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DESCASO

Hospitais têm ponto facultativo, e pacientes perdem a viagem

Unidades cancelaram consultas, mas pessoas que saíram do interior não foram avisadas

Publicado em 24 de Maio de 2019 às 01:56

Publicado em 

24 mai 2019 às 01:56
Na entrada do Hospital Infantil, mães do interior do Estado com filhos que ficaram sem atendimento Crédito: Bernardo Bracony/ TV Gazeta
Os pacientes que estavam com consultas marcadas nos hospitais estaduais Dório Silva, na Serra, e no Hospital Infantil, em Vitória, ficaram sem atendimento ontem. Os que saíram do interior do Estado – muitos após viajarem de madrugada – relataram que foram pegos de surpresa pelo ponto facultativo dos servidores, que foi decretado pelo governo por causa da comemoração dos 484 anos de Colonização do Solo Espírito-Santense.
A técnica de enfermagem Marluce Caetano foi uma das mães que saiu de casa durante a madrugada para que a filha Emanuele, de 10 anos, passasse por consulta agendada no Hospital Infantil. Elas saíram de Ecoporanga, na região Norte do Espírito Santo.
“Chegamos aqui e está fechado, não tem ninguém para dar orientação para a gente. Não mandaram nenhuma informação para a nossa secretaria municipal de Saúde para informarem para a gente. Fica difícil, né? Porque perdemos um dia de trabalho e a criança perde um dia de escola”, lamentou.
A dona de casa Ana Paula Brandão saiu de Venda Nova do Imigrante, na Região Serrana, com o filho Anthony. Ela disse que a consulta do menino foi desmarcada, mas que o hospital não avisou antes do cancelamento do atendimento.
“Estou esperando aqui desde 5h o ambulatório que ia abrir às 7h, para chegar agora e eles dizerem que é ponto facultativo do governo e que não vai abrir. Meu filho depende de remédio por encaminhamento do governo, eu vou embora e remarco a consulta para ele ser atendido só daqui a três meses”, contou a mãe.
DÓRIO SILVA
Depois de um ano aguardando consulta, Gilda Nascimento teve de voltar do Dório Silva para São Mateus sem ser atendida. Crédito: Bernardo Bracony/ TV Gazeta
 
Já no Hospital Dório Silva, na Serra, muitos pacientes adultos que saíram do interior do Espírito Santo também ficaram sem atendimento e sem informação. A recepção estava vazia.
A servente Gilda Nascimento contou que saiu de São Mateus, no Norte do Espírito Santo. Ela tem uma hérnia de disco e conseguiu a consulta com especialista depois de ficar um ano esperando atendimento.
“Mandaram remarcar. Amanhã eu vou levar a folha no posto de saúde para ver se remarca”, lamentou.
 
OPINIÃO DA GAZETA
FALTA DE RESPEITO
É por situações como essa, vivida por pacientes que se deslocam do interior para a Grande Vitória, que a decretação de pontos facultativos é tão questionada. A decisão se tornou pública há apenas dois dias e acabou prejudicando quem já esperava por uma consultas por até um ano. Os hospitais deveriam estar enquadrados nos serviços que não admitem esse tipo de paralisação.
O OUTRO LADO
REMARCAÇÕES DE CONSULTAS
A Secretaria de Estado de Saúde (Sesa) disse que fez contato com as secretarias regionais dos municípios, que deveriam repassar a informação sobre os cancelamentos aos pacientes. A Sesa disse ainda que os serviços de urgência e internação estiveram em funcionamento normal. As consultas desmarcadas serão reagendadas.
 

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