O influenciador e investidor de 30 anos, sequestrado em junho no bairro Jardim Camburi, em Vitória, era monitorado havia aproximadamente um ano pelos criminosos, segundo a Polícia Civil. As investigações apontaram que o grupo conhecia a rotina da vítima e sabia até os horários em que ela frequentava aulas de futevôlei.
Para a polícia, a ampla exposição do investidor nas redes sociais, onde compartilhava aspectos da rotina e divulgava sua atuação no mercado de criptomoedas, provavelmente chamou a atenção dos envolvidos. Os detalhes da apuração foram apresentados pela Polícia Civil nesta quarta-feira (9), durante coletiva na Chefatura da corporação, em Vitória.
O crime aconteceu no dia 11 de junho, quando o investidor foi abordado enquanto dirigia um Porsche em Jardim Camburi. Segundo o chefe do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), delegado Gabriel Monteiro, os investigados aguardaram uma oportunidade para colocar em prática um plano que já vinha sendo preparado.
“A associação criminosa estava monitorando essa vítima havia aproximadamente um ano. Eles sabiam toda a dinâmica dessa vítima, até os horários em que ele trocava de turno com o professor ou com os amigos”, afirmou Gabriel Monteiro.
A investigação identificou nove pessoas com algum tipo de envolvimento no crime. Sete estão presas, enquanto Samuel Camilo dos Santos, de 23 anos, e Ana Julia da Silva, de 21, permanecem com mandados de prisão em aberto.
A forma como a vítima pode ter sido escolhida levou a Polícia Civil a reforçar orientações de segurança, principalmente em relação à exposição nas redes sociais. Segundo o delegado-geral da Polícia Civil, Jordano Bruno, os mesmos cuidados adotados no dia a dia devem ser mantidos no ambiente virtual.
Segundo o delegado-geral, informações publicadas nas redes podem revelar a condição econômica e a rotina de uma pessoa. Por isso, a Polícia Civil chama a atenção para a divulgação de locais frequentados, endereço, veículos, dados pessoais e informações que indiquem a situação financeira.
“A partir do momento em que você tem uma ampla exposição da sua condição econômica, dos locais que frequenta, expõe o lugar onde mora, o seu veículo e, por vezes, dados pessoais, isso pode chamar a atenção de um criminoso”, alertou Jordano Bruno.
No ambiente físico, a recomendação da Polícia Civil é evitar a exposição de itens de valor, como joias e celulares, e manter a atenção ao circular em vias públicas. Segundo o delegado-geral, os mesmos cuidados devem ser adotados na internet.
Apesar do monitoramento e do planejamento identificados na investigação, Jordano Bruno ressaltou que, até o momento, não há indicação de que os investigados formassem uma quadrilha especializada nesse tipo de crime ou planejassem outros sequestros.
A investigação resultou na Operação Tron, deflagrada pelo Deic em 27 de agosto. Na ocasião, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão e seis de prisão preventiva na Serra.