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Luto

Morre aos 100 anos Dona Maria, tradicional benzedeira da Serra

A centenária, que passou a vida toda a cuidar de outras pessoas,  havia sofrido um grande abalo emocional ao perder o filho no final do mês passado

Publicado em 22 de Abril de 2021 às 17:24

Aline Nunes

Publicado em 

22 abr 2021 às 17:24
Maria de Lurdes, benzedeira de Jacaraípe, Serra
Maria de Lourdes começou a benzer quando tinha apenas sete anos de idade Crédito: Ricardo Medeiros
A benzedeira Maria de Lourdes Pereira, 100 anos, morreu na madrugada desta quinta-feira (22). Reconhecida por sua fé e alegria ao atender quem a procurasse, no Bairro das Laranjeiras, em Jacaraípe, na Serra, passou quase a vida inteira se dedicando ao outro. No fim, a perda de um filho a entristeceu e acabou lhe tirando o ânimo. Mas, para a família e quem teve a oportunidade de conhecer Dona Maria, como ela era chamada, fica um legado de amor ao próximo. 
A neta Soraya Fernandes Monteiro contou que o tio - filho mais novo de Dona Maria - morreu de câncer no final de março e, desde então, a avó desenvolveu um quadro de tristeza profunda. "Ela não conseguiu superar a morte dele. Foi ficando muito triste, muito triste, não conseguia sair da cama e foi enfraquecendo", relatou.
Morre aos 100 anos Dona Maria, tradicional benzedeira da Serra
Então, reapareceu uma úlcera, problema no estômago que a benzedeira já havia relatado em entrevista para A Gazeta em 2019, que a debilitou mais e, nesta madrugada, uma parada cardiorrespiratória encerrou a jornada de Dona Maria. 

HISTÓRIA

A benzedeira passou a se dedicar às orações por quem a procurasse ainda muito cedo. Ela tinha apenas 7 anos quando teve uma revelação espiritual e, desde então, seguiu nesse caminho. Rezava tanto para curar doenças, quanto para liberar os aflitos de outros males. Benzia casas e locais de trabalho. Parava o que estivesse fazendo se alguém lhe batesse à porta pedindo ajuda.
Pessoa simples e fervorosa, Dona Maria fazia seu ritual de fé sem cobrar nada. Alguns agraciados com suas bênçãos faziam visitas frequentes, apenas pelo prazer de sua companhia e boa conversa. 
Em maio do ano passado, quando completou 100 anos no meio da pandemia, a benzedeira não poderia celebrar com a casa cheia, como era de costume antes da crise sanitária da Covid-19. Mas, mesmo diminuindo o ritmo de atendimento, a fé e as orações foram mantidas, e Dona Maria atendia os fiéis mais aflitos por telefone. Na última conversa com a reportagem, há quase um ano, ainda que estivesse aborrecida com o confinamento imposto, demonstrou o que fez toda a vida: desejou saúde e bênção a todos. 
O velório e o enterro de Dona Maria vão acontecer no cemitério São Domingos, em Macafé, também na Serra, às 10 horas desta sexta-feira (23). A cerimônia será aberta à família e amigos, com protocolos de distanciamento e uso de máscara. 

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