Uma bebê de um ano foi flagrada engatinhando sozinha, no meio da rua, na madrugada de quinta-feira (25), no bairro Barramares, em Vila Velha. Ela teria escapado por pouco de ser atropelada por um motoboy, que freou a moto ao perceber um vulto atravessando a via.
Antes de desacelerar, ele teria pensado que se tratava de um animal de pequeno porte, até que a criança teria começado a chorar, se aproximando dele. Neste momento, aparentemente em choque, ele teria olhado para cima e viu um casal aparecer na janela de uma residência.
“Eu ia fechar a cortina, fechar os vidros, quando escutei ele pedindo socorro. Ele perguntou se a criança era nossa, e eu falei ‘não, nossas filhas estão aqui em casa’ e ele perguntou se tinha como a gente descer para ajudar, falou que não podia ligar a moto (para ir embora) e simplesmente deixar a criança ali”, contou a moradora, em entrevista à repórter Isabelle Oliveira, da TV Gazeta.
Uma outra mulher, que se aproximava do local com a filha, também parou para ajudar e pegou a bebê no colo, sentindo a criança gelada. “Uma moça pegou uma blusa, uma meia, uma calça para eu vestir a neném, que estava com a fralda muito cheia. Dava dó. É um amor de criança. Vesti a roupinha nela, coloquei ela no meu colo, e ela deitou, deu para ver que estava se sentindo segura”, relatou.
Pouco depois, uma viatura da Polícia Militar, que fazia patrulhamento na região, apareceu, e a mulher fez sinal para que parassem. O Conselho Tutelar foi chamado e assumiu a guarda da menina.
Horas mais tarde, já durante a manhã, a PM foi novamente acionada, desta vez pela mãe da bebê, que percebeu o desaparecimento da filha ao retornar de uma festa, às 5h50. Segundo a corporação, a mulher disse que havia saído por volta da meia-noite e deixado a criança aos cuidados do irmão de 15 anos.
Diante dos fatos, a mulher, de 34 anos, foi conduzida à Delegacia Regional de Vila Velha, onde foi autuada em flagrante por abandono de incapaz e encaminhada ao Centro Prisional Feminino de Cariacica.
A casa de onde a bebê saiu só foi identificada mais tarde. Ficava a 130 metros do local em que a criança foi encontrada.
De acordo com o Conselho Tutelar, a criança permanece em acolhimento institucional. A reintegração dependerá de pedido apresentado por um familiar, por meio de advogado ou da Defensoria Pública, e de decisão judicial sobre quem ficará com a guarda da menina.