui acima da média do resto do país”, afirma.
Um dos segmentos citados pelo executivo foi o imobiliário. Segundo dados apresentados por Viani, o financiamento imobiliário do Santander no Espírito Santo cresceu 77% nos últimos 12 meses. Ele afirma ainda que o avanço ficou acima do registrado pela instituição no país.
O banco também pretende abrir uma unidade do Work Café em Vitória nos próximos 12 meses. O formato reúne serviços bancários com cafeteria, salas de reunião e espaços para palestras e eventos e faz parte de uma mudança no modelo de atendimento presencial da instituição.
Ainda não há endereço definido. Segundo Viani, o banco está avaliando possíveis imóveis na Capital e a definição do ponto será uma das próximas etapas do projeto.
A decisão ocorre em um cenário de redução na procura por serviços bancários presenciais e avanço dos canais digitais. O próprio executivo reconheceu que o uso das agências mudou nos últimos anos, com a migração de operações para aplicativos e canais remotos e a redução do uso de dinheiro em espécie.
Nesse contexto, a proposta do Santander é concentrar parte do atendimento presencial em espaços voltados principalmente para a convivência com os clientes. A unidade também poderá receber palestras e encontros sobre investimentos, mercado imobiliário, tecnologia e educação financeira.
“A marca precisa ter presença e os clientes valorizam isso. O que a gente quer é criar um ambiente de conveniência, onde a experiência seja diferente e onde a gente crie motivos para ele vir até nós”, explica Viani.
Outra frente apresentada foi a Santander Open Academy, plataforma de cursos gratuitos mantida pela instituição. O serviço é aberto também a quem não é cliente do banco e reúne capacitações em áreas como idiomas, marketing digital e outras habilidades profissionais.
Os cursos têm diferentes formatos e durações. Parte deles possui vagas ilimitadas, enquanto outros dependem de processo seletivo. Há ainda capacitações realizadas em parceria com universidades estrangeiras e opções que oferecem certificado de conclusão.
Segundo representantes do Santander, a plataforma faz parte dos investimentos sociais do grupo na área de educação. A instituição afirma ter escolhido a formação profissional como estratégia de atuação junto à sociedade para além dos serviços financeiros.
A oferta de conteúdo também deverá fazer parte do Work Café previsto para Vitória. De acordo com Viani, unidades desse modelo recebem especialistas para encontros sobre temas que vão de investimentos e mercado imobiliário a digitalização, cibersegurança e educação financeira.