As comunidades acadêmica e do samba estão de luto com a morte da professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Júlia Maria Costa de Almeida, docente do Departamento de Letras.
Cantora e compositora, ela morreu serenamente, sem dor, enquanto dormia, segundo a família. O falecimento foi comunicado na noite de sábado (5) pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGEL/Ufes), do qual Júlia fazia parte.
Professora, pesquisadora e orientadora, ela também atuou como coordenadora adjunta do programa PPGEL/Ufes. Júlia trabalhava na universidade desde 2003. Em setembro de 2020, alcançou o nível de Professora Titular, o mais alto da carreira do Magistério Superior Federal, após apresentação e defesa de seu Memorial.
Júlia fez graduação em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 1989, com mestrado e doutorado em Linguística pela Unicamp, além de quatro pós-doutorados: em Literatura, na Duke University (EUA); em Estudos Culturais, no Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC/UFRJ); em Geografia Urbana, na UFF; e em Linguística, na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
Ela também foi autora de três livros: “Estudos deleuzeanos da linguagem”, da editora Unicamp (2003), “Textualidades contemporâneas - Texto, Imagem, Cultura”, pela editora da Ufes (2012), e “O fardo da autorrepresentação do brasileiro”, da editora Pontes (2017).
Além da trajetória acadêmica, Júlia Almeida tinha uma relação estreita com o samba. Como cantora e compositora, escolheu o gênero para manifestar suas emoções e também para destacar a presença das mulheres na música.
O primeiro álbum, “Vim pra roda, sim!”, foi apresentado em junho de 2020. O segundo, “Samba na sombra”, foi lançado em 2022. Em 2024, publicou o clipe da música "Incendeia". Na carreira musical, Júlia tinha como referências artistas precursoras do samba, como Dona Ivone Lara e Beth Carvalho.
A causa da morte e a idade de Júlia não foram informadas.